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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Aedes aegypti pode ser transmissor de nova doença

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Pelo menos dois turistas apresentaram sintomas de febre do Mayaro em Fortaleza. A doença, nova para a Capital, é comum em estados das regiões Norte e Centro-Oeste, em áreas de mata, é transmitida por arbovírus — vírus transmitidos por insetos — e, de acordo com o Ministério da Saúde, em estudos de laboratório foi demonstrada competência de vetores urbanos, incluindo o Aedes aegypti. Nenhum dos dois casos são originários de Fortaleza e foram registrados em pessoas do Amapá e Pará. 

A informação foi divulgada ontem pelo Blog do Eliomar, mas os registros ocorreram há cerca de dois meses e os pacientes já se recuperaram.

“As pessoas chegaram ao consultório com sintomas clínicos muito semelhantes ao de chikungunya, mas o resultado era negativo para esta doença e para dengue e zika”, conta o médico infectologista Ivo Castelo Branco. “Como eram pessoas de outro estado foi cogitada a febre de Mayaro e, quando chegaram nas respectivas regiões, o diagnóstico se confirmou”, disse.
O médico explica que não há registro de nenhum caso autóctone em Fortaleza, ou seja, nenhuma infecção que tenha se originado aqui. Ele reforça ainda que, devido ao curto tempo de acomodação do vírus no corpo, são pequenas as chances de haver uma infecção deste tipo de febre no Ceará. “O vírus passa pouco tempo circulando no corpo e é difícil que seja transmitido para o mosquito daqui, mas pode ocorrer”, explica.

Ivo Castelo Branco explica que os sintomas da doença são bem semelhantes aos da chikungunya, com febre aguda, erupções na pele e dores articulares intensas. O vírus não é novo e foi identificado pela primeira vez em 1954. O que mudou é que a febre do Mayaro, antes transmitida comumente por vetores silvestres, agora, aparentemente também pode ser transmitida por vetores urbanos.

“O diagnóstico ainda continua um grande desafio dessas doenças infecciosas com sintomas comuns”, afirma o infectologista Robério Leite. De acordo com ele, há o surgimento de várias arboviroses (doenças transmitidas por artrópodes, incluindo insetos) e com isso o aumento das pesquisas em relação ao diagnóstico específico de cada doença. “Há receio do aumento desses quadros virais semelhantes, e a maioria dos diagnósticos é feita somente em laboratórios especializados”, afirma.

Os dois especialistas alertam para os recentes casos de febre amarela em Goiás, também passível de ser transmitida pelo Aedes aegypti. Para Ivo Castelo Branco, a principal medida é o combate ao mosquito. “É um desafio nacional. As pessoas ainda não sabem como combater porque os focos são diferentes de região para região, mas é preciso que haja mobilização e que a população seja devidamente orientada”, afirma.

Frases
COMO ERAM PESSOAS DE OUTRO ESTADO FOI COGITADA A FEBRE DE MAYARO E, QUANDO CHEGARAM NAS RESPECTIVAS REGIÕES, O DIAGNÓSTICO SE CONFIRMOU”

Ivo Castelo Branco, infectologista
Saiba mais

O vírus Mayaro foi isolado pela primeira vez em Trinidad, em 1954, e o primeiro surto no Brasil foi descrito em 1955, às margens do rio Guamá, próximo de Belém/PA. Desde então, casos esporádicos e surtos localizados têm sido registrados nas Américas, incluindo a região Amazônica do Brasil, principalmente nos estados das regiões Norte e Centro-Oeste.
 
As manifestações clínicas são semelhantes às da chikungunya, outra arbovirose que se tornou epidemia. Inicia-se com quadro febril agudo inespecífico, semelhante à dengue, e que pode apresentar dores de cabeça, dores musculares, erupções cutâneas dificultando o diagnóstico diferencial, assim como a determinação da verdadeira incidência do Mayaro. 

Não existe tratamento específico ou vacina para a doença. As pessoas infectadas devem permanecer em repouso, acompanhado de tratamento sintomático, com analgésicos e anti-inflamatórios, que podem aliviar dor e febre.
 
Mais recentemente, no Brasil, entre dezembro de 2014 e janeiro de 2016 (semana epidemiológica 01), foram registrados 343 casos humanos suspeitos de doença pelo vírus Mayaro. Os casos suspeitos foram identificados em 11 estados distribuídos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com destaque para o estado de Goiás com a maior frequência (183).
 
Os casos citados em Fortaleza ocorreram há cerca de dois meses. Para Ivo Castelo Branco, “é um sinal de alerta, mas felizmente não houve repercussão”.
 
Das doenças citadas na matéria, a febre amarela é a única que tem vacina para prevenção.
 
FONTE: Portal do Ministério da Saúde
O POVO

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