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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ferrovias Brasileiras - Declínio das ferrovias


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BATURITÉ - A estação em 29/3/2008. Foto Cláudio Pereira de Almeida

A falta de investimentos e o desenvolvimento das rodovias tirou a força das locomotivas brasileiras.


Por volta do ano de 1960, a malha ferroviária brasileira chegou ao seu auge no que diz respeito a quilometragem dos trilhos. Nós tínhamos fantásticos 38 mil quilômetros de ferrovias espalhados pelo Brasil, o que significa mais de oito vezes a distância do Oiapoque ao Chuí.



Mas antes mesmo desse período, os apitos das locomotivas já estavam perdendo o seu mistério. Manter e atualizar as ferrovias exigia dinheiro, coisa que o país não tinha sobrando. As empresas privadas não iam bem, e seus donos também não fizeram os investimentos necessários. O resultado é que as ferrovias foram ficando cada vez mais sucateadas. O professor do mestrado em Engenharia de Transportes da Universidade de Brasília, José Alex Santana, explica qual o caminho traçado pelo país naquele momento. 



"O Brasil parte então para construir rodovias e as ferrovias não são restauradas, embora existisse uma grande malha ferroviária, ela não é restaurada e não é desenvolvida, ela permanece no estágio em que estava nos anos 50. Isso faz com que o desenvolvimento rodoviário vá se tornando cada vez mais importante, porque a interiorização exige a cada dia a construção de novos trechos, novas estradas e mais acesso. "



Os caminhões chegaram ao Brasil com o atrativo de exigirem menos investimentos e chegarem na porta das indústrias. Enquanto isso, os ônibus começavam oferecer a facilidade irresistível ao passarem tão perto das casas, facilitando o dia-a-dia dos brasileiros. O veterano ferroviário de Pernambuco, José Dias, relembra essa briga entre as rodas e os trilhos. 



"Era uma concorrência, era uma propaganda. Então quando Juscelino chegou, a idéia dele era realmente fazer o parque rodoviário, como fez e fez muito bem. Mas não devia ter desprezado tanto a ferrovia, não é?"



As ferrovias brasileiras estavam sucateadas, e mais ainda, estavam cheias de dívidas. A solução oferecida pelo governo foi assumir a gestão dessas ferrovias. Em 1957 foi criada a Rede Ferroviária Nacional, um órgão que veio para dar um comando nacional ao transporte ferroviário. O professor José Alex detalha melhor esse momento. 



"As ferrovias estavam falidas. Todas elas tinham problemas operacionais, todas elas necessitavam de investimentos e não tinham capacidade para isso, todas elas tinham grandes dívidas trabalhistas com seus institutos de previdência. Então vem um esforço do governo de assumir todo esse abacaxi. Na realidade se fez uma grande cesta e nela se colocou todos os problemas e também as coisas boas."



Mas a criação da rede Ferroviária Federal não resolveu os problemas do setor. Os investimentos continuaram escassos, diminuindo ano após ano. Em 1989, os recursos investidos não chegavam a um quinto dos que tinham sido investidos no início da década de 80. O ferroviário aposentado João Garcia, de Passo Fundo, critica a maneira como a Rede Ferroviária cuidou das ferrovias brasileiras.



"Eu comecei a trabalhar na antiga Viação Férrea do Rio grande do Sul, entrei nela do dia 19 de novembro de 1954. Dá uma tristeza ver isso aí. Até a época que a Viação Férrea era dominada pela Estado dava rendimento pra pagar os funcionários, o combustível, pagar tudo. Depois que a Rede passou para o Governo Federal, aí começou a desmantelar com os cabides de empregos e má administração." 



O pernambucano José Dias, expôe a tristeza de um veterano ferroviário que dedicou toda uma vida ao trabalho nos trilhos.



"A primeira solução, se você queria estrada de forro, era aplicar dinheiro na ferrovia. Se não queria, arrancasse a ferrovia, não era nada demais. Agora a terceira solução que foi adotada era a única que não podia ser feita, que é a indiferença. A indiferença dói na gente." 



As ferrovias brasileiras chegaram a esse ponto por uma fato muito simples: falta de investimentos. A implantação de um sistema ferroviário pede mais recursos do que fazer uma rodovia. A economia que as ferrovias proporcionam é no consumo de combustível, que é bem menor quando comparamos com o que se gasta com caminhões. 



Uma nova solução para o setor ferroviário brasileiro veio na década de 90, quando as ferrovias foram privatizadas por meio de concessões. Esse processo que aconteceu entre os anos de 96 e 98, quando a malha brasileira já tinha diminuído dez mil quilômetros. 

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