ABAS

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

As empresas que transformam fezes humanas em lucro

Homem sentado no vaso sanitário
Fezes não são algo de que a maioria das pessoas goste de falar. Ainda assim, é algo que todos produzimos em grande quantidade.
Cada pessoa gera cerca de 135 a 180 litros de esgoto por dia - uma estimativa que inclui a água descartada em nossos banheiros, pias e máquinas de lavar, além de fezes e urina.
Tratar e lidar com esses dejetos é um negócio caro, que demanda tempo. Mas em vez de ver excrementos humanos como algo de devemos nos livrar, algumas empresas estão conseguindo transformá-los em algo útil - e até lucrativo.
A Northumbrian Water é uma empresa que passou a ser reconhecida como especialista no uso do que eles chamam de o "energia do cocô": uso de dejetos humanos para geração de gás e eletricidade.
A companhia foi a primeira no Reino Unido a utilizar todos os seus descartes - o lodo gerado pelo tratamento do esgoto - para produzir energia renovável.
A energia é gerada a partir de um processo chamado digestão anaeróbia, que captura o metano e o dióxido de carbono liberados por bactérias, "digerindo" o esgoto. Os gases são utilizados para impulsionar motores que geram eletricidade. Parte também é utilizada diretamente na rede.
Segundo Richard Murray, chefe da divisão de tratamento de água na empresa, a reciclagem não era prioridade na mentalidade dos anos 90. "Nós só queríamos que o esgoto desaparecesse."


Foi uma reunião ocorrida por acaso em 1996 com uma companhia norueguesa que estava convertendo seus dejetos em energia que despertou a mudança de mentalidade da Northumbrian.
O ponto crucial foi que o processo significava transformar o esgoto "de um custo a algo que nos trouxesse um pouco de renda", diz Murray.
"Isso mudou toda a nossa visão sobre dejetos."
A empresa tem duas plantas de biogás, que juntas reduziam a conta anual de energia da companhia em cerca de 20%. No total, Murray estima uma economia de 15 milhões de libras (R$ 64 milhões) por ano.
Diversas concorrentes no Reino Unido, como a Severn Trent e a Wessex Water, estão adotando medidas semelhantes às da Northumbrian. A produção de biogás também é comum em países como China, Suécia e Alemanha.

'Profundamente cultural'

Em escala global, esse tipo de processo tem um potencial muito grande.
Se todos os dejetos humanos fossem coletados e utilizados para a geração de biogás, o valor poderia chegar a US$ 9,5 bilhões (cerca de R$ 32,7 bilhões) ou o suficiente para abastecer 138 milhões de casas - algo como Indonésia, Brasil e Etiópia combinados, segundo cálculo da ONU.
Apesar das óbvias vantagens financeiras e ambientais, isso pode não ser suficiente para superar o chamado fator "nojo" de utilizar o próprio esgoto.
Sarah Jewitt, professora de geografia da Universidade de Nottingham que pesquisou diferentes atitudes em relação a dejetos humanos mundialmente, diz que as "as barreiras são profundamente culturais".
"Fezes nunca são algo muito agradável em qualquer sociedade. Existem fortes atitudes culturais em relação ao que é aceitável e o que as pessoas considerariam", afirma.
Ela ressalta que enquanto no Reino Unido os sistemas de banheiros e esgoto tiram do radar os potenciais riscos de saúde relacionados aos excrementos, no mundo em desenvolvimento isso não é uma certeza tão grande.
Condições sanitárias precárias matam 700 mil crianças por ano nesses países.

De esgoto a água potável

Melhorar essas condições foi o que impulsionou a criação de um equipamento, o Janicki Omni Processor.
O equipamento, criado pela empresa de engenharia Janicki Bioenergy, dos Estados Unidos, converte o esgoto em água potável e energia, cujo subproduto são cinzas.
A companhia tem um projeto-piloto em Dacar, no Senegal, e trata atualmente os dejetos de 50 mil a 100 mil pessoas. A água foi declarada como "deliciosa" por Bill Gates, que financiou o projeto por meio da Fundação Bill e Melinda Gates.
Apesar do temor de que as pessoas podem ficar reticentes em beber essa água, a empresa afirma que sua equipe local tem ficado "bastante animada para experimentar".
"Eles bebem a águam voluntariamente com regularidade, e a prática se tornou bastante popular."
Bran Sands
A presidente da empresa, Sara Van Tassel, afirma que os funcionários "continuam a aprender novas lições a cada mês teste", tentando encontrar maneiras de lidar com coisas como tempestades de poeira, encontrar peças de reposição e manutenção.
Ela afirma que a experiência teve valor "inestimável" para seu modelo comercial, cuja primeira unidade planeja enviar para o oeste da África no próximo ano.
A esperança é de que diversas dessas máquinas estarão disponíveis ao redor do mundo - a ideia é que cada uma delas processe o esgoto de até 200 mil pessoas e possa prover água para 35 mil.

Nem tudo é sucesso

Mas projetos-piloto nem sempre funcionam de acordo com o plano.
Um exemplo é o Bio-Busprimeiro ônibus movido a dejetos humanos e domésticos do Reino Unido, foi lançado com muito alarde na inglesa Bristol no ano passado.
A iniciativa foi liderada pela empresa de energia renovável da Wessex Water, a GENeco, para mostrar com o gás biometano - produzido durante o tratamento de esgoto e alimentos não consumidos - poderia ser utilizado como alternativa sustentável para veículos e residências.
Apesar das reações positivas de passageiros e os elogios de organizações ambientais, a First Group, que operava o ônibus, informou que o pedido para que o governo expandisse o serviço não teve sucesso.
O gás produzido pelo tratamento de esgoto de Bristol agora é utilizado na rede nacional de gás.
O investimento no esgoto, porém, parece ter ultrapassado o setor energético.
Nos Estados Unidos, pesquisadores identificaram restos de ouro em estações de tratamento americanas em níveis que, se encontrados em rocha, seriam considerados viáveis para garimpo.
Esses especialistas também encontraram prata e elementos raros, como paládio e vanádio.
Um estudo anterior, realizado pela Universidade do Estado do Arizona, estimou que uma cidade de um milhão de habitantes dá a descarga em cerca de US$ 13 milhões (cerca de R$ 44,8 milhões) de metais preciosos todos os anos.
BBC

domingo, 27 de novembro de 2016

A criminalização do caixa 2 faz parte de um pacote de medidas proposto pelo MPF que ficou conhecido como "dez medidas contra a corrupção".

A instituição defende a criação de legislação detalhada prevendo as práticas que seriam ilegais e estabelecendo punições mais duras. Uma nova regra necessariamente só vale para crimes futuros, a não ser que ela seja mais leve que regras anteriores.
Atualmente, a movimentação de recursos de campanha sem a correta declaração já pode ser punida pelo artigo 350 do Código Eleitoral, que estabelece de um a cinco aos de prisão para quem omitir documentos da prestação de contas.

sábado, 26 de novembro de 2016

A peste negra e a corrupção brasileira

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Sérgio Mauro*

A peste negra assolou a Europa na Idade Média e atingiu o auge em meados do século XIV, mas os seus efeitos foram sentidos até o século XVIII, ceifando um terço da população europeia e provocando efeitos que repercutiram em todos os setores da sociedade, inclusive no setor econômico. A corrupção brasileira que, até prova em contrário, atingiu o ápice no governo Dilma (embora exista desde a época de Cabral) ainda não fez diretamente vítimas fatais, mas indiretamente já provocou estragos que, assim como a peste bubônica medieval, repercutirão por muitos anos (oxalá não por séculos) na sociedade brasileira.
Ora, a peste europeia foi provocada pelas pulgas que se encontravam nos ratos. Na corrupção brasileira, são ratos de terno e gravata (outrora também de macacão) que se encarregaram de espalhar a ‘bactéria’. A peste bubônica encontrava terreno fértil na escassa higiene das cidades medievais; no Brasil de hoje, a sujeira incrustada na estrutura do Estado também custa a sair, favorecendo ratos de colarinho branco de todas as espécies, magros ou gordos, machos e fêmeas, barbudos ou não.
Inicialmente, os europeus culparam os pecados cometidos pelos cristãos como a causa principal da pestilência. Depois, preferiram culpar os judeus. Cá entre nós, há os que culpam a colonização portuguesa, ou a escassa propensão do brasileiro para o trabalho. Recentemente, andaram culpando a conjuntura econômica internacional, mas há os que culpam até mesmo a CIA ou o FBI.
Há uma única diferença, porém, entre a doença endêmica da Europa medieval e a nossa corrupção: a peste não poupava ninguém, afetando igualmente membros do clero e pecadores, nobres e miseráveis, feudatários ou membros da monarquia, enquanto a nossa corrupção afeta mais diretamente os pobres e a classe média empobrecida, que pagam o preço final pela disseminação dos ratos e dos seus malefícios.
Para debelar completamente a peste, a Europa empregou quase três séculos, pois não havia ‘lava jatos’ eficientes para limpar toda a sujeira acumulada. Aqui, a nossa operação ‘Lava Jato’ já está correndo o risco, segundo alguns, de se tornar uma operação permanente, sem uma data precisa para o término, bloqueando o ‘dinamismo’ (?) da economia corrupta que, bem ou mal, dentro de toda a sujeira, sempre moveu a sociedade.
Segundo a historiografia mais recente, porém, a peste bubônica, assim como as grandes guerras, teve alguns efeitos positivos, pois diminuiu consideravelmente a pressão demográfica, permitindo que as escassas provisões de alimentos passassem a ser mais do que suficientes para a população. Além do mais, houve um ‘esvaziamento’ das maiores cidades e, consequentemente, mais higiene e espaços livres. Entre nós, o que poderá acontecer, depois de todas as varreduras policiais e de todos os desentocamentos dos ratos? O que sobrará da limpeza provocada pelos nossos ‘lava jatos’?
Talvez, assim como na Europa medieval, haja uma renovação provocada pela seleção natural, em que só os mais fortes sobreviverão. Uma vez eliminados apenas os vetores naturais, isto é, os ratos, temo, porém, que as pulgas possam resistir por muitos séculos ou até milênios, pois os venenos utilizados para eliminá-las perderão a eficácia com o passar dos anos. E aqui, há uma fundamental diferença que nos deixa em desvantagem com relação aos europeus medievais: não conseguimos descobrir se o que realmente provoca a nossa doença está associado a pragas naturais. No nosso caso, as causas devem ser bem mais complexas, e talvez tenhamos iniciado o combate da maneira errada. Antes de caçar e eliminar os ratos, nós precisávamos eliminar o ambiente propício para a proliferação dessas pragas. Enfim, se a medicina medieval soubesse o que realmente provocava a peste, tantas vidas teriam sido poupadas e muitos judeus não teriam sido objeto de perseguição. Se nós tivéssemos, nesses anos todos, nos preocupado em varrer nosso quintal eliminando cada poeirinha, não precisaríamos agora lavar indefinidamente com jatos a sujeira encardida, sem data certa para a limpeza final.
* Sérgio Mauro é professor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara

FONTE: ESTADÃO

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Vem aí a DELAÇÃO do 'fim do mundo político'; quem for corrupto que se arrebente

Quase 80 executivos da Odebrecht fecham acordo de delação premiada

Acordo é chamado de delação do 'fim do mundo político'. Muitos políticos devem ser citados - fala-se em cerca de 200 nomes, de diversos partidos.

A peste da corrupção tem cura?

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Cartaz convida a todos brasileiros deixarem de ser covardes e acomodados e sairem as ruas contra corrupção...
Foto da Internet
Hong Kong mostrou, em poucas décadas, que a corrupção tem cura. Fez tudo certo: educação, prevenção e repressão (tudo junto). No Brasil, no entanto, prepondera a ideologia de que somos o “vale das propinas” (coirmã da ideologia do “vale das lágrimas”, que diz que passamos pela Terra apenas para sofrer, daí a necessidade de salvação). Aqui achamos que a corrupção não tem cura. Dizem: “é da nossa cultura” (por essa via algumas autoridades e empresários tentam justificar suas bandalheiras); “está enraizada”; as bandas podres das classes dominantes, as que corrompem na casa dos bilhões (veja Petrobras, Carf, Trensalão etc.), afirmam: “desde a Bíblia já se fala em corrupção”; “sempre foi assim”. Resultado: quanto mais naturalizada, mais impune fica a corrupção. Como era e como ficou Hong Kong depois das medidas anticorrupção?
Diante do rápido desenvolvimento econômico e social, se Hong Kong não tivesse adotado medidas certeiras calcula-se que atualmente estaria no patamar de China, México, Argentina e Indonésia, países que de acordo com o ranking mundial de corrupção 2014, da ONG Transparência Internacional, estão entre as posições 100º e 107º, dentre 174 países. O Brasil ocupa a 69ª posição. E Hong Kong, que nos anos 60/70 era considerado um dos territórios mais corruptos do mundo, está na 17ª posição, à frente de Estados Unidos e Reino Unido, por exemplo. Evolução impressionante em menos de meio século. Como isso se tornou possível onde vigorava a cultura do “money tea” (dinheiro do chá), que equivale ao nosso jeitinho?
Todos os setores sociais (com destaque para a polícia) achavam-se completamente contaminados pela “cultura da corrupção”. Em 1971 começou a grande virada, com a descoberta do caso “PF Gedber” (policial que ficou rico com a corrupção). Ele se aposentou. Após incontáveis protestos da população, em 1974, foi criada uma das organizações anticorrupção mais poderosas do mundo: a Comissão Independente Contra a Corrupção (algo que poderia ser imaginado no Brasil, mesclando agentes do Estado com a sociedade civil). A Comissão, inovadoramente, com três departamentos, focou em educação, prevenção e repressão. A ponte para a solução real do problema é composta de três vias.
Qual o seu legado? Uma só via (repressão) não funciona. É como cortar grama, que renasce. Só indo à raiz é que se resolve o problema. O Departamento de Operações centraliza todas as “denúncias” de corrupção (assegurando o sigilo e dando apoio ao denunciante) e faz as devidas investigações com rapidez. Luta com denodo pela “certeza do castigo”. O Departamento de Prevenção difunde práticas e procedimentos que reduziram drasticamente a quantidade de corrupção; o Departamento de Relações com a Comunidade cuida da educação e propaga os malefícios da roubalheira. Usa propagandas massivas. Atua em escolas, organizações distritais, no setor público e no privado: educa os jovens, difundindo ética e moralidade aos cidadãos. Em todas as apresentações as personagens protagonizam dilemas éticos, vencendo sempre o honesto.
O Índice de Liberdade Econômica 2012, da Fundação Heritage, com sede nos Estados Unidos, apontou uma tolerância mínima para a corrupção em Hong Kong e eficácia exuberante nas medidas anticorrupção da cidade. Em outra pesquisa, feita pela ICAC, numa escala de 0 a 10 onde zero é extremante intolerante à corrupção e 10 totalmente tolerante, os cidadãos de Hong Kong obtiveram uma média de 0,8 pontos na última década. Mudanças de valores são mais importantes que apenas reformar as leis penais. A via repressiva exclusiva, sobretudo quando populista, satisfaz a ira da população irada, mas não resolve o problema. Se Hong Kong, uma nação que tinha uma posição muito pior que a do Brasil anos atrás conseguiu, por que não podemos conseguir?
TEXTO DE LUIZ FLÁVIO GOMES

Senadores decidem votar fim da reeleição em dezembro

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Na hipótese de aprovação, emenda de 1997 que criou mecanismo constitucional para permitir a recondução do ex-presidente Fernando Henrique ao cargo será revogada. Relatório do senador Antonio Carlos Valadares está previsto para ser votado em meados do próximo mês..
O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), relator da proposta de emenda à Constituição que acaba com a reeleição para presidentes da República, governadores e prefeitos, quer simplificar o texto em discussão no Senado para que a proibição da recondução dos atuais ocupantes desses cargos possa vigorar já paras as eleições de 2018. O fim da reeleição já foi aprovado na Câmara e, para valer, só precisa da decisão dos senadores com dois turnos de votação em plenário e sanção presidencial.
Valadares tinha acrescentado outras regras ao texto aprovado pelos deputados. Mas para evitar que a emenda retorne à Câmara para nova jornada de votações, como prevê o regimento do Congresso, as alterações foram descartadas de seu relatório final, que deverá ser apreciado pelo conjunto dos senadores até meados de dezembro.
O texto final da emenda deverá conter apenas a supressão do parágrafo 5º do artigo 14 da Constituição, que versa justamente sobre a hipótese de recondução dos mandatários àqueles postos. O dispositivo foi acrescentado à proposta do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), hoje ministro da Educação do governo Michel Temer, que foi transformada em emenda constitucional em 4 de junho de 1997, permitindo a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso (leia detalhes da Emenda Constitucional 16/1997).
A simplificação da proposta sugerida pelo senador Valadares vai deixar de fora da mudança o período de mandato de presidentes, governadores e prefeitos. A questão, segundo o parlamentar, deverá ser discutia em outras propostas de emenda à Constituição, com mais tempo para serem discutidas pelo Congresso.
Controvérsia
O fim da reeleição para cargos executivos não é consenso entre os senadores. O líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), é a favor do fim da reeleição, mas seu colega que ocupa o cargo de líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), é contra.
Um pequeno grupo de senadores de PMDB, PSDB e outras legendas menores também é contra o fim da reeleição, mas não deve ter força suficiente para impedir a aprovação do fim do dispositivo constitucional. A mudança legal não trata da possibilidade de reeleição do atual presidente Michel Temer, que ocupa o cargo desde 31 de agosto, em substituição à ex-presidente Dilma Rousseff, cassada em processo de impeachment com o voto de 61 dos 81 senadores.
CONGRESSO EM FOCO

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O povo brasileiro não vai aceitar as manobras e manipulações da Câmara dos Deputados. Os parlamentares não podem retirar pontos do relatório do pacote de medidas anticorrupção que encontra-se em tramitação, menos ainda a proposta que anistia a prática criminosa de caixa dois. O povo não é bobo! ‘Aprovar a anistia é quebra de decoro’.E como bem alertou o do Dr. Sergio Moro, anistiar condutas de corrupção e de lavagem impactaria não só as investigações e os processos já julgados no âmbito da Operação Lavajato, mas a integridade e a credibilidade, interna e externa, do Estado de Direito e da democracia brasileira, com conseqüências imprevisíveis para o futuro do país.

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A República no camburão

Camburão (Foto: Arquivo Google)
A política, como quase tudo na vida, nutre-se de símbolos. A prisão, no espaço de menos de 24 horas, de dois ex-governadores do Rio de Janeiro – Garotinho e Sérgio Cabral -, sob a mesma acusação, simboliza o onipresente drama nacional da corrupção.
Nada o expressa melhor que o passeio de ambos, de camburão, rumo às instalações do presídio de Bangu 8, que um, Cabral, inaugurou, e o outro o teme por ter, segundo disse, mandado para lá muitos inquilinos. Um reencontro problemático, sem dúvida.
Mas o símbolo aí não é negativo: o reencontro do Comando Vermelho com o Palácio Guanabara indica que algo está mudando.
Outro simbolismo, não desprezível, é o fato de as prisões terem ocorrido na sequência imediata da Proclamação da República, que inaugurou, há 127 anos, na mesma cidade do Rio de Janeiro, uma etapa nada republicana da história do país.
Fruto de uma quartelada, a República no Brasil entrou pela porta dos fundos e, nas palavras de um republicano de então, Aristides Lobo, “o povo a tudo assistiu bestializado”. Não foi chamado a participar e levou semanas para entender o que se passava.
É possível que até hoje não tenha entendido.

Voltemos ao presente – e a outro cenário simbólico. As prisões se dão no exato momento em que o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, constata que está sem dinheiro até para pagar a seus servidores. Pior: quer que eles, os servidores, resolvam o problema que ele, governo, criou. Que paguem a conta.
Propõe redução de salários em 30% e pagamento dos que estão em atraso – em média, quatro meses –, já com os devidos descontos, em sete singelas prestações. Nada menos.
Estranhamente, o povo reagiu, embora mais uma vez bestializado. Mas sua ira não altera o essencial: não há dinheiro, e os governos não sabem fazê-lo; apenas gastam o que arrecadam – e alguns governadores, muitos, põem uma parte no próprio bolso.
O que ocorre no Rio não é fato isolado. Há mais estados falidos, vivendo o mesmo drama, ao tempo em que a Lava Jato prossegue sua faxina judicial, enquadrando gatunos. Só que agora, sem abandonar a esfera federal, investe na regional. Começa a caça aos governadores e, na sequência, aos prefeitos.
A semana política, que costuma inexistir quando pontuada por algum feriado, ignorou o 15 de novembro. Foi das mais densas, não apenas pelas prisões mencionadas, mas sobretudo pelas manobras parlamentares para esvaziar as dez propostas de combate à corrupção encaminhadas pelos procuradores da Força Tarefa da Lava Jato, que tramita na Câmara.
As dez viraram 18, depois 12 e o objetivo é que virem nenhuma – e que a Lava Jato acabe. Anistia para os crimes do passado – e não somente caixa dois – e um voto de confiança para o futuro, eis a síntese do que pretendem.
Trabalha-se por um desfecho como o da Operação Mãos Limpas, da Itália, que, entre 1992 e 1996, passou um trator na política daquele país, mas acabou esvaziada pela aprovação de leis que abortaram as investigações e culminaram na ascensão de um político, Sílvio Berlusconi, que simbolizava o oposto do que se buscava. Mas, naquela época, não havia ainda internet e redes sociais, o que faz toda a diferença em relação ao Brasil de agora.
É nas redes sociais que as manobras estão sendo denunciadas, com uma repercussão que assusta os parlamentares. A ausência dos partidos nas sessões da comissão especial das dez medidas evidencia o temor com o aprofundamento das investigações.
Sabe-se que poucos escaparão das garras da Lava Jato e que há um camburão a aguardá-los para um trajeto semelhante ao de Garotinho e Cabral. É a República no camburão.
No Senado, deu-se outro esvaziamento. Por falta de quórum, a comissão que examinaria a PEC do fim do foro privilegiado, de autoria do senador Álvaro Dias, não se reuniu. Se aprovada, a PEC devolverá políticos e autoridades dos três Poderes à vala comum dos cidadãos que os sustentam com impostos.
Numa hipótese, um ministro do STF poderia ser julgado por um juiz de primeiro grau, como Sérgio Moro. Há quem veja aí um exagero. O senador Ricardo Ferraço, por exemplo, acha que o foro deve ser mantido pelo menos para os presidentes dos três Poderes.
O certo é que a farra do foro deve acabar, o que facilitará sem dúvida o desenvolvimento de investigações como a Lava Jato. O desafio dos parlamentares que têm contas a acertar com a Justiça é ficar no âmbito do STF, que até aqui não condenou ninguém da Lava Jato, enquanto Sérgio Moro já condenou cerca de 120 infratores.
É a estatística a serviço da sobrevivência.
Por Ruy Fabiano

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Lei demais em um país sem lei

Lei (Foto: Arquivo Google)
Para coibir safadezas com o dinheiro público, o Brasil precisa de leis específicas e rigorosas. Essa foi a inspiração do Ministério Público Federal ao propor as 10 medidas contra a corrupção, que, seguramente, serão desfiguradas no cabo de guerra em que se tornou a apreciação da matéria na Câmara. Tanto ali quanto no Senado, todos defendem, da boca para fora, as investigações da Lava Jato e adjacentes. Mas no confronto com a realidade tudo muda de figura. E uma lei a mais pode ser a salvação de quem quer fugir da lei.
No país em que leis são feitas para anular outras leis ou simplesmente para não serem cumpridas, é difícil ter otimismo quanto à batalha final em torno da lei anticorrupção. Até porque, no avesso da intenção, a proposta do MPF abriu possibilidades infindas  para que os parlamentares adicionassem no projeto incisos de perdão para crimes cometidos. Além disso, sabe-se, de antemão, que não há garantia de que a lei vingue. Mesmo se aprovada.

Lei no Brasil nem sempre é lei. Ironicamente, há as que pegam e as que não pegam. E ninguém faz nada a respeito disso. Por exemplo: desde 1995, a lei 9.503 obriga o uso de cinto de segurança para o motorista e todos os passageiros de um veículo. Uma lei que pegou. Mas parcialmente: só vale para quem está nos bancos da frente. E não há santo que a faça viger para o assento traseiro.
Tudo que abunda não prejudica, diz o dito popular. Com as leis, vale o inverso. São tantas -- muitas delas contraditórias -- que, em vez de contribuir, não raro agem contra o cidadão.
Ninguém sabe com segurança quantas leis existem no país. Segundo o Grupo de Trabalho de Consolidação das Leis, instituído pela Câmara em 2009 -- até hoje com sua tarefa inconclusa --, o país acumula 1,7 milhão de leis. Dessas, 53 mil estariam em vigor. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário em 2008, quando a Constituição completou 20 anos, aponta que o país tem 3,7 milhões de normas jurídicas, uma média de 517 normas criadas por dia. 
Existe lei para tudo. Há duplicidade e triplicidade de leis. Se tiver de cumprir todas elas o cidadão não se mexe. Só se mexem os que estão acima da lei.
Lei não é empecilho para quem, como o ex Lula dizia sobre o ex José Sarney, não pode ser tratado como “pessoa comum”. Ou para o próprio Lula, que não admite nem mesmo ser considerado como réu nos processos em que já foi denunciado. Para esses privilegiados, se toda a rede de proteção ameaçar falhar, tergiversa-se com a criação de novas leis em cima de leis que já existem.
É disso que se trata a punição ao abuso de poder de promotores e juízes que o presidente do Senado, Renan Calheiros, quer votar. Na verdade, legislação para tal existe há mais de 50 anos (lei 4898/65), com punições para servidores públicos de todos os níveis. Está, inclusive, sendo usada pelos advogados de Lula na queixa-crime que protocolaram no Tribunal Regional Federal contra o juiz Sérgio Moro. Prova cabal que a iniciativa de Renan não passa de tridente para espetar o MP e a Justiça, que já autorizou 12 investigações contra ele. Nada mais do que bravata cozida ao molho de ameaça.
A punição à corrupção de entes públicos também conta com um cardápio de leis claríssimas que, no máximo, poderiam ter suas punições apimentadas.
O mesmo acontece com o caixa 2 para campanhas eleitorais, como bem lembrou à época do julgamento do mensalão a ministra Cármen Lúcia, hoje presidente da Suprema Corte – “Caixa 2 é crime; caixa 2 é uma agressão à sociedade brasileira”. Agora, no bojo da discussão das 10 medidas anticorrupção, abriu-se uma brecha para o Parlamento introduzir um parágrafo, um artigo, ou uma simples alínea específica para punir a execrável prática. Uma criação perfeita para os criadores: duras penalidades para o futuro com o dom de perdoar o passado.
Enquanto os que fazem as leis buscam se proteger por meio de novas leis, a maioria que cumpre as leis convive com o Brasil sem lei, ditado pelos acima da lei.
Por Mary Zaidan

WhatsApp permitirá que usuários assistam a vídeos sem baixá-los no celular

O WhatsApp começa a liberar a partir desta quarta-feira (23) uma nova atualização para o Android que permite aos usuários assistir a vídeos dentro da plataforma sem a necessidade de baixá-los.
Antes, era preciso obrigatoriamente fazer download do conteúdo para conseguir visualizá-lo. A partir de agora, para assistir a um vídeo recebido pelo aplicativo, não vai ser mais necessário acabar com a memória do seu celular ou mesmo com o seu pacote de dados.
O recurso é muito parecido com o que o Youtube e outros serviços de streaming já oferecem. 
Na Índia, segundo o site Mashableos usuários do aplicativo já estão testando a novidade. Nos testes do UOL Tecnologia, o recurso ainda não tinha sido liberado nem na última versão de teste do WhatsApp (2.16.365).
Agora basta esperar para saber quando os brasileiros receberão a novidade. Procurada, a assessoria de imprensa do WhatsApp ainda não se manifestou.
A mudança chega uma semana depois de o aplicativo anunciar a liberação das videochamadas para todos os seus usuários --independentemente do sistema operacional usado. 
Do UOL, em São Paulo

Ferrovias Brasileiras - Declínio das ferrovias


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BATURITÉ - A estação em 29/3/2008. Foto Cláudio Pereira de Almeida

A falta de investimentos e o desenvolvimento das rodovias tirou a força das locomotivas brasileiras.


Por volta do ano de 1960, a malha ferroviária brasileira chegou ao seu auge no que diz respeito a quilometragem dos trilhos. Nós tínhamos fantásticos 38 mil quilômetros de ferrovias espalhados pelo Brasil, o que significa mais de oito vezes a distância do Oiapoque ao Chuí.



Mas antes mesmo desse período, os apitos das locomotivas já estavam perdendo o seu mistério. Manter e atualizar as ferrovias exigia dinheiro, coisa que o país não tinha sobrando. As empresas privadas não iam bem, e seus donos também não fizeram os investimentos necessários. O resultado é que as ferrovias foram ficando cada vez mais sucateadas. O professor do mestrado em Engenharia de Transportes da Universidade de Brasília, José Alex Santana, explica qual o caminho traçado pelo país naquele momento. 



"O Brasil parte então para construir rodovias e as ferrovias não são restauradas, embora existisse uma grande malha ferroviária, ela não é restaurada e não é desenvolvida, ela permanece no estágio em que estava nos anos 50. Isso faz com que o desenvolvimento rodoviário vá se tornando cada vez mais importante, porque a interiorização exige a cada dia a construção de novos trechos, novas estradas e mais acesso. "



Os caminhões chegaram ao Brasil com o atrativo de exigirem menos investimentos e chegarem na porta das indústrias. Enquanto isso, os ônibus começavam oferecer a facilidade irresistível ao passarem tão perto das casas, facilitando o dia-a-dia dos brasileiros. O veterano ferroviário de Pernambuco, José Dias, relembra essa briga entre as rodas e os trilhos. 



"Era uma concorrência, era uma propaganda. Então quando Juscelino chegou, a idéia dele era realmente fazer o parque rodoviário, como fez e fez muito bem. Mas não devia ter desprezado tanto a ferrovia, não é?"



As ferrovias brasileiras estavam sucateadas, e mais ainda, estavam cheias de dívidas. A solução oferecida pelo governo foi assumir a gestão dessas ferrovias. Em 1957 foi criada a Rede Ferroviária Nacional, um órgão que veio para dar um comando nacional ao transporte ferroviário. O professor José Alex detalha melhor esse momento. 



"As ferrovias estavam falidas. Todas elas tinham problemas operacionais, todas elas necessitavam de investimentos e não tinham capacidade para isso, todas elas tinham grandes dívidas trabalhistas com seus institutos de previdência. Então vem um esforço do governo de assumir todo esse abacaxi. Na realidade se fez uma grande cesta e nela se colocou todos os problemas e também as coisas boas."



Mas a criação da rede Ferroviária Federal não resolveu os problemas do setor. Os investimentos continuaram escassos, diminuindo ano após ano. Em 1989, os recursos investidos não chegavam a um quinto dos que tinham sido investidos no início da década de 80. O ferroviário aposentado João Garcia, de Passo Fundo, critica a maneira como a Rede Ferroviária cuidou das ferrovias brasileiras.



"Eu comecei a trabalhar na antiga Viação Férrea do Rio grande do Sul, entrei nela do dia 19 de novembro de 1954. Dá uma tristeza ver isso aí. Até a época que a Viação Férrea era dominada pela Estado dava rendimento pra pagar os funcionários, o combustível, pagar tudo. Depois que a Rede passou para o Governo Federal, aí começou a desmantelar com os cabides de empregos e má administração." 



O pernambucano José Dias, expôe a tristeza de um veterano ferroviário que dedicou toda uma vida ao trabalho nos trilhos.



"A primeira solução, se você queria estrada de forro, era aplicar dinheiro na ferrovia. Se não queria, arrancasse a ferrovia, não era nada demais. Agora a terceira solução que foi adotada era a única que não podia ser feita, que é a indiferença. A indiferença dói na gente." 



As ferrovias brasileiras chegaram a esse ponto por uma fato muito simples: falta de investimentos. A implantação de um sistema ferroviário pede mais recursos do que fazer uma rodovia. A economia que as ferrovias proporcionam é no consumo de combustível, que é bem menor quando comparamos com o que se gasta com caminhões. 



Uma nova solução para o setor ferroviário brasileiro veio na década de 90, quando as ferrovias foram privatizadas por meio de concessões. Esse processo que aconteceu entre os anos de 96 e 98, quando a malha brasileira já tinha diminuído dez mil quilômetros. 

FONTE:

Pai de quatro meninas mostra a difícil realidade de viver com crianças

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Foto: Reprodução / Instagram
Enquanto as pessoas costumam utilizar as redes sociais para compartilhar o quanto sua família é perfeita, Simon Hooper decidiu apresentar a realidade.
Pai de 4 filhas, o homem mostra, diariamente, em seu Instagram os desafios da rotina de sua família. “Minhas fotos mostram uma visão realista do que paternidade é, do ponto de vista de um pai”, disse ele que tem mais de 190 mil seguidores na rede social, em entrevista, e completou: “Não há maneira fofinha de mostrar o que é ser pai de 4 filhas, e eu queria partilhar o que é realmente, e dar um toque de humor ao mesmo tempo”. Sua filha mais velha tem 9 anos, a do meio 6, e as gêmeas somente 10 meses.
Ele mesmo se define como “um homem acessível, motorista de táxi, instrutor de natação, tutor, cozinheiro chefe, conselheiro, muro de escalada humana, banco, personal shopper…”. Sua esposa divide com ele as tarefas.
Yahoo Noticias

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Prisão de Cunha e Garotinho mostra a evangélicos que Deus não é ‘full time’

No Rio de Janeiro, os três políticos mais identificados com o eleitorado evangélico são Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da igreja Universal; Anthony Garotinho (PR), fiel da igreja Presbiteriana; e Eduardo Cunha (PMDB), adepto da igreja Sara Nossa Terra. Crivella acaba de se eleger prefeito do Rio. Garotinho e Cunha estão presos. Essa conjuntura demonstra que Deus existe. Mas não é ‘full time’.
Denominações religiosas que se opõem à Universal, igreja de Edir Macedo, tio de Crivella, se articulam para produzir novos candidatos. Avalia-se que Garotinho está condenado à decadência política mesmo que se livre da acusação de chefiar um esquema de compra de votos na cidade de Campos dos Goytacazes. Quanto a Cunha, teme-se que a Lava Jato o torne um ficha-suja, afastando-o das urnas.
A despeito de seus alentados prontuários, Garotinho e Cunha se autoproclamam evangélicos desde a década de 1990. Em tempos de campanha, são auxiliados por uma legião de pastores, que fazem as vezes de cabos-eleitorais. Ambos utilizaram programas de rádio como palanques eletrônicos. Mais arrojado, Garotinho notabilizou-se por distribuir utensílios domésticos a donas de casa.
Ex-aliados, Garotinho e Cunha tornaram-se inimigos políticos. Um se refere ao outro como “ladrão”. Embora suas fichas indiquem que os dois talvez estejam certos, os líderes evangélicos que buscam novos talentos políticos não parecem preocupados com a debilidade ética, mas com a incapacidade momentânea da dupla de disputar espaço com Crivella e a sua Universal. Os supostos representantes de Deus fazem política com tal descompromisso moral que às vezes passam a impressão de que Ele não merece existir.
BLOG DO JOSIAS DE SOUZA

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A opção do Estado brasileiro pela rodovia como modal de transporte em detrimento da ferrovia pode ser compreendida pela perspectiva que sustenta que tanto a economia quanto a política...


A opção do Estado brasileiro pela rodovia como modal de transporte em detrimento da ferrovia pode ser compreendida pela perspectiva que sustenta que tanto a economia quanto a política articulam-se como formas de poder e que esta articulação influencia as políticas públicas postas em prática. No caso brasileiro, a opção pela rodovia foi sugerida pela Comissão Mista Brasil – Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico, formada em 1951, e que tinha o objetivo de formular e implementar projetos nacionais para a energia e os transportes (NUNES, 2003; PAULA, 2000; MAIA, 2009). 

O Iphan e o patrimônio ferroviário: a memória ferroviária como instrumento de preservação Dissertação apresentada ao curso de Mestrado Profissional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como pré- requisito para obtenção do título de Mestre em Preservação do Patrimônio Cultural, de Lucas Neves Prochnow.

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domingo, 20 de novembro de 2016

Por suas próprias características, os antigos prédios das estações, oficinas, casas para empregados etc., do final do século passado e princípio do presente, utilizavam novas técnicas de construção, materiais e padrões de arquitetura, na maioria das vezes importados de outros países, que, direta ou indiretamente, influenciaram o espaço urbano e o ‘modus vivendi‘ das populações que os circundavam (MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, 1991).

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CAPISTRANO-CE  (antiga RIACHÃO e CAPISTRANO DE ABREU) Município de Capistrano, CE

"A fotografia nos proporciona um "isto será" e um "isto foi", em uma única e mesma representação; Tal argumentação nos leva a entender a questão da unicidade e do valor tradicional de uma obra de arte propostos por Walter Benjamin, quando ele define aura como a aparição única de uma coisa e nos relata que se um objeto, alguma obra em geral, é retirada de seu contexto histórico, a mesma perde seu valor de representação."


(Foto: Naindra Guizzo) 

UMA MINORIA ATRASADA QUERENDO ATRAPALHAR O PAPA FRANCISCO: Quem são os cardeais rebeldes que acusam o papa Francisco de heresia

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Uma rebelião anunciada. Um grupo de cardeais manifestou publicamente preocupação com os ensinamentos do papa Francisco, acusando o pontífice de causar confusão em relação a assuntos-chave para a doutrina católica.
Em carta divulgada nesta semana, os sacerdotes questionam o papa por encorajar a Amoris Laetitia (Alegria do Amor), documento que é uma tentativa de abrir novas portas para católicos divorciados e tornar a Igreja mais tolerante com questões relacionadas à família.
A rigor, a carta não é nova: os cardeais a enviaram ao papa em setembro, com cinco perguntas específicas que exigem apenas um "sim" ou um "não" como resposta. Eles querem esclarecer o que consideram dúvidas ou imprecisões, no que diz respeito "à integridade da fé católica ".
A novidade é que agora eles decidiram tornar seu questionamento público.
Os religiosos, representantes de setores mais conservadores do catolicismo, sugerem que o papa criou uma "grave desorientação e confusão entre os fiéis". E pedem a ele uma resposta para as "interpretações contraditórias" decorrentes de seu tratado sobre o amor.

Pano de fundo

Assinada por quatro cardeais, a carta representa um sinal claro de dissidência, que reflete o descontentamento dos setores mais conservadores da Igreja.
Dos signatários, três são cardeais aposentados: os alemães Walter Brandmüller e Joachim Meisner e o italiano Carlo Caffarra. O americano Raymond Leo Burke, único que ainda está na ativa, é crítico frequente do papa Francisco.
Eles afirmam que decidiram tornar a carta pública após esperar dois meses por uma resposta do pontífice que nunca chegou.
Mas, por trás da carta, o que se observa é uma rivalidade latente entre setores da Igreja, que já tinha sido esboçada em abril deste ano, quando a Laetitia Amoris foi publicada.
Com 260 páginas, o tratado é um guia para a vida em família e propõe que a Igreja aceite algumas realidades da sociedade contemporânea.
Ao invés de fazer críticas, o documento convida os sacerdotes a tratarem com compaixão, por exemplo, os católicos divorciados que voltam a casar, dizendo que "ninguém pode ser condenado para sempre. "
Trata-se de uma das tentativas mais contundentes do papa Francisco em tornar a Igreja Católica mais aberta e inclusiva para seu 1,3 bilhão de fiéis no mundo.
Gregorio Borgia/AP
O cardeal aposentado alemão Joachim Meisner
Alguns religiosos afirmam, no entanto, que a Laetitia Amoris está cheia de imprecisões que dão origem a interpretações contraditórias da doutrina católica.
De acordo com especialistas, os cardeais não escolheram tornar a carta pública agora por acaso. A divulgação aconteceu logo após o vazamento de uma correspondência do papa com os bispos de Buenos Aires, sua terra natal, em que o pontífice sugere uma interpretação do seu tratado, considerado uma "heresia" por um dos cardeais signatários.
Em particular, o polêmico capítulo oito de Amoris laetitia, que fala da possibilidade dos divorciados que voltam a se casar em cerimônias civis, sem conseguir a anulação da união religiosa, receberem a comunhão.
A Igreja proíbe a comunhão de divorciados há séculos, por considerar como "irregular" ou ato de adultério toda tentativa de se constituir um casal após uma separação, a menos que se abstenha de relações sexuais e a convivência seja "como irmão e irmã".
A Amoris laetitia não altera a doutrina, mas abre brechas para que os bispos de cada país a interpretem de acordo com a cultura local e avaliem cada caso.
Para o papa Francisco, há fatores que limitam a "responsabilidade e culpa" do divorciado, então a "Amoris laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da reconciliação e da Eucaristia".
"Não há outra interpretação", informou o pontífice, em sua carta aos bispos argentinos.

Aos olhos do público

A carta dos cardeais dissidentes, divulgada na segunda-feira, questiona o papa especificamente sobre esta questão.
Eles o fazem por meio de dilemas, questões teológicas que exigem uma resposta positiva ou negativa, e que são um mecanismo para tirar dúvidas sobre temas relacionados aos sacramentos ou padrões morais.
O primeiro dilema questiona se, ao contrário do que foi estabelecido por papas anteriores, "agora é possível perdoar" ou "dar a comunhão a uma pessoa que, embora unida por um casamento, vive com outra como marido e mulher", o que contradiz expressamente a encíclica do papa João Paulo II de 1981.
De acordo com os cardeais, a falta de resposta do pontífice a essa e outras quatro questões levou à decisão de tornar a carta pública, diante da sua "consciência de responsabilidade pastoral."
Os sacerdotes negam, no entanto, que se trate de um ataque "conservador" contra setores "progressistas" da Igreja, ou uma "tentativa de fazer política" ou de se rebelar contra o papa.

As entrelinhas políticas

Para os teólogos mais conservadores, os ensinamentos modernos do papa sobre as famílias e divorciados católicos são, em parte, "sacrilégio" e "podem justificadamente ser considerados hereges", como sinalizou Steve Skojec, cofundador e diretor da publicação católica One Peter Five.
Eles veem o tratado como um movimento do pontífice para afrouxar as normas morais que regem os fundamentos da Igreja.
Outros religiosos acreditam, no entanto, que a Amoris laetitia não tem peso suficiente para alimentar uma revolta entre os cardeais, muito menos o vazamento da correspondência do papa com os bispos portenhos.
A verdade é que a carta dos cardeais não é a primeira interpelação ao líder do catolicismo. Em julho, 45 teólogos e sacerdotes assinaram outro documento, dirigido ao Colégio dos Cardeais, exigindo esclarecimentos do papa Francisco.
Questões relacionadas ao divórcio - assim como à homossexualidade, à educação sexual, à desigualdade econômica, à responsabilidade no combate às mudanças climáticas e outros temas sensíveis para a hierarquia católica - vêm expondo a cisão entre o papa e os setores mais conservadores da Igreja.
"O papa não mudou a doutrina, mas abriu as portas para uma maior conexão com os católicos em questões como o divórcio, para que sejam analisados casos individuais", afirma a jornalista Caroline Wyatt, responsável há muitos anos pela cobertura de temas religiosos na BBC.
"Os conservadores dizem, por sua vez, que o papa abre caminho para um futuro caos, ao introduzir a ideia de que uma solução única para todos não deve ser o caminho a seguir dentro da Igreja".
No outro extremo, diz Wyatt, estão os liberais, também infelizes. Mas, neste caso, porque não consideram suficiente o processo tardio de modernização da Igreja: esperam "algo que o papa nunca será capaz de entregar."
Portal Uol

Foto - (Vaticano, Sala Clementina, 22 de dezembro de 2014: Papa Francisco cumprimenta o Cardeal Raymond Leo Burke, patrono da Ordem de Malta. São palavras do purpurado: “Certamente é possível a um cardeal discordar do papa sobre questões de procedimento ou de linha pastoral. Mas, por outro lado, é impossível divergir sobre uma questão doutrinal e de disciplina da Igreja. Assim, isso significa que um cardeal, em certas situações, tem o dever de dizer o que ele pensa de verdade ao papa. Certamente, ele deve sempre se expressar de modo respeitoso, pois o papa representa a cátedra petrina. Mas se o papa dispõe de cardeais em torno dele, é precisamente para lhe dar conselhos”.