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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O que o futuro reserva ao PT

A crise é o PT (Foto: Arquivo Google)
Foto: Arquivo Google
O “nós contra eles”, que tanto marcou o discurso do PT nos últimos 14 anos e dividiu a opinião pública brasileira, está com seus dias contados a levar-se em conta o resultado da primeira fase das eleições municipais deste ano. Ao PT deixará de interessar. E também aos que sempre se opuseram ao PT por divergir ideologicamente dele e temê-lo.
Funcionou para o PT enquanto ele foi majoritário no campo da centro-esquerda e controlou o governo federal, fonte em grande parte de sua vitalidade. De certa forma funcionou também para os adversários do PT, empenhados em arrebanhar forças capazes de desalojá-lo do poder. Uma vez que os dois objetivos se esgotaram, perdeu o sentido.
O resultado do primeiro turno da eleição do último domingo mostrou que o PT desceu a ladeira para um dos níveis mais baixos que já ocupou. O partido quase foi dizimado. Não conseguiu eleger prefeitos sequer na metade dos municípios que dominava. Elegeu um único de capital (Rio Branco). Disputará em uma única capital o segundo turno (Recife).
Nove partidos elegeram mais prefeitos do que o PT – entre eles, até o DEM, que parecia ameaçado de extinção. O PSB, partido de médio porte e antigo parceiro do PT, elegeu mais prefeitos do que ele. Partidos que sempre estiveram na órbita do PT afastaram-se dela e preferiram ir cuidar de sua própria sobrevivência.
Enfraquecido em baixo, não tem o PT como fortalecer-se em cima. Isso restará provado em 2018 quando ele disputar as próximas eleições gerais, de presidente da República, governadores, assembleias e Congresso. Desde já, o PT admite apoiar o candidato a presidente de outro partido. Dificilmente contará com Lula. E, sem ele, não terá outro nome viável.
Ou o PT se isola, correndo o sério risco de virar uma legenda de gueto, ou modestamente, e abdicando do protagonismo, tenta se juntar com os partidos que ainda aceitam sua companhia. O “nós contra eles” em nada o ajudará. Só lhe restará o esforço desesperado para ampliar o “nós” sem desprezar necessariamente o “eles”.
Não será uma tarefa fácil. Para executá-la com êxito, o PT será obrigado a reconhecer seus erros, a refletir sobre eles, a mudar de comportamento, a reconciliar-se com valores que desprezou, a renovar-se enfim, e a ter paciência. Muita paciência. Recuperar-se de queda é mais difícil do que ascender. Em menos de 40 anos, o PT subiu e afundou.
Quando Getúlio Vargas, em 1950, voltou ao poder como presidente eleito e não mais como ditador, os partidos que o apoiaram, PTB e PSD os maiores deles, pareciam destinados a ter vida longa. O PTB ainda existe agora sob a direção de Roberto Jefferson. Gilberto Kassab preside um PSD que nada tem a ver com o PSD original.
A UDN que se opunha a Getúlio desapareceu. Assim como desapareceu o Partido Comunista italiano, o mais poderoso do mundo ocidental nos anos 70 do século passado. O Partido Comunista português ainda existe, mas não passa de uma pálida sombra do que foi um dia.
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