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terça-feira, 26 de abril de 2016

Capital cearense: dossiê denuncia caos na saúde municipal

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Após protocolar o Dossiê Saúde 2016, na última sexta-feira (22), junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Saúde de Fortaleza (Sintsaf), Plácido Filho, juntamente com o presidente da Comissão de Saúde da (OAB), secção Ceará, Ricardo Madeiro, realizou uma visita técnica ao Hospital Distrital Maria José Barroso de Oliveira, mais conhecido por “Frotinha da Parangaba”. A visita aconteceu na manhã de ontem e funcionou como uma forma de inspeção, com o objetivo de constatar o que foi denunciado no dossiê.

Fortaleza: dossiê denuncia caos na saúde municipal

No local, a comissão constatou irregularidades além das que foram publicadas no dossiê. No setor de emergência da unidade hospitalar, por exemplo, o presidente do Sintsaf resumiu a situação como “calamitosa”. Em entrevista ao jornal O Estado, ele relatou a superlotação do lugar. “Na emergência, tinha mais gente do que no dia que viemos em fevereiro. Encontramos pacientes no chão e, o pior de tudo, é que os ares-condicionados estão quebrados.
Os acompanhantes, acrescentou Plácido, estão levando ventiladores, e a instalação está cheia de “gambiarras”. “O perigo de um curto-circuito é constante, pois as extensões dos fios estão espalhadas no meio da emergência e vários ligados em uma mesma tomada”, relatou o presidente do Sintsaf, completando que também encontrou remédios vencidos na farmácia da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), material de biopsias acondicionadas em lugares inapropriados, além de problemas de higiene. “Vimos aparelhos sanitários soltos no banheiro da enfermaria, sem a tampa no assento, além de muito sujos. Uma falta de higiene terrível, que pode comprometer a saúde do paciente e até dos acompanhantes. É uma vergonha”, denunciou Plácido. Segundo ele, dos três centros cirúrgicos do Frotinha da Parangaba, apenas um funciona 100%. “Um está desativado, e o outro funciona de forma precária”, falou Plácido.
Obras inacabadas
O primeiro vice-presidente da Comissão de Saúde da (OAB), Marcos Coelho Parayba, também esteve na visita ao Frotinha da Parangaba e relatou ao Jornal O Estado algumas dificuldades vivenciadas pelo hospital. Entre as principais, ele falou sobre a existência de um anexo com obras inacabadas. “O anexo deveria ter ficado pronto em 2008, ainda na gestão da Luizianne Lins, mas não foi. O anexo está 80% pronto, mas como está abandonado, encontramos muita água empoçada, mato ao redor e lixo jogado pelo terreno”, contou. Marcos Coelho defende que a continuação das obras ajudaria a desafogar a superlotação de alguns hospitais da cidade. “Se melhorassem as condições desse e de outros hospitais, com certeza desafogava as condições do IJF, pois surgiriam vários leitos. No anexo do Frotinha da Parangaba seria disponibilizado 54 novos leitos. Não é com a construção de um novo hospital (referindo-se a construção do IJF 2) que a situação se resolve. O anexo do Frotinha da Parangaba está muito próximo de acabar e, se resolvessem terminar as obras lá, o resultado seria muito mais rápido”, sugeriu.

Primeiro
De acordo com Plácido Filho, a unidade do Frotinha da Parangaba foi a primeira a receber a visita da comissão. Também participaram da visita a Procuradoria da República no Ceará (MPF), o Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE/CE) e dos Municípios (TCM/CE), o Ministério Público de Contas, o Tribunal de Contas da União, o Núcleo de Defesa Saúde da Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Ceará e da Câmara Municipal de Fortaleza, o Conselho Regional de Medicina, a Associação Médica Cearense, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), o Conselho Regional de Farmácia (CRF/CE), o Conselho Regional de Odontologia (CRO/CE), o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito- Ceará), o Conselho Estadual de Saúde do Ceará, o Conselho Municipal de Saúde de Fortaleza e o Sindicato dos Médicos do Ceará, a Vigilância Sanitária do Ceará (Visa/CE). Plácido informou que a próxima visita acontecerá no dia 2 de maio, e a unidade hospitalar a ser visitada será sorteada um dia antes. O calendário de visitações segue até o dia 23 de maio.

Segundo a OAB, também serão visitados o Hospital da Mulher, que funciona com apenas 50% da sua capacidade, o Hospital Regional de Quixeramobim, que, apesar de inaugurado há 14 meses permanece sem funcionamento, e os Hospitais de Quixadá e Santa Terezinha de Caucaia.
Ao final das visitações, Marcos Coelho informou que será realizado o III Fórum Estadual da Saúde, durante audiência pública promovida pela OAB/CE e Promotoria de Defesa Saúde Pública, no dia 20 de junho, das 8 às 18 horas, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça. Na ocasião, será apresentado o relatório das visitas.


Dossiê
No dia 31 de março, o Jornal O Estado divulgou, com exclusividade, o dossiê da saúde realizado pelo Sintsaf. No documento, o sindicato mostrou por fotos e relatos de pacientes e profissionais da saúde a situação de 21 unidades de saúde. Equipamentos quebrados, estruturas físicas comprometidas, reformas inacabadas e material hospitalar descartado de maneira incorreta foram algumas irregularidades encontradas pelo Sintsaf.

As visitas, feitas no ano passado e nos meses de fevereiro e março deste ano, constataram cenário de descaso com a saúde pública. Segundo Plácido Filho, a situação encontrada, porém, interfere não apenas na falta de condições de trabalho, mas também no atendimento aos pacientes. “Nosso objetivo é de alertar para o descaso que o sistema público municipal tem passado, interferindo diariamente na vida dos servidores e em toda a população de Fortaleza”, finalizou Plácido Filho.
JORNAL O ESTADO DO CE

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