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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

REDUÇÃO DA VIOLÊNCIA NO CEARÁ - Para deputados estaduais, ações ainda são insuficientes




Integrante do Comitê pela Prevenção e Redução de Homicídios na Adolescência, Renato Roseno diz que taxa de homicídios de jovens ainda é alta ( FOTO: BRUNO GOMES )



Após a divulgação, na última segunda feira, do balanço de homicídios no Estado em 2015, deputados estaduais do Ceará que têm relação mais direta com a Segurança Pública e com os direitos humanos disseram ao Diário do Nordeste que não se surpreenderam com os dados da violência apresentados pelo Governo do Estado nesta semana. O levantamento mostra uma redução de 9,5% em comparação a 2014, mas a estatística continua alarmante: 4.019 vítimas.

Além de mais políticas públicas em áreas de risco, parlamentares cearenses sugeriram que o Poder Executivo estadual invista na estrutura das polícias Civil e Militar e na melhoria de trabalho para seus agentes. 

Apesar das reduções na maioria das regiões, o Interior Sul teve um acréscimo, saltando de 909 vítimas em 2014 para 931 em 2015. Ainda em seu discurso, quando da apresentação dos números, Camilo Santana destacou que não havia o que se comemorar, mas aumentar o ritmo de ações a serem realizadas no intuito de diminuir ainda mais a violência que assola todo o Estado. 

Prevenção  

Relator do Comitê Cearense pela Prevenção e Redução de Homicídios na Adolescência, o deputado estadual Renato Roseno (PSOL) disse que a taxa de homicídios envolvendo jovens cearenses ainda é muito elevada. No entanto, mesmo sendo parlamentar de oposição, ele ressaltou que a diminuição da violência deve ser comemorada e estimulada para que as políticas públicas implementadas pela gestão estadual continuem sendo motivadoras da redução de assassinatos no Estado.

"O Ceará tem um recorte sobre a violência. Geralmente, os envolvidos nos crimes são pobres, negros e das periferias urbanas. Tem que ter uma conjugação de esforços entre Governo e municípios para que essa criminalidade em determinadas áreas possa diminuir", ressaltou. Segundo relatou o socialista, Fortaleza, Maracanaú e Juazeiro do Norte são cidades onde os homicídios têm tido uma crescente nos últimos anos, o que tem preocupados órgãos de defesa dos Direitos Humanos. 

Para ele, é imprescindível que os governos entendam que a violência nas áreas mais pobres das cidades está relacionada à falta de ocupação desses territórios, uma vez que "onde não tem status social prolifera a questão da violência". 

Roseno ressaltou ainda que o número de homicídios no Estado tende a diminuir quando houver mais ações contra o tráfico de armas. "Nosso comitê visa mobilizar e fazer reflexões que serão apresentadas ao Governo Estadual e Municipal para indicar algumas sugestões para a diminuição da violência no Ceará", destacou o parlamentar.

Wagner Sousa (PR), integrante da comissão de Defesa Social da Assembleia Legislativa, ressaltou que não há muita surpresa nos números apresentados e disse que, com o fim do tensionamento entre os profissionais da Segurança Pública e o Poder Executivo, a tendência era mesmo que houvesse essa diminuição. No entanto, ele ressaltou que os crimes contra o patrimônio público, apontados como responsáveis pela sensação de insegurança das pessoas, não tiveram a redução esperada. "Tem que aumentar o efetivo da Polícia Civil e melhorar a estrutura de trabalho das polícias, principalmente no Interior do Estado", defendeu Wagner.

Ainda segundo o deputado, é preciso aumentar o efetivo das polícias Civil e Militar, além do Corpo de Bombeiros, uma vez que o número de agentes da Segurança Pública é insuficiente. "Ele tem que dar também condições de trabalho para os policiais, tem que ter armamento e viaturas suficientes, além de uma boa estrutura dos locais de trabalho", defendeu. 

Pessimista 

O deputado Ely Aguiar (PSDC) foi mais pessimista em sua avaliação e ressaltou que não há nada a ser comemorado, já que a morte de mais de quatro mil pessoas ainda é algo alarmante. De acordo com o parlamentar, muitos homicídios não são registrados, uma vez que as pessoas morrem depois de darem entrada em hospitais. "Neste ano que está começando já temos um policial assassinado, além de muitas mulheres e pelo menos quatro duplo­homicídios. Só nos primeiros três dias de 2016 já tinham sido mortas 40 pessoas no Ceará", lamentou.  

Aguiar ressaltou também que é necessário que o Governo do Estado intensifique o trabalho dos batalhões de divisas, que foram criados na gestão de Camilo Santana, mas, segundo aponta o deputado, alguns policiais já estão sendo deslocados para outras funções. 

"O governador precisa estimular a Polícia, porque o salário dos policiais civis, por exemplo, ainda é incipiente. O Governo precisa dar mais atenção aos projetos que são apresentados na Assembleia", avalia.

DIÁRIO DO NORDESTE

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