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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Terra de ninguém: tráfico impõe medo e cria "ruas fantasmas"

O tráfico de drogas em Fortaleza e na Região Metropolitana, especificamente em comunidades como Vila Velha, Pirambu, Serrinha, Babilônia (Barroso), Piçarreira (Conjunto Palmeiras) e Parque Leblon (Caucaia), tem gerado a expulsão de famílias, inclusive moradoras de casas financiadas por programas sociais como o Minha Casa Minha Vida (MCMV). 

Como O POVO publicou ontem, uma mulher teve de sair da residência, no último domingo, 6, com as três filhas por determinação de traficantes no Vila Velha. Segundo a Polícia, há outros casos de famílias expulsas das próprias casas, o que gera “ruas fantasmas” nas comunidades.

Conforme o diretor de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), delegado Sérgio Barbosa, um caso específico em que o tráfico expulsou famílias aconteceu na Serrinha, em dezembro de 2014, e culminou na prisão do traficante Francisco de Assis da Costa Lima, 37. “O tráfico tenta impor a vontade através do medo e do terror. As quadrilhas tentam adquirir mais armamento e nem é para enfrentar a Polícia, mas os desafetos, no intuito de tomar bocas de fumo. (...) Aqui, a gente já recebeu notícias de traficantes oprimindo a população e retirando as pessoas de residências”.

Outro lugar em que os traficantes têm ameaçado moradores e até policiais é o Parque Leblon, onde há histórico de execuções de pessoas consideradas “informantes” da Polícia. Em março, um comerciante foi enterrado vivo e quase morreu.

De acordo com um policial do serviço reservado, que pediu para não ser identificado, de janeiro a novembro deste ano, cinco famílias foram expulsas do Parque Leblon. Além disso, ele conta que houve uma ordem de dentro dos presídios para matar policiais militares que atuassem naquela área. Segundo a fonte, existem “ruas fantasmas” na comunidade, resultado de expulsões, onde as casas são utilizadas para facilitar o tráfico. Situações semelhantes ocorrem 
em outros bairros.


Em relação ao caso da Vila Velha, a Habitafor informou que, após o recebimento da residência, não pode realizar ou encaminhar troca e venda de unidades do MCMV, por ser atribuição da Caixa Econômica Federal. Enquanto isso, a mulher segue em abrigos.
O POVO

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