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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Ceará responde por quase 1% dos homicídios em todo o planeta

Professor analisa que é necessário reforçar política de apreensão de armas de fogo (FOTO: Flickr/ Creative Commons/ PROFotos GOVBA)
Professor analisa que é necessário reforçar política de apreensão de armas de fogo. (FOTO: Flickr/ Creative Commons/ PROFotos GOVBA)
Que o Ceará tem uma alta taxa de homicídios, já é senso comum. Mas o que impressiona é que o estado, sozinho, responde por quase 1% dos assassinatos do planeta inteiro. A estatística toma por base o ano de 2012.
O Brasil registrou 10% da taxa internacional desse tipo de crime no mesmo ano. Os dados são da última pesquisa divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Tal estudo aponta que, no mundo, houve 437 mil pessoas mortes intencionais em 2012, incluindo criminalidade, atentados e guerras. Do todo, o Brasil teve 50.062, enquanto o Ceará registrou 3.657. De lá para cá, o número só cresceu. Na última pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – que cede os números para a ONU –, o estado cearense contabilizou 4.490 mortes em 2014.
Comparação
Em cinco anos, o índice quase dobrou no Ceará. Em 2010, foram 2.755 homicídios. Em 2011, 2.762. Nessa época, a taxa não chegava a 3 mil. Agora, a luta é para chegar novamente a esse número. Com a taxa de população estimada em 2015 de 8.904.459 de moradores (dado do IBGE), o estado é um dos mais “perigosos” no país.
Em São Paulo, estado que continha fama de violento, houve uma redução dos casos nos últimos cinco anos. Em 2010, foram registrados 4.321. Já em 2011, o índice cresceu para 5.180, o ápice desse período. Entretanto, em 2014, a taxa diminuiu para 4.182 – menos que o Ceará –, sendo que a população estimada de 2015 é de 44.396.484 moradores.
Enquanto o Ceará responde por quase 1% dos assassinatos no planeta, a população do estado corresponde a cerca de 0,12% dos habitantes da Terra, o que indica a taxa exorbitante da criminalidade local. Segundo a ONU, o mundo tem 7,3 bilhões de pessoas em 2015.

O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) César Barreira considera que não há um fator específico para o
 crescimento do número de assassinatos. Ele acredita que é uma combinação de fatores, e que a diminuição não será de forma abrupta.Análise
“As políticas que envolvem diminuição se dão a médio e longo prazo. Diferentemente de roubo e furto, que pode ser de curto e médio prazo, a maior presença de policiais nas ruas já colabora com a diminuição desses delitos”, explica.
Já em relação ao homicídio, não é a quantidade de policiais na rua que vai fazer a diferença. Para o professor, a ausência de políticas públicas de segurança, as desigualdades sociais e o número alto de população que convive com a vulnerabilidade são os três aspectos que intensificam a realização desse tipo de crime.
“Não podemos descartar o comércio de drogas ilícitas. Ele vai ser fator muito importante, pois vamos ter pessoas morrendo nesse cenário de disputa de territórios, dívidas cobradas. A questão está no ponto de rota da droga, no aumento de circulação de droga no Ceará”.
Armas e impunidade
Outro ponto é a grande circulação de armas de fogo no “mercado negro” do estado. César aponta que deveria intensificar a política de apreensão de tais armas, para combater os crimes. Além disso, enfatizou ser a favor do desarmamento da população, já que isso poderia ajudar a aumentar o número de mortes.
Por último, o fator da impunidade também intensifica o problema, já que reforça o fato de os criminosos não sofrerem consequências. Ainda no âmbito da falta de punição está a desistência dos inquéritos investigativos. “Só 10% dos inquéritos chegam a resultados”, finalizou o professor.
Tribuna do Ceará contactou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que informou algumas medidas tomadas no último ano para melhorar a segurança no estado. Dentre as ações, houve a realização de concursos para bombeiros e policiais militares, assim como a convocação dos aprovados e formaturas dos que já estavam – pauta de reivindicação da categoria. Além disso, a criação do Pacto pelo Ceará Pacífico, que engloba programas, projetos e ações voltadas à prevenção da violência e redução da criminalidade. Confira todas as ações Ações SSPDS-2015.
Tribuna do Ceará

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