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domingo, 6 de dezembro de 2015

A política do Velho Oeste

Política do velho oeste (Foto: Arquivo Google)
Quando o palhaço Tiririca se candidatou a deputado federal, em 2010, seu slogan era “pior do que está não fica”. Com isso, o popular humorista quis dizer que o Congresso já estava de tal maneira degradado que sua participação como parlamentar seria incapaz de piorá-lo. Mas Tiririca estava enganado.
O faroeste em que se transformou Brasília, com a presidente da República, Dilma Rousseff, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, comportando-se como num duelo na porta do saloon, foi apenas a mais recente etapa do colapso moral da política brasileira – alguns fazem o diabo, outros são capazes de tudo e algumas das principais autoridades do Executivo e do Legislativo são suspeitas de delitos diversos. Embora vergonhoso, esse comportamento no mais alto escalão da República não causa surpresa.
Ao longo da última década, o País tem visto, com estupefação, a política degringolar em vale-tudo. O poder transformou-se em um fim em si mesmo. Desde que chegou à Presidência, o PT fez do delicado equilíbrio de forças no Congresso uma maçaroca fisiológica e corrupta. O “presidencialismo de coalizão”, em que um presidente sem maioria parlamentar própria é obrigado a fazer alianças com forças políticas muito distintas, passou a ser “presidencialismo de cooptação” – por meio do qual o PT, à custa do assalto aos cofres do Estado e da distribuição desse butim entre seus associados, pretendia governar sozinho, e para sempre. O mensalão e o petrolão são a consequência lógica disso.
Editorial O Estado de S. Paulo

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