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domingo, 8 de novembro de 2015

Impunidade avança duas casas. Mas dentro das regras

Justiça parcial (Foto: Arquivo Google)
Justiça parcial (Foto: Arquivo Google)

Ricardo Noblat
O ministro Dias Tófili, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu que a ministra Maria Thereza de Assis Moura continuará como relatora da ação do PSDB que pediu a cassação dos mandatos de Dilma e do seu vice Michel Temer, acusados de receberem dinheiro sujo para se eleger.
Em fevereiro último, Maria Thereza pediu o arquivamento da ação por considerá-la infundada. O TSE julgou que não, que fazia sentindo prosseguir com a ação. E assim será. Tóffili consultou o PSDB e a defesa de Dilma e de Temer sobre a indicação do novo relator, uma vez que Maria Theresa desistira da função.

O PSDB disse que preferia como relator o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e também do TSE. A defesa de Dilma e de Temer disse que preferia como relatora Maria Thereza. Ex-Advogado Geral da União no primeiro governo Lula, ex-assessor do então ministro José Dirceu, Tóffili escolheu Maria Thereza.
Dilma respirou aliviada. Respirara aliviada um pouco antes ao saber que a Operação Zelotes, que investiga o pagamento de propinas a agentes da Receita Federal, voltará a ser comandada por um juiz que livrara de qualquer culpa a ex-ministra Erenice Guerra, da Casa Civil, suspeita de tráfico de influência. Erenice e Dilma são amigas.
Nos últimos meses, foi uma juíza que comandou a Zelotes. E uma juíza rigorosa, que autorizou a tomada de depoimentos de pessoas, digamos, bem vistas pelo governo. Uma delas: Luis Cláudio, um dos filhos de Lula, ouvido pela Polícia Federal sobre a grana que recebeu de um esquema de lobby beneficiado pelo governo do pai.
A decisão de Tóffili e a volta do juiz titular da Operação Zelotes em nada feriram a lei ou os costumes. Sorte, apenas, do governo, que se deu bem com as duas coisas. 

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