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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Reservas hídricas. Preocupação com consumo de irrigação e ano eleitoral

“Com as mudanças climáticas, a perspectiva é que secas como essa no Ceará, que vem desde 2012, se tornem cada vez mais frequentes”, alerta Alexandre Costa, professor da disciplina Mudanças Climáticas e Modelagem Atmosférica, do Mestrado em Ciências Físicas Aplicadas da Universidade Estadual do Ceará (Uece). 

Ele defende que a repercussão em 2016 de um El Niño atual já muito avançado, com índices atuais preocupantes, devem servir para repensar a prática de irrigação no Estado. Os irrigantes, segundo Alexandre, consomem quase 60% da reserva hídrica do Estado.
 

Para o consultor em recursos hídricos e ex-secretário da área no Ceará, Hypérides Macêdo, “a irrigação realmente precisa ser monitorada fortemente, porque o consumo humano é até mais fácil de resolver” - aponta. Hypérides diz que medidas como escavação de poços profundos, dessalinização ou pipas podem socorrer a população “mas a irrigação tem um peso político e econômico muito forte. Há uma pressão muito pesada de políticos e de produtores”. E, admite o ex-secretário, que participou de decisões governamentais à época da gestão Tasso Jereissati, “2016 é um ano eleitoral e isso vai inibir fortemente o governo. É uma questão muito difícil”. 

O presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), João Lúcio Farias, diz que as medidas tomadas para equacionar o momento de seca no Ceará não seguem critérios políticos, como pontuado por Hypérides Macêdo. “A gente trata a questão de forma muito técnica, procurando fazer a gestão de forma mais eficiente possível. A orientação é de que a água é uma questão estratégica para o Estado”. A Cogerh é a gestora da chamada água bruta, outorgada para consumidores industriais e irrigantes. 


Farias diz que a possibilidade de acionamento do açude Orós para reforçar o volume do Castanhão ainda não pode ser confirmada. “Teremos que ver a pré-estação (dezembro/janeiro), ver qual a recarga que haverá no Castanhão, na Região Metropolitana. Mesmo na seca chove. Apesar de ser abaixo da média, chove, então temos que esperar. Claro que fazendo um forte controle”.
 

A vazão no fornecimento de água do Castanhão para abastecer Fortaleza já sofreu redução de 12 mil para 11 mil litros/segundo. “Também foi reduzida em 50% a vazão de irrigação para atividades sazonais no Vale do Jaguaribe, como a carcinicultura, plantações de arroz, cana, capim. É fundamental fazer agora o controle de oferta e de demanda”, afirma o presidente da Cogerh.
 

Na última sexta-feira, a Companhia de Água e Esgotos do Ceará (Cagece) anunciou uma tarifa de contingência: o usuário que não reduzir em 10% o seu consumo anual poderá ser sobretaxado em até 120% em sua conta regular. A medida deve ser adotada a partir de dezembro. (Cláudio Ribeiro)
O POVO

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