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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ciro Gomes volta atrás em candidatura à sucessão de Dilma

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirma que não pretende disputar a Presidência da República em 2018, como estava previsto por líderes do Partido Democrático Trabalhista. Ciro foi recebido com festa ao se filiar a legenda, no último dia 16 de setembro, depois de deixar o Pros, e já era a aposta do projeto nacional da sigla.
Segundo ele, a postura, no entanto, ainda não é definitiva. “Vou pensar dez vezes antes de resolver postular a chefia do Palácio do Planalto. A rigor, eu não quero mais postular a Presidência da República”, admite. Ciro já disputou a sucessão presidencial em duas oportunidades: Em 1998, candidatou-se à Presidência da República pelo PPS, obtendo cerca de 10 milhões de votos. Voltou a candidatar-se em 2002 pelo mesmo partido.
Em entrevista ao jornal O Estado, antes de embarcar para Brasília, no início da manhã de ontem, o atual presidente da Transnordestina criticou o atual cenário da política brasileira. “Eu mesmo fico vendo aqui, no Ceará, eu que me dedico à vida inteira a lutar, a servir o povo e agora ter que manejar determinadas incompreensões, certas figurinhas de baixíssimo nível que ainda conseguem, porque são donos do dinheiro”, reforça.
Sem citar nomes, Ciro disse que a conduta de alguns políticos que, segundo ele, “conseguem o que querem, porque são donos da mídia, donos do dinheiro e conseguem iludir parte importante da população”, acaba por desanimá-lo a permanecer na vida pública.
Por outro lado, o ex-ministro lembra vai levar a “luta em defesa da democracia” e da melhoria de vida dos brasileiros a diante. “Só se eu entender que é um dever da minha consciência, mas se eu puder eu quero nesse momento cuidar da minha vida. (...) Sempre sonhei com isso, fui candidato duas vezes e não tenho o costume de andar mentindo. Mas, hoje em dia, pra você ser candidato e se manter na vida pública no Brasil, você tem que conviver com coisa de muito baixo nível”, disse.

Impeachment
Ciro também defende a presidente Dilma Rousseff quando questionado sobre a possibilidade da abertura do processo de impeachment contra a petista.
“Impeachment não é remédio para governo que a gente não gosta. Isso é uma coisa muito rara, muito difícil, traumática, que acontece quando há um crime de responsabilidade que você atribui ao presidente da República como sendo o responsável por ele. Definitivamente, este não é o caso. Todo mundo, mesmo que não goste, sabe que Dilma é uma pessoa honrada. Contra ela, não há nenhuma acusação”, ressaltou Ciro.
Mesmo assim, declarou que condena “fortemente o descompromisso do atual governo com aquilo que foram as razões da sua reeleição”. Ele observou que o atual governo prometeu avanços na economia e agora segue na contramão. “O país está mergulhado na pior recessão da história. Há 12 anos não se ouvia falar em desemprego, a inflação disparou, encurtando o salário do trabalhador. O pior é a interrupção de investimentos, a indústria nacional está definhando. Os juros são uma coisa mais criminosa e imoral que só beneficia os donos de bancos”, condena.

Pedaladas
Sobre as acusações que pesam contra a presidente Dilma, no caso das pedaladas fiscais, Ciro enfatizou que a irregularidade não pode ser determinante para fundamentar o pedido de impeachment, mas avaliou que manobra do governo não é correta, mesmo que utilize como justificativa o pagamento de benefícios sociais como o Bolsa Família e os investimentos para a construção de casas populares do programa Minha Casa, Minha Vida.
“É uma coisa que todos os governos fizeram (...) Mas é correto? Não. O Governo tem que achar um jeito de fazer as coisas na hora e no tempo corretos. Mas isso também não é razão (...) para você querer fazer um golpe de estado no Brasil”, avaliou.

Cunha
Ciro voltou a criticar o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), atribuindo ao peemedebista expressões como “calhorda” e “maior bandido de todos”. O ex-ministro afirmou que, no atual cenário, ficou evidente que a “chantagem” se tornou a “política dominante do País”.
“Evidentemente, a oposição brasileira perdeu completamente a noção, chefiada por esse calhorda, que é o maior bandido de todos, o presidente da Câmara. Hoje a chantagem se tornou a política dominante do país”, disparou Ciro.
Ex-ministro ressalta parceria
com o PDT  
O ex-ministro declarou, ainda durante entrevista, que o PDT é um “grande partido” que representa um conjunto de valores, com os quais tem uma afinidade grande e de longa data. Ele lembrou que o PDT já lhe prestou apoio em disputa à Presidência da República e que foi amigo do ex-governador Leonel Brizola. “Eu tenho uma reflexão antiga sobre o que representa o trabalhismo para o avanço das relações de trabalho e para a questão social no Brasil. Fico muito feliz por eles terem me convidado para ombrear com eles nesse momento difícil do Brasil”, destacou.
JORNAL ESTADO DO CE

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