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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Capital cearense é a mais violenta do Brasil


A sensação de insegurança é uma constante na vida de grande parte dos fortalezenses. Dados do 9º Anuário de Segurança Pública colocam Fortaleza como a capital onde mais se comete homicídios no País. As informações apontam que a cidade registrou 77,3 crimes letais a cada 100 mil habitantes, em 2014. Com um total de 1.989 pessoas assassinadas, Fortaleza teve o maior número absoluto de assassinatos em 2014,  – queda de 1% em relação a 2013, quando foram contabilizados 1.993.
A pesquisa, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é referente ao ano passado, e ainda não foi concluída. No ranking, mais duas cidades nordestinas aparecem no topo da violência. Maceió, em segundo lugar, com índice de 69,5, e em terceiro, São Luís, com 69,1. São Paulo foi a que apresentou o menor índice, 11,4, porém, é o terceiro maior valor absoluto de mortes – 1.360.
O levantamento, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado ontem, mostra que 15.932 pessoas foram assassinadas nas 27 capitais do País. Ainda conforme os dados, as capitais brasileiras, juntas, registraram um assassinato a cada meia hora, no ano passado.  
Apesar de apresentar uma redução de 1% em relação a 2013, o índice da Capital é três vezes maior que a taxa média nacional, que foi de 25,2 assassinatos a cada 100 mil habitantes em 2013, e mais que o dobro da média das capitais, que é 33.

Sensação de medo
A moradora do bairro Cristo Redentor, Mariane Rodrigues, percebe que durante as últimas semanas, a presença de helicópteros sobrevoando a área tem sido constante. Para ela, significa que a região não vai bem. “A gente vê os helicópteros sobrevoando e a preocupação já é automática. Têm dias que várias viaturas da Polícia passam em direção à Vila do Mar, depois a gente fica sabendo que mataram alguém. Muitas pessoas comentam que está havendo brigas de gangues, disputando território, nos bairros próximos, e cada vez mais, está sendo um perigo sair de casa”, lamenta.
Ainda segundo a recepcionista Mariane Rodrigues, os apelos por cautela chegam até pelo grupo da família, via Whatsapp. “Se alguém da família fica sabendo de uma pessoa perigosa que está solta, avisa logo para termos mais atenção. Essa semana, meu irmão viu nos noticiários que estava acontecendo muita briga de gangue no bairro onde moro com meus pais e pediu pra gente ter mais cuidado ainda ao sair. Logo depois, minha prima manda uma mensagem dizendo que um garoto da sala do namorado dela foi vítima de bala perdida”, relata.
O medo também toma conta da estudante Andressa Oliveira, que mora no bairro Colônia. Segundo ela, na última terça-feira (29), estava indo à igreja, à noite, quando ouviu alguns disparos. “Eu ouvi os tiros, quando saí na calçada, vi as pessoas correndo porque tinham matado alguém na esquina da minha casa. Não saí mais, fiquei com medo”, conta a estudante.

Causas
Para o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência, da Universidade Federal do Ceará (UFC), César Barreira, dois grandes fatores contribuem no aumento dos índices. Segundo ele, o tráfico de drogas e a circulação de armas de fogo. “Fortaleza está se apresentando como local muito privilegiado e de ponta em termos de tráfico de droga. Provavelmente, a questão do tráfico de droga deve ter um peso muito grande nesse número de violência. A outra visão é quanto ao aumento da circulação de armas de fogo. Esses dois mercados são fortes elementos para a explicação desse aumento na violência em Fortaleza”, acredita, ressaltando que há bairros em que casos de violência são mais concentrados que outros.
O pesquisador observa, ainda, que os investimentos em ações de enfrentamento à violência ainda não foram frutíferos. “Houve um investimento, mas não necessariamente alocado. A questão da segurança é muito complexa, uma vez que essas medidas são de médio a longo prazo”, destaca. Segundo o pesquisador, o que falta é gestão para aplicação dos investimentos. “Foi feito um investimento. Esses últimos governos foram os que mais investiram na área de segurança pública, mas, provavelmente, não investiram adequadamente”, avalia.

Nota
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Ceará, defendeu que o Programa em Defesa da Vida, implantado em janeiro de 2014, conseguiu quebrar a curva de crescimento dos Crimes Violentos Letais e Intencionais, que são os homicídios, lesões corporais seguidas de morte e latrocínio (roubo seguido de morte), se comparado ao ano de 2013, em que a cidade apresentou índice de 78,10.
“A consolidação do programa no início de 2015 possibilitou que, no acumulado dos oito primeiros meses deste ano, Fortaleza registre queda de 19,3%, passando de 1.372 casos, em 2014, para 1.107 em 2015”, diz a nota.
Para o titular da SSPDS, Delci Teixeira, o motivo principal da escalada de violência local e nacional é a sensação de impunidade do criminoso. Teixeira avaliou, ainda, que o governo anterior deixou uma boa estrutura de trabalho, que tem mostrado bons resultados, embora não tão rápidos como a população pede. “Os resultados estão aparecendo, talvez não estejam aparecendo na velocidade que todos nós desejamos. E maior motivo talvez seja a sensação de impunidade que o criminoso tem”.
JORNAL O ESTADO DO CE

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