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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O governo Dilma não tem salvação

Ricardo Noblat
Está previsto para esta semana o anúncio da reforma administrativa prometida por Dilma há mais de um mês.
Não significará grande coisa em termos de economia. Mas economia não é tudo na vida.
Espera-se a extinção de uma dezena de ministérios, a fusão entre alguns e o remanejamento de órgãos.
Ah, sim, deverão ser cortados alguns poucos milhares de cargos de livre nomeação.
O que soa esquisito é o fato de Dilma, até ontem, segundo Andreza Matais e Talita Fernandes, repórteres de O Estado de S. Paulo, não ter procurado o PMDB para conversar a respeito.
O partido é o aliado mais importante do governo. O vice-presidente da República é do PMDB. Dilma fez questão de assumir a coordenação política do governo. E só tem pregando o diálogo.
Para tudo, ela receita o mesmo remédio – diálogo, diálogo, diálogo.
O que explica a falta de diálogo com o PMDB em torno da reforma administrativa? Esquecimento? Desprezo? Falta de tempo?
Consultá-lo a poucos dias do anúncio da reforma denuncia a intenção de apresentar-lhe um prato feito, sem espaço para mudanças.
É desesperador o comportamento errático de Dilma. Há um mês, o grupo de senadores que se diz independente foi convidado por ela para um jantar no Palácio da Alvorada.
Dos 15 senadores, oito atenderam ao convite. Os demais acharam que seria perda de tempo.
O encontro foi agradável. Os senadores se sentiram à vontade até para conversar com Dilma sobre seu eventual impeachment.
Deixaram-lhe uma carta com sugestões capazes de melhorar a situação do governo.
Aguardam até hoje o retorno prometido por Dilma sobre a carta.
Os oito senadores são unânimes no diagnóstico: ela não tem mais jeito. Esse, por sinal, é o sentimento que cresce no Senado.
Até Renan Calheiros, presidente do Senado e aliado recente do governo, já foi contaminado por tal sentimento.

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