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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Crise na Saúde continua apesar das promessas de melhorias

No HGF, foram flagrados pacientes atendidos numa área aparentemente em reforma da unidade

A crise da saúde no Estado não é nova. Na verdade, ela vem se agravando nos últimos anos, por fatores diversos. Contudo, há quatro meses, os problemas ganharam as manchetes após denúncias de profissionais, entidades e usuários que expuseram a grave situação. O assunto ganhou destaque na mídia nacional e levou à saída do então secretário estadual da Saúde, Carlile Lavor. Desde então, promessas de melhoria foram feitas mas, até agora, não se vê nada de concreto.


O próprio governador Camilo Santana procurou a presidente Dilma Rousseff, contratou uma consultoria externa e tomou a frente de uma comissão formada pelo poder público, entidades e profissionais da área para buscar soluções. Após uma das reuniões do grupo, realizada no dia 21 de maio, Camilo prometeu que, em até 90 dias, seria elaborado um diagnóstico apresentando as medidas de médio e longo prazo a serem adotadas para sanar as precariedades. 

Passados três meses, entretanto, o documento não ficou pronto e, nas unidades de saúde, as deficiências são as mesmas. A reportagem percorreu unidades de da Capital e constatou que a situação é a mesma. Pacientes em corredores, falta de profissionais e medicamentos ainda são comuns. A dificuldade para marcar consulta também é comum, segundo relatos dos pacientes.

Risco 

No Hospital Geral de Fortaleza (HGF), além do atendimento fora das condições ideais, pacientes foram colocados num longo corredor do térreo, aparentemente em reforma, o que pode representar um risco. O lugar fica ao lado de uma área aberta, exposta a sol e chuva. Numa maca, uma mulher relatou que já estava lá há três dias, com uma forte dor no estômago. Apesar de ter feito uma endoscopia, ainda não sabia o que causava o incômodo. "Mas disseram que hoje a gente vai subir", disse ela, referindo-se à possibilidade de um melhor atendimento. 

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Praia do Futuro, a recepção estava cheia, esperando ser atendida pelos dois médicos que estavam no local, segundo os pacientes. "Já vim onze vezes aqui para ser atendida. Aqui estava tão sem condições que me deram a medicação para tomar em casa", relatou a analista de TI Anne Queiroz. Somente na semana passada ela conseguiu fazer um raio-X para descobrir o que tinha. 


No âmbito municipal, os desafios dos pacientes são os mesmos. No Instituto Doutor José Frota (IJF), onde em maio a foto de um paciente atendido no chão chamou a tenção de todo o País, foram prometidas a ampliação da unidade, novas macas e um concurso para contratação de mais médicos está em andamento. Enquanto isso, os atendimentos em corredores continuam e podem ser vistos até do lado de fora do prédio, na saída dos pacientes de alta.

Nos postos de saúde, as reclamações de falta de remédios e profissionais são comuns, além da dificuldade em marcar consultas. No Posto Paulo Marcelo, no Centro, um paciente que não quis se identificar denuncia: "Vim aqui várias vezes e não tem médico", disse. Ele também mostrou um receituário onde constam a falta de dois medicamentos que deveria receber. 

Sem solução Para a presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Mayra Pinheiro, os problemas devem continuar. "Nós acreditamos que no curto prazo nós não temos nenhuma solução, nem do Governo do Estado nem do Município", afirmou. "Isso ainda vai trazer muitas dificuldades para as pessoas que estão nos corredores de hospitais, nas filas de medicamentos", destacou. Sobre o diagnóstico prometido, o sindicato afirmou que vem contribuindo com o governo, mas não sabe informar como está a definição do documento.

Durante toda a semana, a reportagem tentou fazer uma entrevista sobre o assunto com o governador ou o atual secretário estadual da Saúde, Henrique Javi, sem sucesso. Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) explicou que os 90 dias estipulados por Camilo Santana para apresentar o diagnóstico da saúde "começou a contar a partir do início da consultoria externa contratada, que será concluída no início do mês de outubro". O órgão destacou ainda a liberação de R$ 113,2 milhões para o Ceará, feita pelo Ministério da Saúde, "valor que representa incremento de 25% no total de repasses da União para o Estado, atualmente em torno de R$ 400 milhões", informou a Sesa. 

O HGF também foi procurado para esclarecer o atendimento dos pacientes num corredor em reforma. O hospital respondeu que tem a maior unidade de emergência do Estado, onde são atendidos cerca de três mil pessoas por mês. Contudo, não explicou a razão do atendimento na área em questão. 

O Instituto José Frota (IJF) também foi contatado sobre os problemas na unidade, mas não respondeu às demandas até o fechamento da reportagem. 

DIÁRIO DO NORDESTE

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