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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Acusados de tráfico de drogas pagavam R$ 150 mil ao Tribunal de Justiça do Ceará por soltura, diz Polícia Federal

A PF (Polícia Federal) descobriu que seis presos acusados de tráfico de drogas em Fortaleza compraram alvarás de soltura obtidos durante o plantão do TJ-CE (Tribunal de Justiça do Ceará). Segundo a polícia, cada liminar de soltura teria custado o valor de R$ 150 mil. A fraude foi divulgada nesta terça-feira (29) durante a Operação Cardume, realizada em oito Estados nos quais a quadrilha de entorpecentes atuava
Além de Ceará e Rio Grande do Norte, policiais federais cumpriram mandados judiciais no Mato GrossoMato Grosso do SulSão PauloMinas GeraisParanáRio Grande do Sul. Ao todo 26 pessoas foram presas, sendo 21 pessoas no Ceará e cinco no Rio Grande do Norte.
A polícia informou que o esquema de expedição de liminares de soltura beneficiando acusados de tráfico de drogas envolvia advogados, juiz e desembargadores. O grupo é suspeito de atuar na compra e na venda de alvarás judiciais durante em plantões do Tribunal de Justiça do Ceará. Segundo o delegado Janderlyer Gomes de Lima, a fraude foi descoberta durante as investigações sobre a atuação da quadrilha de traficantes internacionais.
"A atuação da organização criminosa era complexa. Além do tráfico de drogas, tinha lavagem de dinheiro, desvios de insumos químicos e compra de armas. Em meio as investigações descobrimos o esquema de vendas de alvarás de soltura no plantão judicial do TJCE", disse Lima. Cada alvará teria custado R$ 150 mil.
As investigações iniciaram em outubro de 2013 e desde lá a polícia apreendeu uma tonelada de cocaína, 21 quilos de maconha, 300 kg de substâncias químicas usadas para refino de cocaína, apreendeu R$ 500 mil e interditou dois laboratórios de crack no Ceará e outro em Portugal, na cidade de Setúbal, com o auxílio da Divisão de Estupefacientes de Lisboa. Em Portugal, a polícia apreendeu 660 garrafas com rótulo de cachaça que foram usadas no transporte de drogas e 50 kg de cocaína.
Segundo a PF, o tráfico começava com a compra da pasta de cocaína e produtos químicos na Bolívia e no Paraguai. O entorpecente entrava no Brasil por meio de aviões monomotores e era transportado camuflado em tanques de caminhões até o Nordeste. No Ceará, a cocaína era colocada em engarrafada com rótulos de cachaça em laboratórios de traficantes e exportada para Portugal e outros países da Europa. Já no Rio Grande do Norte, a droga era distribuída para Paraíba e Pernambuco. Segundo a polícia, cada "braço" da quadrilha movimentava R$ 1 milhão por mês.
"Nesses quase dois anos a Polícia Federal brasileira e a Polícia Judiciária portuguesa conseguiram mapear a complexa organização criminosa que atuava no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro", disse o delegado.
A PF informou ainda conseguiu cumprir 14 mandados de prisão preventiva, 12 temporárias e 18 conduções coercitivas na operação Cardume. Outras quatro pessoas foram presas durante as buscas por porte ilegal de arma de fogo e posse de entorpecentes. A PF apreendeu quase uma tonelada de fenacetina --produto químico usado para dar volume à cocaína. A polícia bloqueou 118 contas de pessoas físicas e jurídicas nos oito Estados e de 15 carros de luxo.
O TJ-CE disse que não recebeu nenhuma notificação da PF sobre a operação, mas informou que "caso venha a ser formalmente instado, contribuirá com quais solicitações forem feitas pela Polícia Federal no sentido de facilitar as investigações."
UOL

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