ABAS

sábado, 22 de agosto de 2015

Peixes preferidos dos cerenses estão em risco, saiba porquê

Um estudo recente feito pela equipe de engenheiros de pesca do Centro de Desenvolvimento de Pesca Sustentável do Brasil (CeDePesca) revela que as espécies mais populares na mesa dos cearenses encontram-se em risco de uma exploração não sustentável e sugerem medidas para baixar esse risco e assegurar os empregos e o consumo popular de peixe e marisco.
Na lista de espécies em risco encontram-se as pescadas amarela e branca, pargo, cioba, ariacó, dentão, guaiuba, sirigado, robalo, badejo, serra, cavala e lagosta.
Um dos problemas é que, à exceção da lagosta e do pargo, nenhuma dessas espécies tem um defeso para proteção dos processos reprodutivos. Outro problema importante é que somente pargo, lagosta, caranguejo, robalo e badejo possuem tamanhos mínimos legais de captura determinados, medida que deve ser adotada para dar oportunidade as espécies de se reproduzirem pelo menos uma vez.
Outros trabalhos da equipe do CeDePesca mostraram que a maioria dos vermelhos e as duas espécies de lagosta já estão sobre-exploradas, precisando de medidas urgentes para sua recuperação.
Um problema comum para a maioria dessas espécies é a falta de pesquisa biológica sistemática. No entanto, baseados na informação atualmente disponível, os técnicos do CeDePesca recomendam ao governo e a cadeia produtiva adotar os seguintes valores de tamanho mínimo, procurando evitar a comercialização e consumo de exemplares menores para ajudar a manter a forma de vida de milhares de pescadores e o meio ambiente marinho.
Os riscos avaliados poderiam ser reduzidos também criando zonas e temporadas sem pesca, especialmente no período reprodutivo e nas zonas de recrutamento e crescimento das espécies que atualmente não possuem defeso.
No caso da lagosta, a preocupação principal é a forte queda da abundância das duas espécies devido ao uso indiscriminado de apetrechos ilegais como as caçoeiras (redes), compressores e marambaias e ao desrespeito pelo defeso.  Segundo o estudo do CeDePesca, elaborado em colaboração com o Sindicato da Industria de Frio e Pesca do Estado do Ceará (SINDIFRIOS-CE), a biomassa reprodutiva atual se encontra em torno de 15% da biomassa sem pesca, quando deveria estar em 40% para considerar o recurso como saudável.  
Felizmente, no mês de junho o Comitê Permanente de Gestão da Lagosta aprovou duas medidas que, se aplicadas rigorosamente, vão ajudar a recuperação deste importante recurso: durante o período de defeso vai ficar completamente proibido qualquer forma de captura, posse, transporte e comercialização de lagosta no mercado brasileiro; e a partir do ano 2017 toda a lagosta deverá ser entregue viva nas plantas de beneficiamento. 
Dentre todas espécies estudadas o caranguejo-uçá, produzido nos estados do Maranhão e Piauí, foi a que apresentou menor risco. Mas, como é uma espécie bastante consumida no Ceará, acredita-se que há necessidade de mais estudos direcionados a sua cadeia produtiva para que os cearenses possam seguir desfrutando tranquilamente da tradicional caranguejada das quintas-feiras. 

REDAÇÃO O ESTADO ONLINE

Nenhum comentário: