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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mais de um terço dos cearenses vivem situação de insegurança alimentar

Agricultores de Boa Viagem perderam safra de milho neste ano por causa da seca - Foto - RODRIGO CARVALHO

Mais de um terço da população cearense vive em situação de insegurança alimentar, o que representa cerca de 3,1 milhões de pessoas, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014. No Estado, 5,1% dos casos são classificados como graves, em que as refeições diárias são incertas. Apesar da melhora em relação a outros anos, os índices preocupam especialistas. Segundo eles, a seca agrava a situação no campo. Nas cidades, o problema é a obesidade.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ceará tem garantido mais acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. O Estado conseguiu aumentar o número de pessoas nesta situação de 44,38%, em 2004, para 64,5%, no ano passado. Os casos graves foram reduzidos de 14,25%, há 11 anos, para 5,1%, em 2014.

Para o agricultor Antônio Francisco de Lima, de Pedra Branca, a 261 km de Fortaleza, o maior “clamor” para quem vive no Interior é por água. Segundo ele, a seca é um problema anterior à má alimentação. “Além de faltar água para beber, não tem para alimentar os animais ou para irrigar as plantas. Não temos como produzir alimento”, afirma.

Maria Emília Pacheco, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), diz que a redução dos números indica que as ações governamentais de convivência com o semiárido são eficazes. Ela reconhece a falta de água como um dos principais desafios de manter a melhora dos números. Diante de um cenário que indica um quinto ano consecutivo de seca para o Ceará, a presidente diz que a tendência para o próximo ano é que as ações se mantenham. “Mesmo com a estiagem prologada, vemos a população conseguindo conviver melhor com o semiárido, não temos casos de saques, manifestações ou frentes de emergência, por exemplo”, afirma.

Além da seca, a presidente nacional do Consea aponta a obesidade nos centros urbanos como “um segundo desafio para o Governo Federal e o Estado”. De acordo com o Ministério da Saúde, 55,7% da população adulta de Fortaleza está com excesso de peso. A pesquisa também mostra que 19,3% da população da Capital é obesa.

“É uma situação oposta, mas igualmente preocupante. São pessoas comendo muito, mas que não estão se nutrindo”, diz Malvinier Macedo, presidente estadual do Consea. Para ela, os alimentos transgênicos, ultraprocessados e com agrotóxicos são os responsáveis pelo sobrepeso.

Para as especialistas em nutrição, a principal ação a ser tomada pelo Estado é de conscientização sobre os males da má alimentação e a necessidade de espaços públicos que garantam acesso a alimentos saudáveis a preços justos.
O POVO

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