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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Faltam esforços para erradicar a dengue no Ceará

No bairro Jangurussu os locais com água parada e lixo acumulado assustam
No bairro Jangurussu os locais com água parada e lixo acumulado assustam... 


Prestes a completar 30 anos desde o registro do primeiro caso de dengue no Ceará a doença parece não estar próxima de ser erradicada. Somente nos sete primeiros meses deste ano 37.601 casos e 34 mortes foram registrados em todo o Estado. Para que essa situação se modifique é necessário que o poder público e população realizem um trabalho conjunto e contínuo de prevenção, o que ainda não aconteceu em todos esses anos.

Após ser infectada pelo Aedes aegypti, no início do ano, a dona de casa Maria Inês da Cruz, moradora do bairro Jangurussu, passou a tomar todos os cuidados necessários, em sua residência, para evitar a presença do mosquito. "Essa é uma doença ruim demais. Vou me esforçar para deixar a minha casa livre da dengue", declarou. 

No entanto, ela teme que os seus esforços sejam em vão se os seus vizinhos não fizerem o mesmo e o bicho continuar se proliferando. "Já briguei muito com todos na rua para que fiquem atentos com a água parada, mas tem gente que não se preocupa", reclamou. 

Maria Inês admite que começou realmente a se preocupar com o combate ao mosquito após ser infectada. Antes disso, apenas durante as campanhas ela prestava mais com atenção nessa questão.

O número de casos registrados no Jangurussu é alarmante, pois é o maior entre bairros de Fortaleza. Até o último dia 31, foram 1.869 infectados pela doença. Na Regional VI, da qual o bairro faz parte, foram 8.089 casos no total. Até o momento, 18.995 pessoas tiveram a doença, na Capital, e 14 morreram. 

No Jacarecanga, um ferro velho a céu aberto preocupa todos aqueles que moram na Rua Jacinto Matos. Containers e tambores servem como locais que acumulam bastante água parada. 

Apesar das reclamações feitas para o dono do local nenhuma mudança foi feita, relatou a bancária Heloisa Matos. "Aí é foco de dengue certo. Muito mato e material que acumula água". 

Prevenção 

"Ainda vamos conviver muitos anos com a dengue", afirmou o médico infectologista Anastácio Queiroz. Isso acontece porque essa é uma doença de prevenção complexa, pois o vetor se multiplica rapidamente em água limpa. Portanto, para extingui­la é necessária uma mudança de comportamento e também infraestrutura. 

Em todo o Estado, destacou o médico, muitas pessoas criaram o hábito de guardar água, já que o líquido sempre falta, seja por falta de infraestrutura ou seja devido à seca. "Apesar de ser por necessidade, isso ajuda demais com a proliferação". 

Outro problema levantado por ele são as caixas d'água, pois apesar de serem cobertas, os bichos conseguem entrar. Para que isso não continue acontecendo uma mudança deve ser feita em relação às leis que regulamenta o objeto. Além disso, ainda existe todo o material que acaba sendo descartado e jogado em terrenos baldios, como pneus, garrafas e outros materiais que acumulam o água. 

O principal problema é a continuidade das ações da população e do poder público, destacou Queiroz. "É importante uma ação semanal, ininterrupta e por tempo indeterminado", disse. Até hoje, nenhum local que teve dengue conseguiu eliminar totalmente o mosquito.

 Para a professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Izabel Florindo Guedes, o Ceará continua no estágio zero do combate à doença. "Não existe vontade de acabar. Políticos e população não colaboram", acrescenta. 

Ela lembra que é preciso fazer um trabalho todos os dias e não apenas nas campanhas ou no "dia D". Educar os estudantes nas escolas também é algo essencial para que levem a ideia para casa. "É preciso um trabalho conjunto entre população e poder público, pois aqui os mosquitos encontram condições favoráveis para se reproduzir", frisou. 

Segundo o coordenador das ações de controle vetorial da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Carlos Alberto Barbosa, o órgão trabalha rotineiramente no combate ao Aedes aegypti. Além dos agentes de endemias visitando as casas, também são usados o carro fumacê, o Ultra Baixo Volume (UBV) Costal e a mobilização e comunicação junto à sociedade. 

Barbosa acrescentou ainda que 80% dos focos são encontrados dentro das residências. Nesses locais, explica o gestor municipal, a maioria dos problemas existentes são tanques de armazenamento de água ou calhas com o líquido parado. "A situação é diferente em cada bairro", revela. 

Mais informações: Para tirar dúvidas sobre a doença a população pode ligar para o Alô Saúde por meio do número 0800­85­1520 e também do (85) 3101­5227 
Thiago Rocha Repórter  

DIÁRIO DO NORDESTE

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