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sábado, 18 de julho de 2015

Lava-Jato agora acusa Cunha, Lula e Collor

Da Redação
Investigações abertas pelo Ministério Público Federal pretendem esclarecer possível envolvimento do ex-presidente Lula em esquemas de corrupção. Além dele, controvertidas declarações do delator Júlio Camargo, envolvem diretamente ao presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), que teria exigido US$ 5 milhões do consultor. Também o Senador Fernando Collor (PTB), que dias atrás teve suas residências em Brasília e Alagoas revistadas pela polícia federal, foi acusado nesta quinta feira de ter recebido pessoalmente dinheiro vivo proveniente de esquemas de corrupção na Petrobras.
As acusações feitas nesta quinta feira (16) sobre Lula referem-se ao final do seu mandato, onde teria utilizado suas influências no BNDES para financiar diversas obras da Odebrecht em países da América Latina e do continente africano, lugares onde a construtora tem atuação. Em janeiro de 2011, logo depois de deixar a presidência, o ex-presidente Lula (PT) teria visitado Panamá, Venezuela, República Dominicana e Gana com viagens custeadas pela própria Odebrecht, informação que foi admitida pela construtora. O valor dos créditos concedidos à empresa ascende à soma de US$4.1 milhões para obras em República Dominicana, Venezuela, Cuba e Gana.

A investigação sobre Lula começou já em abril, mas a abertura do inquérito foi feita semana passada. O instituto Lula se mostrou surpreso pelo inquérito e afirmou que "terá a oportunidade de comprovar a legalidade e a lisura" de todas as atividades do ex-presidente.
Também nesta quinta-feira (16), o nome do presidente da Câmara de Deputados surgiu em declaração do delator Júlio Camargo à Justiça Federal que teria sido pressionado por Eduardo Cunha (PMDB), que fará um pronunciamento em rede nacional hoje (17) às 20h25, a lhe pagar uma propina de US$ 5 milhões. A propina faz parte de uma quantia maior (US$10 milhões) relacionada aos contratos dos navios-sonda da Petrobras pelo valor de US$ 1,2 bilhão. Eduardo Cunha em declarações públicas desmente as acusações e desafia o delator a provar as afirmações.
As acusações que envolvem o ex-presidente Collor referem-se a uma propina que o entregador do doleiro Youssef, Rafael Ângulo, teria entregado diretamente no domicilio de Fernando Collor em São Paulo. A soma foi repassada em dinheiro vivo, R$60mil em notas de R$100. O esquema de corrupção tratava-se de um acordo com a BR distribuidora para beneficiar a rede Aster de postos de gasolina, cujo dono teve sua casa revistada dias atrás, onde foram encontrados R$3.5 milhões.
Os avanços nas investigações envolvendo essas importantes figuras políticas tanto do governo, a sua base aliada e a oposição simultaneamente podem provocar uma instabilidade na situação política do país e podem vir a aprofundar não só a atual crise política do governo do PT, mas ampliá-la ao regime de conjunto. No entanto, como os escândalos de corrupção atingem a todos os partidos burgueses (que estão comprometidos com os lucros e os interesses dos bancos, dos empresários e dos latifundiários), é possível também ocorrer uma tendência a maiores acordos entre os partidos da ordem para tentar impedir uma crise política do regime ainda mais profunda.
ESQUERDA DIÁRIO

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