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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Cesta básica da capital cearense é a mais cara do Nordeste em junho

Após registrar o pico de 8,89% em maio, o preço da cesta básica apresentou a primeira redução de 2015, ao recuar 5,49% - interrompendo uma sequência de seis altas seguidas. Contudo, apesar da queda, a inflação do conjunto dos 12 produtos que compõem a cesta básica de Fortaleza acumula alta de 16,05% no semestre, encerrando o período valendo R$ 325,40, sendo o valor mais alto da região Nordeste. As informações são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica (PNCB), divulgada, ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-CE).
Conforme a pesquisa, considerando o valor e, tomando como base o salário mínimo vigente no País (R$ 788,00) – correspondente a uma jornada mensal de trabalho de 220 horas –, o trabalhador teve que desprender 90 horas e 51 minutos de sua jornada de trabalho mensal para essa finalidade. O gasto com alimentação de uma família padrão (dois adultos e duas crianças) foi de R$ 976,20.

Comportamento
A pesquisa mostra que a retração registrada no mês passado foi influenciada pela queda dos preços de sete itens, com destaque para o tomate (24,31%), seguido de banana (3,15%), óleo (2,09%), arroz (1,85%), carne (1,00%), feijão (0,92%) e café (0,22%). No período, cinco itens apresentaram elevação, como farinha (13,06%), açúcar (2,25%), pão (1,7%), manteiga (1,46%) e leite (1,41%).
Quanto às variações semestral e anual, a cesta básica de Fortaleza, o comportamento verificado foi de 16,05% e 9,19%, respectivamente. No acumulado em 12 meses, terminados em junho, a capital cearense aparece com a quarta maior inflação da região Nordeste – atrás, apenas, de Salvador (14,72%) e Aracaju (11,22%) e João Pessoa (9,86%) – e a nona maior do País.
Segundo o levantamento, a alimentação básica, em junho – apesar de ter caído R$ 18,90, frente aos R$ 344,30 registrados em maio –, está mais cara do que em dezembro de (R$ 280,39) e junho de 2014 (R$ 298,01). Ainda na análise mensal, com o preço registrado no mês passado, Fortaleza possui a sexta cesta mais barata do País, tendo a terceira maior redução entre as capitais pesquisadas – sendo que, no Nordeste, foi a segunda entre as capitais da região a apresentar deflação, atrás, apenas, de Salvador (8,05%). No período, João Pessoa foi a única capital nordestina a apresentar inflação, com 1,87%.

Balanço
No primeiro semestre deste ano, entre os produtos, os que sofreram maior elevação nos preços, estão tomate (70,83%), feijão (33,91%), banana (13,45%) e óleo (8,61%). No período, segundo o Dieese destacou, nenhum produto apresentou redução nos preços. Na série de 12 meses, os que sofreram maior elevação nos preços, foram feijão (31,45%), carne (18,72%), pão (11,82%) e banana (10,30%). Entre as reduções, no período analisado, aparecem a farinha (10,93%), o óleo (6,02%) e o tomate (3,34%), segundo a pesquisa.
Para o Dieese-CE, levando em consideração a determinação constitucional, que estabelece que o salário mínimo deva ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família - com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência -, o valor do salário mínimo necessário deveria ser de R$ 3.299,66, ou seja, 4,19 vezes o mínimo em vigor, de R$ 788,00. Em maio, o mínimo necessário era maior, equivalendo a R$ 3.377,62, ou seja, 4,29 vezes o piso vigente. Por fim, em junho de 2014, o valor necessário para atender às despesas de uma família chegava a R$ 2.979,25, o que representava 4,11 vezes o salário mínimo de então (R$ 724,00).

Alta acumulada no ano acaba penalizando consumo
A economista da Diesse-CE, Elizama Paiva, ao comentar os resultados, observa que apesar de a cesta básica ter registrado deflação este junho, a queda não compensa a inflação acumulada no primeiro semestre. Além disso, ele lembra que a capital possui o menor rendimento médio do trabalho, comprometendo, ainda mais, o poder de compra dos consumidores. “Fortaleza tem a cesta mais cara do Nordeste, e, ao mesmo tempo em que a capital cearense exibe um menor rendimento do trabalho, e a gente fica penalizado com isso”. Apesar do pico registrado em maio, de 8,89%, “a tendência é de queda por conta das safras que devem acontecer no segundo semestre, em sua maioria”, estima Paiva.
Sobre os principais resultados do período, a queda do preço do tomate deve-se ao mercado interno, “que está bem abastecido, tanto pela safra da Serra da Ibiapaba – que está começando”, destacou Elizama. “Na região, a irrigação é feita por poços profundos. Além disso, tem uma remessa significativa vinda do Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais. Como se trata de um item bastante perecível, os produtores não têm como armazenar, então, eles têm que disponibilizar logo para venda, e, por isso, cai o preço”, explica a economista. Comportamento semelhante foi observado com relação à banana. “Essa quantidade que tivemos em junho foi especialmente vinda de Pernambuco. Com isso, aumentou a oferta aqui e houve essa leve queda”, observou Paiva.
Outro item que também vem subindo bastante, mas de maneira tímida, é a carne, que já possui um valor bastante expressivo. “A carne tem o peso de 30% da cesta e, no semestre, a variação foi de 7%, sendo 18% em 12 meses. Isso porque os Estados Unidos estão deixando o pasto para plantar soja e, com isso, o Brasil, está ganhando muitas exportações no mercado externo”, ressaltou Elizama. “Para muitos produtores, é melhor exportar carne do que disponibilizar o produto para o mercado interno, pois, além do preço estar bom lá fora, eles perdem no mercado interno – por conta do aumento do frete, e logística”, acentuou.

Com informações do Jornal Estado do CE.

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