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terça-feira, 16 de junho de 2015

Homem matou a tiros um cachorro que fez xixi no gramado da casa dele





O tenente Wilson Pedro dos Santos Júnior, que foi flagrado em vídeo ao atirar e matar um cão buldogue francês, foi afastado das funções, segundo informa a Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (15). Também foi instaurada uma sindicância para apurar as responsabilidades nos fatos. O crime foi cometido no sábado (13) no momento em que a dona passeava com dois cachorros num condomínio residencial em Teixeira de Freitas, extremo-sul da Bahia.
"O fato ocorreu no sábado (13), quando o PM, durante a folga, efetuou três disparos de arma de fogo contra o cachorro da vizinha, matando o animal", informou a PM.  De acordo com a corporação, a sindicância é uma apuração inicial que pode resultar na instauração de um Processo Disciplinar Sumário (PDS) ou Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que pode implicar na expulsão do oficial do quadro da PM. "A PM repudia qualquer tipo de abusos ou maus tratos", afirmou.
Versão da dona
A dona do cachorro morto a tiros por um policial militar afirmou que está com medo de sofrerretaliações por parte do autor do crime e organiza mudança de Teixeira de Freitas. O PM e a dona do animal prestaram depoimento à Polícia Civil.
"Vim a trabalho, mas não quero mais ficar aqui e vou embora para outra cidade. Foi algo se explicação. A gente [ela e o marido] está pedindo transferência. Meu medo maior é voltar para casa e acontecer alguma coisa comigo, porque ele [o policial] deu os esclarecimentos dele e voltou para casa. Só volto lá [no condomínio] para retirar minhas coisas", relatou a advogada tributarista Bruna Holtz.
O casal mora na cidade há cerca de um mês e o crime aconteceu no condomínio. Holtz disse que recebeu recado do policial, que se dizia incomodado pela presença dos dois cachorros na vizinhança. O bilhete teria sido enviado um dia antes, na sexta (12).
"Na sexta, fui passear com eles e minha cadela cheirou o jardim dele. Nesse mesmo dia, encontrei um bilhete na minha porta que dizia: 'prezado vizinho, se seu cachorro cavar novamente o meu jardim não me responsabilizo pelos meus atos'. Quando li fui logo na casa dele saber o que houve porque a minha cadela só cheirou, não cavou nada. A esposa dele abriu a porta, mas disse que não tinha nada para falar comigo e ele bateu a porta na minha cara. Fiquei indignada", disse.
O animal assassinado era um buldogue francês e ela tem outro, da raça golden retriever, com quem também passeava quando ocorreu a situação. No dia do crime, sábado (13), a cadela golden retriever teria feito coco em outro jardim do condomínio, o que teria deixado o policial chateado e motivado a agressão. Segundo ela, para não ser atingida pelos tiros, ela precisou pular um muro do condomínio.
"A cachorrinha começou a cheirar e fez coco no outro jardim. Ele [policial] estava na varanda dele e ficou me olhando. Eu catei o coco e olhei para ele. Acho que se sentiu afrontado. Então ele veio atrás de mim e fiquei parada. Quando ele se aproximou disse: 'Você me conhece da onde?' E eu respondi: 'Eu não te conheço e não quero falar com você'. Então ele sacou a arma e começou a atirar. Quando vi que não conseguiria salvar os dois cachorros, agarrei a cadela, joguei ela do outro lado do muro e escalei o muro. Foi o que me salvou também, porque ele veio atrás de mim", disse.

De acordo com ela, a cadela da raça golden retriever ficou ferida com os resíduos da pólvora, como se fosse tiros de raspão, na região do pescoço, mas passa bem. "Ele tinha quatro anos [o cão que morreu] e ela tem dois. Passeava com eles três vezes ao dia. São como nossos filhos. Eles dormiam com a gente e nosso final de semana era deles. A dor é muito grande", contou. O G1 não conseguiu contato do policial militar envolvido no caso.
G1

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