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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Envelhecer no Brasil é como assistir ao mesmo filme muitas vezes

Este é um país que não vai pra frente, hein? Anda em círculo, aboletado em uma grande roda-gigante. Quer coisa mais circular do que este escândalo Odebrecht? Voltamos a 1993...
Eliseu Rezende, ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco, mineiro e amigo pessoal dele. Durou dois meses no cargo.
Caiu em meio a um escândalo de favorecimento da Odebrecht (da qual havia sido alto executivo durante sete anos) com financiamentos camaradas para obras da empreiteira no exterior.
Para o lugar de Eliseu, Itamar nomeou à revelia Fernando Henrique Cardoso, então chanceler. E o resto é história...
(Indiretamente, o país deve o Plano Real e o fim da inflação à Odebrecht... rsrs)
Em 1993, durante as caravanas da cidadania, Lula chamou Eliseu Rezende de “um canalha a serviço de empreiteiras” e o presidente Itamar de “filho da puta”.
Em nota oficial da presidência, Itamar deu-lhe uma resposta exemplar:
Saudades do Itamar! Além de demitir o Eliseu, afastou Henrique Hargreaves, chefe da Casa Civil da presidência da República, ao primeiro sinal de que pudesse ter cometido malfeitos.
Uma vez provado que não cometera, devolveu-lhe o cargo.
Itamar inventou a “pegadinha presidencial”.
Antonio Carlos Magalhães, na época governador da Bahia, anunciou que tinha um dossiê sobre corrupção no governo, e que estava disposto a entrega-lo em mãos do presidente.
Itamar recebeu-o em audiência. E quando ele entrou no gabinete presidencial, toda a imprensa estava lá para testemunhar o encontro.
O que ACM entregou a Itamar foi uma coleção de recortes de notícias publicadas nos jornais. Era o dossiê. Saiu dali indignado.
Envelhecer no Brasil é como estar trancado em uma sala de cinema onde passa sempre o mesmo filme.
POR RICARDO NOBLAT

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