ABAS

sábado, 20 de junho de 2015

Dos eleitores cearenses, 63% possuem baixa escolaridade

Apenas 5% da população que vota tem ensino superior completo ou em andamento. O Anuário 2015-2016 traz também o perfil dos parlamentares cearenses eleitos na última legislatura e a influência de cada um deles...
O Anuário do Ceará 2015-2016, que será lançado na próxima segunda-feira, 22, aponta que 63% dos eleitores cearenses não chegaram a cursar o ensino médio. Desses, 9% não sabem ler nem escrever. O levantamento diz ainda que apenas 5% da população que vota possui o ensino superior completo ou em andamento.

O perfil do eleitorado cearense, em destaque no Anuário, indica que a maior fatia dos eleitores regulares está na faixa etária entre 25 e 44 anos, enquanto a menor parte está na faixa etária de jovens de 16 anos, que não são obrigados a votar.

Com mais de seis milhões e duzentos mil eleitores, o Ceará ocupa o oitavo lugar no ranking nacional. No Nordeste, fica atrás da Bahia, com 10 milhões, e de Pernambuco, com pouco mais de 80 mil eleitores acima.

Com 52,4%, as mulheres são maioria e podem decidir uma eleição em casos de acirramento. Não a toa, propostas de candidatos na reta final de campanha majoritária serem direcionadas às mulheres, como é o caso, por exemplo, das promessas durante o segundo turno de construção de creches.

Cientistas comentam
Especialistas políticos consultados pelo O POVO comentaram o resultado da pesquisa do Anuário do Ceará 2015-2016. 

Para o cientista político Uribam Xavier, a baixa escolaridade do eleitor do Ceará ainda é o reflexo do desinteresse do Estado em instruir o cidadão desde o período da ditadura militar.

No entanto, o professor contesta a ideia de que a qualidade do voto de um eleitor menos escolarizado seja inferior ou mais manipulável em relação ao voto da população com nível superior. “O voto não tem relação direta com grau de instrução. Essa relação está sendo desmistificada. As pessoas mais instruidas têm um grau de conservadorismo ainda maior”, afirmou o pesquisador.

De acordo com Uribam Xavier, o eleitorado “tem muita consciência dos seus interesses”, seja ele com boa ou má instrução escolar.

Por outro lado, o cientista político Flávio Britto acredita que a política nos dias atuais é um ato de manipulação. Segundo o pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), a baixa escolaridade resulta na pouca consciência de cidadania desta parcela do eleitorado. Em relação aos eleitores que possuem ensino superior, Britto acredita em um maior poder de questionamento político.

“O estudo liberta, abre a mente e nos faz mais questionadores. A falta de estudo permite que haja uma manipulação em geral dessas pessoas”, afirma o estudioso.

Flávio conclui que o eleitor mais esclarecido “acaba sendo um voto mais consciente independentemente do favor que receba”.

Para o pesquisador, a população que menos estuda se torna menos contestadora e mais suscetível a aceitar o status quo. 
O POVO

Nenhum comentário: