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sábado, 27 de junho de 2015

Criador e criatura, primeiros passos

foto camilo e cid gomers
Em artigo no O POVO deste sábado (27), o médico e professor universitário Antônio Mourão Cavalcante avalia a relação política entre Camilo Santana e Cid Gomes. Confira:
A pessoa generosa deve dar demonstrações de apreço para com quem a ungiu de tantas graças. É um sentimento muito importante expressar – com gestos – a filiação emocional construída na prática. Trata-se da gratidão. E, no avançar do tempo, muitos parecem esquecer. Sobretudo quando nos referimos ao mundo político. Fidelidade é artigo em falta.
De tal, não podemos acusar o governador Camilo Santana, até agora. Tem sido extremamente cordial para com Cid Gomes, seu criador. Aliás, ainda é muito cedo para esquecer as lanças que os Ferreira Gomes tiveram que quebrar para consolidar a candidatura de seu assessor. Mesmo sendo de outra sigla, PT, Camilo foi sustentado com força e galhardia pelos homens de Sobral…
Mas a herança tem sido meio complicada. Primeiro, o fora da tal refinaria da Petrobras, que acalentou o sonho de tanta gente incauta. O negócio não tinha nem pé nem cabeça. Nenhum documento escrito, nenhuma planilha para referendar a iniciativa. Só gastos inúteis e inconsistentes. Camilo teve que engolir no seco! Depois, o próprio chefe que caiu do cavalo. Quis medir forças – logo com quem? – e teve o tapete puxado, sem dó nem piedade. Trapaças da política.
Parece que o mais grave ainda está por vir. O que fazer com determinadas obras empreendidas pelo chefe? Primeiro, o quiprocó com a Polícia Militar, o Ronda de Quarteirão e as greves? Bingo! Essa ele tirou de letra. Instituiu um diálogo proveitoso e a clima esfriou. Na Saúde, complicou tudo. Até o secretário saiu correndo… Teve que se socorrer com seu outro lado: os companheiros do PT de Brasília. Mais grana. Não fez promessas mirabolantes, tipo: “resolvo tudo em 90 dias”!
O mais difícil é o que fazer com as obras físicas mirabolantes. O que fazer, por exemplo, com o monstrengo do tal Acquario? Inventou-se uma palavra mágica, igualmente inspirada de Brasília: concessões e pronto. Ora, isso é igual à privatização. Algo abominável em passado recente. Afinal, foi correto gastar tanto dinheiro público, diante de tantas necessidades desesperadoras? Nesse momento, Camilo fica engasgado. Em nome da gratidão não pode dizer nada. Salvo falar em hub da TAM e chamar os ex-governadores para legitimar novos caminhos.
PUBLICADO TAMBÉM NO BLOG DO JORNALISTA ELIOMAR

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