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sábado, 20 de junho de 2015

Ceará já perdeu 13 mil vagas de empregos


No ano passado, de janeiro a maio, o Ceará havia gerado mais de 10 mil postos formais, principalmente por conta de uma elevada expansão na construção civil e no setor de serviços, em decorrência da preparação para a Copa do Mundo. Em 2015, com a economia brasileira instável e os investimentos em queda, a situação do mercado de trabalho cearense é bem diferente, posto que, no mesmo período, o Estado eliminou 13.305 empregos com carteira assinada, de acordo com a série ajustada do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


O resultado acumulado dos cinco primeiros meses de 2015 foi impulsionado, inclusive, pelas 1.679 vagas formais eliminadas em maio ­ o pior resultado desde 2003, segundo o Caged. "Foi um resultado altamente atípico, já que, nos últimos 12 anos, nunca havíamos registrado números negativos em maio", comenta o coordenador de estudos e analista de mercado do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita. Segundo ele, foi o sexto mês seguido em que o número de demissões superou o de admissões no Ceará. "Tivemos 42.737 desligamentos para 41.058 contratações no período. É o momento da economia impactando no mercado", complementa. 


De uma maneira geral, o mercado de trabalho da região Nordeste não obteve um bom desempenho em maio, tendo em vista que oito dos nove estados apresentaram retração nos empregos celetistas. O único que registrou um pequeno avanço foi o Piauí, com alta de 63 vagas, enquanto que Alagoas, com a eliminação de 9.627 postos, teve o pior desempenho no período.


Indústria em queda 


Tanto no acumulado do ano, como também no resultado de maio, nenhum setor foi tão mal no mercado de trabalho quanto a indústria cearense. Para se ter uma ideia, somente de janeiro a maio, a atividade industrial do Estado eliminou 5.015 empregos celetistas. "Desses, mais da metade, ou 2.913, são oriundo da atividade calçadista, que vem muito mal há algum tempo. São vários os fatores que contribuem para isso, como, por exemplo, a queda no consumo, nos investimentos e também a concorrência internacional", afirma Erle. 


Segundo ele, as perdas chegaram também aos demais setores analisados pelo MTE, tais como comércio, serviços, construção civil e agropecuária. "Nenhum deles, no acumulado do ano, teve resultado melhor do em 2014. A indústria é o principal destaque negativo, mas a queda é generalizada", conta. 


Brasil também vai mal 


Em âmbito nacional, a geração de empregos formais também veio negativa em maio. De acordo com o Caged, foram fechados 115.599 postos de trabalho no mês passado. O número é o pior para o mês da série histórica, iniciada em 1992, e é a primeira vez que apresenta resultado negativo em maio. No mesmo mês do ano passado, o saldo tinha sido positivo em 58.836. 


Nesta semana, o ministro Manoel Dias tinha informado que o número de Caged de maio seria negativo, a exemplo do que ocorreu em abril, quando foram fechados 97.828 postos de trabalho. A indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de fechamento de vagas em maio. No total, foram cortados 60.989 postos no setor, resultado de 230.981 admissões e 291.970 desligamentos. 


Tendência é deterioração O resultado do Caged reforçou a análise de um cenário ruim no mercado de trabalho brasileiro. A avaliação é do economista­chefe da Infinity Asset, Carlos Acquisti, que disse que, pelo menos no curtíssimo prazo, não vê possibilidade de uma reversão significativa do atual panorama desfavorável para o emprego. "De uma forma geral, os números de atividade estão piores do que as projeções, que já eram negativas. Com a atividade com a cara que está, o mercado de trabalho deve continuar piorando", destaca Acquisti.  

COM INFORMAÇÕES DO DIÁRIO DO NORDESTE

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