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terça-feira, 19 de maio de 2015

Dinheiro do povo cearense indo pelo ralo da incompetência de um "desgoverno" - Paradas obras de canal, que levará por gravidade água para dois terços das áreas produtivas, é um sonho de mais de 15 anos

Em fevereiro, uma chuva causou a destruição de cerca de dois quilômetros
Em fevereiro, uma chuva causou a destruição de cerca de dois quilômetros
FOTO: HONÓRIO BARBOSA

Icó. Produtores Rurais deste Município, na região Centro-Sul do Ceará, estão apreensivos com a paralisação da construção do canal de transferência de água do Açude Lima Campos para áreas do Perímetro Irrigado Icó - Lima Campos. A obra foi destruída parcialmente após ocorrência de chuva, em fevereiro passado. De lá para cá, os serviços foram abandonados.
O presidente da Associação do Perímetro Irrigado Icó-Lima Campos, Rui Teixeira, reafirmou que a construção do canal de adução, que levará por gravidade água para atender dois terços das áreas produtivas do Perímetro representa um sonho de mais de 15 anos. "Infelizmente, esse sonho virou pesadelo", disse. "Há desconfiança e medo de que o serviço fique abandonado, como a gente tem visto outras obras do governo federal por aí".
Até a década de 1990 funcionou precariamente um sistema antigo de bombeamento da água do Açude Lima Campos a partir do Rio Salgado para a maior parte do Perímetro.
O elevado custo de energia elétrica inviabilizou a continuidade do projeto de irrigação. Resultado: a maior parte das áreas está ociosa, sem produção agropecuária. As famílias sofrem sem renda no campo.
Consequências
Sem produção, os colonos ficam parados, empobrecidos. Os jovens saíram em busca de oportunidade de trabalho e renda em outros centros urbanos. O que deveria ser um projeto produtivo no sertão cearense tornou-se um mau exemplo de aplicação de recursos públicos federais.
A obra de construção do canal de transposição de água no Perímetro Irrigado Icó - Lima Campos tornou-se mais um exemplo de desperdício de recursos federais. Em fevereiro, uma chuva causou a destruição de cerca de 2Km. As placas de cimento foram arrastadas. Isso gerou revolta entre os agricultores que reivindicam o projeto há 15 anos.
A obra está orçada em R$ 15 milhões e era construída pelo consórcio formada pelas empresas Cosampa e Britânia. Os recursos são oriundos do Ministério da Integração Nacional, por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O prejuízo ainda não foi estimado, mas foram pelo menos seis meses perdidos de trabalho, além do material.
O coordenador regional do Dnocs, José Falb Ferreira Gomes, explicou que já foi providenciado um aditivo para ampliar a vigência do contrato de construção da obra, que findava neste mês de maio. "O prazo foi ampliado para mais 180 dias", frisou. "Já foi nomeada uma comissão para análise do projeto, execução dos serviços de engenharia e adequação da obra".
De acordo com Falb Ferreira Gomes, o levantamento técnico vai apontar se houve erro de projeto ou de execução da obra. "Não temos um prazo definido para a retomada dos serviços de construção do canal, vamos aguardar a conclusão da comissão técnica, os levantamentos a serem realizados e ainda a liberação do restante dos recursos por parte do Ministério da Integração Nacional", disse. "Esperamos que em 30 ou 40 dias os serviços sejam retomados".
A direção do Dncos assegura que a obra será retomada e concluída. O coordenador regional do Dnocs, José Falb Ferreira Gomes, entretanto, não apontou se o prejuízo com a destruição do canal será de responsabilidade do consórcio de construtoras ou do governo federal. "Precisamos aguardar o levantamento técnico, que vai apontar se houve erro no projeto, na execução ou se foi um problema natural".
Enquanto isso, os produtores rurais estão apreensivos. "Desde fevereiro que houve esse problema (a destruição parcial do canal) e já se passaram três meses e somente agora estão falando em uma comissão que vai fazer uma análise técnica do que ocorreu", questionou o produtor rural, Manoel Custódio.
No último dia 1º, por ocasião das manifestações do Dia do Trabalho, centenas de agricultores percorreram ruas desta cidade e apresentaram reivindicações ao Dnocs para a continuidade da obra. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Icó, Lourival Teixeira, e o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura no Estado do Ceará (Fetraece), Luís Carlos Ribeiro, disseram que iriam cobrar do Dnocs a continuidade da obra.
"Esse canal é necessário porque dois terços do Perímetro estão paralisados, sem produção, abandonado", disse Lourival Teixeira. "O Dnocs precisa retomar essa obra com urgência". Ribeiro lamentou as falhas verificadas na execução do projeto e o prejuízo ocasionado aos trabalhadores rurais.
O canal de adução terá 9 km de extensão em sua primeira etapa. Cerca de 3Km estavam em construção, mas dois foram destruídos. A obra começou em março de 2014 e teria prazo de conclusão de um ano. O projeto é uma reivindicação antiga dos agricultores do perímetro, pois vai possibilitar a transferência de água do açude Lima Campos, por gravidade, para a irrigação de dois terços dos lotes que permanecem praticamente sem produção há quase 20 anos. Será feito um sifão e canal de passagem de água sob o Rio Salgado.
Mais informações
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs)
Fone: (85) 3391-5300
Adicol
Fone: (88) 3561-1974

Honório Barbosa
Colaborador

CADERNO REGIONAL - DIÁRIO DO NORDESTE

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