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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Ceará é o 3º estado em mortes

Número de mortes por armas de fogo saltou de 8.710, em 1980, para 42.416 em 2012. Um crescimento de 387%
A cada dia, 116 pessoas morrem vítimas de armas de fogo no Brasil. Em 2012, ano dos mais recentes dados disponíveis, foram 42.416 óbitos. A principal causa das mortes foram homicídios, motivo apontado em 95% dos casos. Os índices, que fazem parte do Mapa da violência 2015, preparado por órgãos do Governo Federal e pela Unesco, são os mais altos já registrados no País por esse motivo desde 1980, início da série histórica. O Ceará foi o terceiro estado com maior número de mortes por armas de fogo, 36,7 para cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Alagoas (55) e Espírito Santo (38,3).

Nesse período, as mortes por armas de fogo cresceram 387%, segundo a pesquisa que será divulgada nesta quinta-feira. Em 10 anos, porém, o aumento foi menor: 11,7%. O levantamento aponta os jovens entre 15 e 29 anos como as principais vítimas. Ao todo, foram 24.882 mortes neste grupo, o que leva a outro recorde negativo: são 59% do total de casos. Para o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do estudo, a dificuldade de acesso dos jovens a políticas públicas eficientes, especialmente na educação, contribui para que esse grupo fique mais vulnerável à violência.

Hoje, para cada não jovem morto, há quatro de menos idade assassinados. “É uma categoria que ainda não se consolidou como prioritária para políticas públicas. Há políticas, mas insuficientes”, declarou o pesquisador. Além dos grupos etários, o crescimento da mortalidade também é desigual em algumas regiões. No País, a região em que há maior crescimento em número de óbitos por arma de fogo é o Norte, que registrou um avanço de 135,7% em 10 anos. Em seguida, estão o Nordeste, Centro-Oeste e Sul.

Segundo o relatório, o Sudeste é a única região em que houve queda nesse período: lá, a redução foi de 39,8%, puxada principalmente por uma queda ocorrida no Rio de Janeiro e em São Paulo. A situação mais crítica ocorre em Alagoas, Estado com a maior taxa de mortalidade por arma de fogo, com 55 mortes a cada 100 mil habitantes. Já o Maranhão é onde esse índice mais cresceu desde 2002: lá, a taxa observada de mortes a tiros a cada 100 mil habitantes registrou 273% de aumento.

O dossiê também confirma um avanço da violência no Interior. Enquanto o País registrou um aumento de 11,7% no total de mortos a tiros, nas capitais, houve queda de 1,6%. Ao todo, 12 capitais apresentaram redução na taxa de mortalidade por armas nos últimos dez anos. O Rio de Janeiro teve maior queda, de 68,3%. Do outro lado, está São Luís, com o maior avanço: 316%.

Entre as cidades menores, Simões Filho, na Bahia, tem a maior taxa: 130 mortes para cada 100 mil habitantes. A pesquisa foi preenchida com dados do Ministério da Saúde. Para Julio Jacobo, o recente aumento no número de mortes por armas de fogo, após dados que indicavam uma estabilização em anos recentes, pode estar relacionado a uma diminuição no desarmamento. (da agência Folhapress)
O POVO

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