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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Oposição cearense já trabalha em ritmo de eleições

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O senador Eunício Oliveira quer montar escritórios de assessoria na Capital e no Interior para monitorar as ações do Governo do Estado e orientar opositores da gestão estadual com mandato parlamentar
FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES

Os presidentes dos partidos da coligação "Ceará de Todos", derrotada nas eleições do ano passado, na disputa pelo Governo do Estado, estiveram reunidos em um restaurante de Fortaleza, na tarde de ontem, para discutir mecanismos de trabalho, neste ano, com vistas ao pleito municipal de 2016. Além disso, os líderes partidários decidiram criar, já nos próximos meses, escritórios técnicos de acompanhamento da gestão de Camilo Santana (PT) para averiguar o que foi prometido durante a campanha e o que está sendo cumprido.
Estiveram presentes no encontro o senador Eunício Oliveira, presidente do PMDB e candidato a governador derrotado nas eleições passadas; Lúcio Alcântara e Roberto Pessoa, do PR; Luiz Pontes, do PSDB; Gaudêncio Lucena, vice-presidente do PMDB; Herbert Lobo, secretário geral do PPS; Toinho do Chapéu, do PTN; e Paulo Henrique, presidente do PRP.
De acordo com Eunício Oliveira, os líderes partidários discutiram temas relacionados às eleições municipais do próximo ano, principalmente a participação que cada partido terá na disputa para as prefeituras do Estado, incluindo a composição de uma chapa para disputar a Prefeitura de Fortaleza, em oposição ao atual prefeito, Roberto Cláudio (PROS). "Debatemos algumas ideias sobre prefeituras, perspectivas dos partidos no Estado e formatação de encaminhamentos, assim como debate sobre os encontros regionais que faremos e sobre o que tem incomodado muitas pessoas", disse.
Fortaleza
Apesar de ter sido derrotado no segundo turno das eleições do ano passado, Eunício Oliveira tirou 58% dos votos na Capital cearense. Ele pretende utilizar a votação em Fortaleza como trunfo para o pleito do próximo ano. O assunto chegou a ser pautado pelas lideranças na reunião de ontem. Conforme informou o senador, discutiu-se não uma candidatura do PMDB, mas a de um nome que seja consenso do conjunto das forças que não concordam com a gestão atual em Fortaleza, nem com o grupo político do qual o prefeito é aliado.
"Eles querem mandar na Prefeitura de Fortaleza e em outros municípios, assim como nas câmaras, na Assembleia e no Governo do Estado. Quem não concorda vai se unir a gente. Mas não é hora de indicar nomes, é hora de se discutir. Daqui para lá ninguém sabe sequer como estarão as lideranças, um (líder) forte hoje pode não estar lá na frente. Mas acredito que podem surgir novas lideranças até as eleições. Muita água ainda vai rolar", salientou o peemedebista.
O presidente do PSDB, Luiz Pontes, afirmou que a conversa teve o intuito de detalhar que postura a oposição deve tomar daqui em diante, não só no sentido de se opor ao Governo estadual, mas fazer um trabalho discutindo questões relacionadas ao cenário eleitoral de 2016. "Queremos marchar unidos e, daqui para frente, vamos ver como podemos discutir as eleições municipais, não somente para Fortaleza, mas para outros municípios do Estado", destacou.
Presidente do PR no Ceará, o ex-governador Lúcio Alcântara frisou que os encontros entre essas legendas visam também passar uma revista dos acontecimentos políticos dos últimos meses, assim como trabalhar na formação de um plano nacional de estruturação da oposição. Ele reforçou a importância da união entre os opositores à gestão de Camilo Santana, e disse que, no momento, os partidos estão preocupados em estruturar um trabalho oposicionista no Ceará, não somente na Assembleia Legislativa cearense, mas em outras esferas também.
Assessoria
Para auxiliar o trabalho dos oposicionistas, eles pretendem montar escritórios de assessoria de informações e levantamentos técnicos das promessas que foram feitas pelo governador Camilo Santana durante a campanha eleitoral.
"Onde estão as 12 mil vagas para a Saúde? A extensão do Raio que não se fala mais? A contratação de 800 professores para as universidades estaduais? Eles diziam que tinham um atendimento perfeito na Saúde. São essas coisas que precisam ser cobradas", ressaltou Eunício Oliveira.
Ainda segundo o peemedebista, é preciso garantir que candidatos não cometam mais o que ele chamou de calote eleitoral, quando os gestores eleitos não cumprem as promessas de campanha. Conforme explicou, os escritórios não serão montados para ser ocupados por deputados, mas por técnicos especializados e contratados pelas legendas para fazer a assessoria aos parlamentares. "Vamos cobrar posicionamentos claros e objetivos que foram prometidos na campanha", garantiu o senador.
No almoço, que durou mais de duas horas, também não faltaram críticas ao posicionamento da gestão Cid Gomes (PROS), da qual Eunício foi aliado por mais de sete anos, em relação ao início dos trabalhos de instalação da Refinaria Premium II, o que para os presentes não passou de "uma mentira" para o eleitor.
Calote
"Foi o maior calote público, o maior estelionato eleitoral feito em um Estado brasileiro. Eles mentiram para a população e esconderam da bancada e do Senado essa informação. O Governo do Estado tinha essa informação e, como tinha candidato a governador, tinha medo que isso vazasse", acusou Eunício.
De acordo com o peemedebista, a gestão passada é a culpada da situação vivenciada pelo Ceará por ter perdido o empreendimento. Eunício Oliveira lembrou que foi o Governo anterior que se reunia com o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e tratava do assunto junto ao Governo Federal. "O Governo do Estado foi culpado, porque tinha essa informação e não compartilhou. E agora é o Estado do Ceará quem vai pagar", critica.
DIÁRIO DO NORDESTE

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