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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Formado por pacientes com transtorno mental, bloco Doido é Tu promove inserção social


Tambores, repiques, fantasias e adornos coloridos, tudo isso se torna apenas um detalhe quando os brincantes do bloco “Doido é tu” entram na Avenida Domingos Olímpio, em Fortaleza, e atraem os olhares do público. Não tem coreografia ensaiada, mas tem alegria expressada nos olhos, sorrisos e passos dos integrantes, que são a principal atração. Composto por usuários, familiares e profissionais de saúde dos 12 Centros de Atenção Psicossocial de Fortaleza (Caps), o bloco se destaca pela sua irreverência, tanto no nome quanto por seus integrantes.
“Eu tô doido para que comece logo”, brinca Nito Bastos, ainda na concentração do bloco, na noite desta segunda-feira (16). Dependente químico em recuperação, ele valoriza cada momento. Chega cedo para ensaiar e conferir todos os detalhes, mas depois do desfile na avenida só vai embora depois de arrumar tudo. No fim, a sensação de leveza o consome, porque sabe que deu o máximo de si.
A música, que tem como refrão um forte e uníssono “Doido é tu”, com expressões tipicamente cearenses, foi composta com a contribuição dos usuários dos Caps, que também confeccionaram as fantasias. “Eles querem participar de tudo, de cada processo, aprendem a música mas na hora de entrar na avenida querem dançar do jeito deles, isso é que é o mais legal. É uma expressão artística”, destaca Eliza Guther.
O nome “Doido é tu” tem o objetivo de acabar com o preconceito das pessoas ditas “normais” com aquelas portadores de algum transtorno ou sofrimento mental. Busca também fomentar a ocupação dos espaços, incentivar o processo de criação, promover inclusão e reinserção social, através da construção coletiva e de maneira igualitária.
Fundado em 2007, e com o título de bicampeão na capital cearense, o bloco tem cerca de 600 pessoas envolvidas, entre brincantes e organizadores. Para este ano, o tema da música é louvar as rainhas do Maracatu. “Escolhemos o Maracatu porque é uma das manifestações mais autênticas do carnaval e também queremos destacar a diversidade”, explica a coordenadora Eliza Guther.
O ator Luís Carlos, convidado para desfilar junto com os brincantes, quer homenagear o ator Sidney Souto, falecido este ano. Já as crianças querem mesmo é se divertir ao lado de seus familiares. Toda essa empolgação é aplaudida pela plateia que vibra com cada a passagem de cada ala. “É muito bonito, eles têm uma alegria que contagia. Dá vontade de dançar e gritar igual a eles, como um bom cearense: doido é tu”, comemora o estudante Paulo Rodrigues.
TRIBUNA DO CEARÁ

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