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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Institutos denunciam existência de pesquisas forjadas no Ceará


Pesquisas falsas de intenção de votos estão sendo divulgadas no interior do Estado e até na Câmara Municipal de Fortaleza. Os institutos aos quais são atribuídos os resultados condenam a prática. A Justiça Eleitoral adverte que os verdadeiros autores pode


"Os fins não justificam os meios". A conhecida frase cunhada em princípios éticos parece esquecida quando a cadeira de prefeito, uma vaga no Legislativo ou qualquer outro cargo político estão em jogo. Exemplo disso são as pesquisas de intenção de voto fraudulentas que circulam pelo Estado. Em Chorozinho e Guaraciaba do Norte - municípios situados a 60 km e 320 km de Fortaleza, respectivamente -, foram divulgadas pesquisas forjadas, mas atribuídas ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Na cidade de Varjota, a 297 km da capital, a prática também foi denunciada. Até a Câmara Municipal de Fortaleza vem servindo de espaço para a distribuição de pesquisas com conteúdo duvidoso.

Para esclarecer a situação, o Ibope enviou na última terça-feira nota à imprensa afirmando que ainda não realizou nenhuma pesquisa em Chorozinho e Guaraciaba do Norte. De acordo com a assessoria do instituto, os resultados de todas as pesquisas realizadas "são entregues aos clientes em formato PDF e os percentuais de intenção de voto não contêm casas decimais". A veracidade de cada pesquisa pode ser conferida na Justiça Eleitoral e no site do instituto.

No caso de Varjota, a pesquisa falsa divulgada através de panfletos traz a logomarca da empresa Ceará Pesquisa de Campo. Segundo o gerente Felipe Merabeau Pereira, é a 1ª vez que a empresa é vítima de uma ação como essa. Ele conta que a falsa pesquisa teria sido realizada entre os dias 1º e 3 de setembro e ouvido 400 moradores. "Umas 50 pessoas me ligaram para falar sobre essa pesquisa maluca", relata Felipe, informando ainda que a empresa, este ano, só está trabalhando com pesquisas políticas qualitativas, e não quantitativas, como a que circula em Varjota, e que já protocolou denúncia no cartório eleitoral de Reriutaba, zona que inclui o município de Varjota.

Vereadores da Capital

Pesquisas falsas também andam tomando a atenção dos vereadores de Fortaleza que tentam se reeleger. Há duas semanas apareceram duas delas: uma seria atribuída ao instituto Datafolha e a outra ao Vox Populi. A 1ª, sem número de registro, trazia lista dos 50 candidatos mais citados por 2.516 supostos entrevistados em 89 bairros da cidade. Já a 2ª teria sido realizada nos terminais de ônibus entre os dias 24 e 26 de agosto, e ouvido 1.480 pessoas. A relação do Vox Populi continha os 82 candidatos melhores colocados e usava o número de registro de uma pesquisa de intenção de votos feita apenas para prefeito.

Apesar de a maioria dos vereadores fazerem questão de dar uma olhada nas pesquisas, todos afirmam não ser possível confiar nelas, devido à pulverização dos votos em cada bairro. Eles atribuem estas pesquisas a candidatos que querem tirar vantagem. Os dois institutos prometeram tomar providências para tornar públicas as fraudes.

FRAUDES IDENTIFICADAS

Chorozinho e Guaraciaba do Norte: pesquisas falsas utilizam o nome do Ibope
Varjota: pesquisa forjada utilizou o nome da empresa Ceará Pesquisa de Campo
Fortaleza: as pesquisas falsas para as eleições proporcionais utilizaram os nomes dos institutos Datafolha e Vox Populi


Consulta falsa leva à prisão


O coordenador do Centro de Apoio do Ministério Público Eleitoral, Emmanuel Roberto Girão, afirma que a realização de pesquisa fraudulenta é considerada crime eleitoral e pode levar à condenação de seis meses a um ano de prisão, além de multa no valor de 50 mil a 100 mil Ufirs - que equivale hoje a aproximadamente R$ 106 mil reais.


No caso de enquetes que são divulgadas sem o esclarecimento de que não se tratam de pesquisas, o coordenador expõe que também há previsão de multa, no mesmo valor dos casos de pesquisas falsas, mas o autor não vai preso. "A enquete não é realizada de forma científica, não trabalha com amostragens", explica. Para as pesquisas que são distribuídas sem o número de registro, também há a aplicação de multa no mesmo valor das duas situações anteriores.
Com informações do Portal Vermelho

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