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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A INDÚSTRIA A SECA CONTINUA; TROCA DE VOTOS POR ÁGUA...Mobilização para que eleitores não troquem votos por abastecimento de água em tempos de seca envolve municípios cearenses. Campanha quer que famílias façam suas escolhas eleitorais de maneira consciente

FOTO-DEIVYSON TEIXEIRA
O período de seca que o Ceará vem passando e a realização da campanha eleitoral neste momento exige atenção para irregularidades como a troca de votos por abastecimento de água nas comunidades que dependem dos carros-pipa, por exemplo. Com o objetivo de mobilizar a sociedade para a questão e alertar a população mais afetada por essa prática para a denúncia será lançada a campanha “Não troque seu voto por água. A água é um direito seu!”, promovida pelo Fórum Cearense pela Vida no Semiárido (FCVSA).

Segundo Cristina Nascimento, da coordenação do FCVS e da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), há uma continuidade de uma prática histórica de troca de votos por água. Em municípios do interior, candidatos, seus representantes e aliados políticos continuam a usar a seca como instrumento de barganha de apoio e votos.]

Segundo Cristina, muitas vezes, os candidatos alardeiam que são os responsáveis pela chegada do carro pipa à comunidade, mesmo que os instrumentos de abastecimento sejam públicos. Em outros casos, pagam abastecimento em troca do compromisso de apoio.

“As famílias precisam votar, mas de forma consciente, tranquila, tendo ciência das suas conquistas e dos seus direitos”, reiterou Cristina. A ideia é trabalhar com as comunidades sobre o fato de a água ser um direito e, por isso, não cabe negociação ou troca por votos nessa relação.

Durante o evento de lançamento, haverá debate com representantes da sociedade civil e do Ministério Público Eleitoral e exibição do curta-metragem Dona Caroba em Não Troque seu voto por água.

Avanços
Cristina Nascimento apontou que as iniciativas de garantia de abastecimento, como os programas de construção de cisternas, representaram avanços para as populações e, por isso, é necessário desnaturalizar as relações que tentam perpetuar o clientelismo.

“Não dizemos que a pessoa ganhou uma cisterna, mas que ela conquistou. A água é um direito e precisamos exigir que a água seja de qualidade”, ressaltou.

A campanha e as ações que vem sendo trabalhadas com as comunidades nos últimos anos também incluem a denúncia das práticas irregulares. Segundo Cristina, é preciso fortalecer essa questão, que ainda é pouco vivenciada no País.

“Não queremos que as famílias se sintam acuadas. Queremos que se conscientizem e também possam cobrar o governo”, afirmou. A reflexão nas comunidades é um processo que inclui autoquestionamento, autocrítica, assim como a possibilidade de multiplicar o debate.
O POVO

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