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quarta-feira, 9 de abril de 2014

“No comércio da fé Jesus não passa / De um produto vendido à prestação”.



Os Poetas e Repentistas são, não raro – e este é bem um caso elucidativo! – uma espécie de radares privilegiados ou uma antena com alto potencial perceptivo. Captam com rara felicidade os sinais que circulam pelo espaço social. Com sentidos aguçados, não tardam em captar sinais de contradição espalhados em nossa realidade social, econômica, politica, cultural, religiosa. Desta faixa de um seus CDs, houve por bem selecionar três das estrofes encimadas pelo mote instigante: “No comércio da fé Jesus não passa / De um produto vendido à prestação”. 

Mesmo sabendo que não se trata de um fenômeno novo – a exploração religiosa, como se sabe, remonta a séculos em nossa conturbada história -, não há negar que o acelerado processo de globalização também se traduz por meio de valores religiosos. A chamada “teologia da prosperidade”, tão ao gosto das recentes expressões neopentecostais (alguns preferem chamar “pós-pentecostais”) constitui um exemplo paradigmático. Situação agravada em conjunturas de crise sócio-econômica, ocasião em que se fazem mais fortes e mais freqüentes os apelos à divindade, no sentido de socorrer milagrosamente desempregados, endividados, enfermos graves, lares desintegrados. Quase tudo passa do terreno das possibilidades humanas para o campo da segurança exclusive em Deus. Transfere-se para Deus tudo o que, antes, era da alçada dos homens. 

Nesse contexto, a tendência dominante é de abusar do recurso aos milagres e às magias, “em nome de Deus”. Bateu desemprego na família? Vamos apelar a Deus, trazendo a Carteira de Trabalho para ser abençoada, e fazer tornar a situação de emprego. O mesmo se estende a outros desafios. 

Não se restringe a apelar para Deus, mas também cuida de extrair vantagens. Abusa-se da recomendação ao pagamento de dízimo, de ofertas generosas, como condição explícita ou implícita de reação de Deus aos apelos formulados pela vítimas, com a mediação de pastores e padres…

Com informações do portal julianofabricio.com

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