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sexta-feira, 21 de março de 2014

Prefeito deve responder a ação do MP por improbidade administrativa em Municipio cearense; nove vereadores e dois empresários também são suspeitos


O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) informou já ter dado entrada em uma ação por improbidade administrativa contra o prefeito do Crato, Ronaldo Sampaio Gomes de Matos, o atual secretário de governo do município, Rafael Branco, além de nove vereadores e dois empresários suspeitos de pertencerem a esquema de compra de votos de parlamentares, que ficou conhecido como "mensalinho do Crato".
O anúncio foi feito pelos promotores de Justiça Lucas Felipe Azevedo de Brito e Raimundo José Bezerra Parente, responsáveis pelas investigações. O caso passou a ser apurado após vazamento da gravação de conversa entre o vereador Dárcio Luiz e o ex-prefeito Samuel Araripe.
Na gravação, o vereador afirma que o atual prefeito teria pago R$ 450 mil para que nove vereadores votassem pela desaprovação das contas do governo referentes ao exercício de 2009, de responsabilidade do ex-prefeito. Cada parlamentar teria recebido R$ 50 mil.
Ontem, durante coletiva de imprensa convocada pelo MP-CE, o promotor Raimundo José voltou a afirmar que o órgão ministerial possui farto material comprobatório da existência do "mensalinho".
O Ministério Público preferiu não solicitar o afastamento temporário dos denunciados. No entanto, conforme o promotor Lucas Felipe, tal possibilidade não está descartada. "No decorrer da ação, ou durante outras investigações, pode ser que novos afastamentos temporários sejam solicitados", diz.
Negociação
O MPCE também investiga denúncias de que o ex-prefeito Samuel Araripe tenha negociado com parlamentares ligados à base de sustentação da atual administração para que estes aprovassem as contas de governo referentes ao exercício de 2009, a partir do recebimento de pagamento. O ex-gestor também é alvo de investigações em outras sete denúncias. A reportagem apurou que, em uma delas, o ex-prefeito é acusado de desviar cerca de R$ 40 milhões de recursos destinados ao município através de convênios celebrados com o governo federal.
Embora as denúncias sejam parecidas com as acusações que pesam contra o atual gestor do município, o nome do ex-prefeito não configura na ação apresentada pelo Ministério Público.
"A denúncia que chegou ao Ministério Público, de que o ex-prefeito teria extorquido vereadores, é um fato criminal. Seria um suposto crime. A ação que nós apresentamos tem a natureza cível. Não é criminal. Nós não poderíamos misturar dois temas", explicou Lucas Felipe.
A reportagem tentou ouvir o prefeito de Crato, Ronaldo Sampaio Gomes de Matos. No entanto, as ligações não foram atendidas. Já o ex-prefeito Samuel Araripe também não foi localizado. 
Roberto Crispim
Colaborador  DO DIÁRIO DO NORDESTE

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