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segunda-feira, 17 de março de 2014

LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS - Vereadores são elo para troca de favores no CE


Apesar de cientistas políticos apontarem queda na média de vereadores ligados a bairros específicos de Fortaleza, a composição das bancadas na Câmara Municipal ainda é formada por parlamentares que garantiram um lugar no Legislativo por causa de ações executadas em determinadas regiões da Capital.  Na avaliação de especialistas, esse tipo de representação pode provocar uma série de prejuízos ao verdadeiro papel do Parlamento e o hábito dos vereadores em fazer de tudo para permanecer na base aliada do Executivo aumenta os riscos de esquecimento da comunidade, transformando esses parlamentares em falsas lideranças de bairros. 
Na atual legislatura, sete vereadores garantiram mais da metade dos votos em bairros próximos, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE). Em 2012, o vereador Vaidon Oliveira (PSDC) conseguiu 4.423 votos e 77% desse eleitorado se concentrou duas regiões vizinhas, no Cais do Porto e Vicente Pinzón. John Monteiro (PTdoB), Aonde É (PTN), Leda Moreira (PSL), Joaquim Rocha (PV), Benigno Júnior (PSC) e Bá (PTC) completam a lista.
 
O cientista político Marcos Colares alerta que o problema desse tipo de representação é que a relação entre os vereadores e as comunidades onde são votados podem terminar na simples troca de favores, transformando a tribuna da Câmara Municipal numa extensão para atender as vontades de grupos específicos.“O que se vê é que o debate de assuntos mais amplos acaba deixando de existir. Têm parlamentares muito mais ligados ao meio ambiente, à educação e esses assuntos perpassam os interesses das comunidades, beneficiando toda a cidade”, aponta Colares. 
 
Para Jamil Marques, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), esses riscos são consequência da cultura política brasileira. Ele defende que o sistema precisa adotar estratégias mais rígidas para combater esse tipo de comportamento. 
 
Falta de transparência
 
O docente acredita que a falta de transparência contribui para a manutenção desse tipo de cultura política e diz ter a impressão de que, em cidades de menor porte, a relação baseada na troca de favores se fortalece mais, devido à fragilidade no controle. “A questão é que o sistema político precisa se armar contra a cultura política”, avalia o pesquisador. Já o cientista político Horácio Frota, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), opina que a Câmara é composta por “falsas lideranças”. Apesar do parlamentares terem seus votos concentrados em determinadas regiões, ressalta que a maioria coloca os interesses do Poder Executivo à frente da vontade dos moradores que ele representa.
 
Horácio Frota exemplifica que, no debate sobre o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Fortaleza, nenhuma liderança regional se pronunciou com a preocupação de quanto o aumento iria impactar no bairro que ele representa, mas em atender ao reajuste desejado pela Prefeitura. “Os problemas do cotidiano são deixados de lado. Eles se beneficiam com os votos dos bairros, mas o compromisso é de se manter a aliança com a Prefeitura”, informa.

DIÁRIO DO NORDESTE

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