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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

VIOLÊNCIA SEM LIMITES NO CEARÁ - Quando os assaltos viram rotina

O Santuário São Francisco de Assis já sofreu três arrombamentos em 2013. Na ação mais recente, os assaltantes levaram mesas, cadeiras, sanitários, pratos, panelas e até os talheres - Foto - HUMBERTO MOTA
A padaria, localizada em Messejana, já foi alvo de 10 assaltos somente este ano. “Foi preciso contratar segurança particular, principalmente, por conta da segurança dos funcionários. Ninguém mais quer ficar no caixa, pois é o foco dos assaltantes. Eles entram e vão direto para lá”, explica a mulher de 29 anos, filha do proprietário e atualmente responsável pelo caixa do estabelecimento.

Segundo ela, o sistema de câmeras teve que ser retirado após sucessivas ameaças. “O custo para manter a segurança privada é alto. A padaria abre 5 horas e só fecha às 21 horas. Pagamos tantos impostos e não temos o direito a esse item básico”, reclama Dangela. 

Na Cidade dos Funcionários, uma outra padaria sofreu três assaltos apenas em agosto. As ações, segundo o proprietário, foram praticadas pela mesma dupla e registradas pelas câmeras do estabelecimento. “Levaram até a aliança de um dos clientes. E a Polícia tem as gravações, mas até hoje ninguém foi preso”, diz. O maior prejuízo, para ele, não é valor retirado do caixa, mas o fato da clientela ter os bens subtraídos e deixar de frequentar o local. 

“O primeiro assalto foi pela manhã. O segundo e o terceiro por volta das 15 horas. Chegaram a levar o notebook de uma pessoa que estava lanchando nas mesas. Tivemos que aumentar a questão da proteção. Os clientes e os próprios funcionários cobram isso. Colocamos um segurança na calçada. Para continuar funcionando temos que investir em segurança. E é caro. O nosso sistema de vigilância já conta com 32 câmeras, um custo alto para manter”, explica o proprietário.

Igreja

Uma igreja, localizada no bairro Jacarecanga, também foi vítima de ações violentas consecutivas este ano. O Santuário São Francisco de Assis, famoso pela ausência de telhado, já sofreu três arrombamentos. Na primeira ação foram serradas grades e levado o recém-adquirido sistema de som. Prejuízo de cerca de R$ 16 mil, segundo o padre Francisco Bezerra do Carmo, responsável pela Paróquia São Francisco de Assis.

No segundo caso, foi levada a tampa de mármore que compõe o altar. “Venderam por R$ 10 e o comprador veio devolver”, diz o padre. Na ação mais recente, vários setores e compartimentos anexos foram invadidos. Os assaltantes levaram mesas, cadeiras, sanitários, pratos, panelas e até os talheres.

O padre explica que as medidas de segurança possíveis foram tomadas. Parte do muro foi elevada e o santuário só abre as portas quando há celebrações. “Os próprios fiéis começaram a ter mais cuidado, vem e voltam para a missa apenas em grupos”, diz. O sonho, agora, é reformar o prédio e ter verbas suficientes para instalar cerca elétrica, câmeras e um sistema de alarme.

O POVO não divulga o nome das vítimas para preservá-las.
O POVO

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