ABAS

domingo, 24 de novembro de 2013

De Collor ao Mensalão: o que os escândalos na Política ensinaram ao Brasil

Os ex-presidentes Collor, Sarney, Lula e Fernando Henrique com Dilma, no Palácio da Alvorada, onde foram recebidos em almoço após a cerimônia de instalação da Comissão da Verdade - Imagem: Portal G1
Duas décadas após a queda de Collor, casos como as recentes prisões do mensalão revelam que - apesar das lições acumuladas - ainda há muito por fazer para que o País elimine estado cíclico de escândalos...
Vinte e um anos após denúncias de corrupção levarem um presidente da República ao impeachment, o brasileiro volta a enxergar cenas de mais um escândalo envolvendo personagens centrais do poder. As prisões dos 11 primeiros condenados do mensalão, repetida mais de duas décadas após os “caras pintadas” e a queda de Fernando Collor de Mello, revelam que – apesar das lições acumuladas – ainda há muito por fazer para que País se desligue do estado quase cíclico de escândalos políticos.

Os episódios não possuem governo ou partidos definidos: desde a redemocratização, cada gestão, desde os pouco mais de dois anos de Collor e Itamar Franco aos oito anos de Lula e Fernando Henrique Cardoso, teve sua parcela de polêmicas. Em meio a tudo isso, escândalos que marcaram negativamente governos e criaram personagens históricos no processo.

“Interesses escusos sempre existiram e sempre vão existir. Esses interesses de tomar o caminho da fraude, da compra da licitação, de buscar levar vantagem. Então, não se pode exigir que simplesmente não existam corruptos. É o Estado que deve se preparar para se defender deles. E, enquanto o Estado não estiver preparado, nós vamos continuar sofrendo com esse tipo de problema”, avalia o professor Francisco Moreira Ribeiro, coordenador do departamento de Ciências Políticas da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Entre os principais desafios apontados pelos cientistas políticos, a carência de legislação mais “blindada” e a falta de controle social e transparência das instituições públicas, além da ausência de punições efetivas aos corruptos. Exemplos para o último caso não faltam, com o brasileiro já estando acostumado a observar os mesmos atores políticos envolvidos em mais de um episódio criminoso - muitas vezes se reelegendo e alcançando cargos ainda mais altos nas eleições seguintes.

Apesar dos sinais de que ainda vai demorar para vivermos em uma sociedade “limpa”, a história também mostra que pontos baixos da democracia também deixam sua parcela de aprendizados. Foi a queda de Collor, por exemplo que pressionou os seus sucessores a institucionalizar o País, estabilizando a democracia brasileira.

Houve também avanços específicos: o próprio mensalão provocou avanços na legislação eleitoral da época, enquanto os Anões do Orçamento acabaram influenciando na aprovação da Lei de Licitações, que, apesar de ter elevado a um novo patamar a legislação de combate à corrupção, já se mostra incapaz de controlar irregularidades entre empresas e poder.
O POVO

Nenhum comentário: