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domingo, 6 de outubro de 2013

Cid precisa da velha (e cara) aliança


Da coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (6):
Resolvida a filiação partidária, Cid Gomes e seu prosaico partido terão agora novas e duras tarefas pela frente relacionadas à construção da aliança de 2014. O quadro já não lhe será tão favorável como foi o de 2010. Mais do que nunca, o governador dependerá da boa vontade do PT e do PMDB para promover uma sucessão segura.
No Brasil, a coisa funciona assim: o mandato é dos partidos, mas se um parlamentar sair para uma sigla em fundação leva para o novo abrigo a sua fatia de tempo na TV, que vale ouros nas campanhas eleitorais. Daí, o balcão da troca de partidos ganhou muito mais vigor.
O fato é que partidos como o PSB, PDT, PSDB e DEM perderam tempo na TV. Siglas novas no mercado político, como o Pros e o Solidariedade, são os mais recentes donatários dessa mercadoria. Há cerca de um ano, o PSD já havia sugado parte do tempo das siglas que estão fora do arco de poder.
Fechada a janela das filiações, a política passa a contabilizar o novo tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. São as novas composições quantitativas que vão definir quanto cada sigla terá de tempo no horário eleitoral gratuito.
Pelas últimas contas, sabe-se que o Pros já nasce com cerca de 30 deputados federais. Beneficiado pelo milagre da multiplicação de filiados com mandatos, a sigla, que nem programa tem, já veio ao mundo como a sétima maior bancada na Câmara dos Deputados.
Porém, um Pros sozinho não faz verão nas disputas estaduais. O partido, que nasceu para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, precisará de alianças nos estados para seguir em frente. No caso do Ceará, a sigla deverá ter o seu próprio candidato a governador.
Ou seja, no Ceará, o Pros depende do PMDB e do PT para bancar uma candidatura forte à sucessão de Cid Gomes.
Com o PT, a coisa parece mais tranquila. Afinal, o foco do partido é a reeleição de Dilma. Então, Cid apoia Dilma e o PT apoia Cid. É evidente que o PT de José Nobre Guimarães vai cobrar caro pela fatura.
O mais complicado mesmo é a conversa do Pros com o PMDB, que é controlado por Eunício Oliveira. O senador se encontra em pré-campanha para o Governo. Na encruzilhada, são dois os caminhos: convencer Eunício a desistir de ser candidato ao Governo e apoiar o escolhido de Cid ou Cid apoiar Eunício para o Governo, coisa que, a preço de hoje, não parece provável.
Em 2010, não havia essa encruzilhada. Certamente, o Palácio do Planalto vai entrar como mediador de tal peleja a favor de Cid. É o custo das fidelidades. Mundos e fundos vão passar a compor as conversas.
Postado também no Blog do Eliomar

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