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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Aqui no Ceará, sem equipamentos, UPAs novas viram prédios fantasmas

Reprodução
Onze Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) que deveriam receber pacientes estão fechadas no Ceará. As construções são novinhas – mas já viraram prédios fantasmas.
Além da crise nos rins, Seu José agora está exausto. Foram seis horas de estrada de Iguatu, no interior do Ceará, a Fortaleza para conseguir atendimento num hospital.

"É sofrido porque, o carro vem de lá pra cá, quase 500 quilômetros pra fazer tratamento aqui", lamenta o agricultor José Jucá da Silva
Tanto sacrifício poderia ser evitado. No município de Seu José, uma Unidade de Pronto Atendimento foi construída há um ano, mas nunca funcionou.
A Secretaria Estadual de Saúde reconhece que outras dez UPAs estão na mesma situação.
A estrutura está pronta, mas faltam equipamentos e pessoal.
Em São Gonçalo do Amarante, a UPA também está abandonada há um ano. A estrutura já está enferrujada.
Cada unidade pode prestar atendimento de urgência para adultos e crianças. Casos, por exemplo, de traumas ortopédicos, pressão alta, febre, primeiros socorros, cortes, queimaduras. As salas já estão, inclusive, todas sinalizadas como uma sala de observação, que já tem até mesmo tubos para canalização de oxigênio.

No município de Horizonte, a UPA que nunca foi usada serve agora de ponto de encontro para usuários de drogas. Motivo de medo para os vizinhos.
"Aí a noite é concentração de tudo. E aí é o retrato que tá mostrando aí: é pichação", diz um morador, que preferiu não se identificar.
Com o pé inchado, Dona Zenilda poderia ser atendida na UPA em frente de casa. Mas, sempre que precisou, teve de arranjar carona para ir até o hospital da cidade.
"Aí se tivesse aqui? Não precisava nem carro. Ia a pé, né?", diz a aposentada Zenilda Domingues.
As unidades são implantadas pelos estados com recursos do governo federal. Os municípios são responsáveis pela gestão.

"Há um tipo de problema que deriva do acerto entre os municípios. Houve uma eleição municipal, prefeitos que desmontaram suas máquinas de saúde; esse é um tipo de problema. Outro tipo de problema são os equipamentos e isso muitas vezes tem haver com licitação, impugnação de licitação. É preciso ter clareza que as coisas não são fáceis", justifica o secretário de Saúde, Ciro Gomes.
O secretário de Saúde disse ainda as onze UPAs devem começar a funcionar até dezembro.
Reportagem do Jornal Bom Dia Brasil - Edição do dia 24/10/2013

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