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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vereadores são presos acusados de receber propina


Três vereadores de Cavalcante, no nordeste goiano, foram presos, no final da tarde de quarta-feira (25), após serem flagrados recebendo uma maleta com R$ 20 mil, em Goiânia . Segundo a Polícia Civil, o dinheiro seria parte dos R$ 250 mil que os parlamentares pediram ao prefeito da cidade, João Pereira da Silva Neto (PTC), para que projetos fossem aprovados na Câmara de Vereadores. À polícia, os políticos negam a extorsão e afirmam que desconheciam o conteúdo da mala.
A denúncia partiu do próprio prefeito, e de seu filho, Wolney Neves, que é secretário de Turismo de Cavalcante. Eles alegam que as tentativas de extorsão eram recorrentes e que por isso decidiram denunciar e gravar as imagens.
No mesmo dia, antes de entregar o dinheiro, o filho do prefeito se encontrou com os vereadores Sival Alves Borges (PTB) e com o presidente da Câmara, Augusto dos Santos Sousa (PR). O encontro aconteceu no estacionamento de um shopping de Goiânia.
A conversa foi registrada por Neves, que finge tentar negociar a data da entrega do dinheiro: "Não dou conta de levantar esse dinheiro e entregar hoje para vocês. Vou ser sincero para vocês. Só para mostrar um sinal de fé, eu tento arrumar R$ 20 mil e entrego hoje no final do dia para vocês".

Como combinado, o secretário e os dois vereadores se encontram no final da tarde em frente à sede da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), na capital, onde autoridades estavam reunidas para um evento de doação de ambulâncias aos municípios. Os parlamentares foram acompanhados por outro vereador: Geraldo Pereiera dos Santos Júnior (PV). A situação também foi gravada em uma câmera escondida. No vídeo, Neves diz : "Arrumei os R$ 20 mil e deixei aí. Está tudo separadinho aí".
O filho do prefeito contou ao G1 que os vereadores pediram R$ 300 mil. "Pedi que eles diminuíssem o valor para R$ 250 mil. Então combinamos de repassar a primeira parcela quando o evento na OVG acabasse”, conta Neves.
G1 tentou contato com o advogado dos vereadores, mas ele não atendeu às ligações até a publicação da reportagem.
Filho do prefeito se encontra com vereadores em shopping (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Extorsão
O secretário de Turismo conta que desde o começo do ano o pai enfrentava dificuldade na aprovação de projetos na Câmara de Vereadores. “Em agosto a situação ficou pior. Foi quando cinco vereadores fizeram a proposta. Começamos a ficar com medo”, afirma.
Neves explica que o prefeito havia proposto projeto de 30% de suplementação, que consiste em transferir dinheiro de uma secretaria para outra. “Eles disseram que, se pagássemos o que eles queriam, aprovavam 15%. Como não cedemos, eles aprovaram 4%, o que só foi suficiente para o pagamento da folha dos funcionários no mês de agosto”, afirmou.
O secretário de turismo ressalta que a situação estava insustentável, por isso, eles “tomaram coragem e procuraram a delegacia”.  No flagrante, segundo Neves, estavam apenas três dos cinco vereadores acusados de extorquir o prefeito. Com medo de retaliação, o prefeito e o filho vão ser acompanhados por escolta na viagem de volta a Cavalcante.
Investigação
Indignado com a extorsão, o prefeito já havia procurado a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Derccap), em agosto. “Há cerca de três semanas ele nos procurou, mas não deu continuidade à denúncia”, informou o delegado responsável pelo caso, Marco Antônio Morbeck.
Com as imagens do encontro no shopping, José Neto e o filho foram à delegacia  na quarta-feira e contaram do encontro para o pagamento da primeira parcela. Policiais acompanharam a entrega do dinheiro e prenderam os vereadores.
O delegado afirmou que os três parlamentares já prestaram depoimento, acompanhados do advogado. “Eles negam a extorsão. Dizem que não sabiam nem o que tinha na maleta. Eles contaram que o secretário disse para eles segurarem a maleta e eles seguraram”, afirma o delegado.
De acordo com o delegado, os vereadores afirmaram que a extorsão, na verdade, se trata de uma “armação do prefeito”. “Eles disseram que o prefeito fez tudo isso porque eles são da oposição”, ressalta Marco Antônio Morbeck .
O secretário de turismo negou a acusação de que eles teriam armado qualquer coisa. “A gente tem a gravação de tudo. Inclusive, de encontros anteriores em uma pista de aeroporto e na própria Câmara”, ressalta Neves.
“Se os vereadores aprovaram o projeto com entendimento político ou com entendimento para beneficiar a população, eu não sei. No entanto, a situação aconteceu. Eles pegaram o dinheiro e flagramos isso”, afirma o delegado. Os vereadores foram encaminhados para a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios, pois na Derccap não há cela. Até o início da tarde, eles ainda estavam detidos.
O delegado afirma que vai enviar as imagens e gravações para a análise pericial. "A investigação continua, pois vamos averiguar a participação dos outros dois vereadores que também fariam parte do grupo, mas que não estavam no momento do flagrante", esclareceu.
DO PORTAL G1 GO

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