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sábado, 21 de setembro de 2013

SHOWS DO GOVERNO - Oposição denuncia desmandos


Com números colhidos pela Procuradoria de Contas do TCE, Heitor chama de bandalheira a contratação de bandas

O clima entre a oposição e a base governista ficou tenso durante a sessão ordinária de ontem, quando o deputado Heitor Férrer (PDT) denunciou, na tribuna da Assembleia Legislativa, os gastos do Governo do Estado com shows, que, segundo ele, foram superfaturados. Para aliados do governador Cid Gomes, os valores, até três vezes maiores que os realizados em outros estados, se justificam devido ao período em que ocorreram tais eventos, a exemplo das férias de julho.
















O deputado Dedé Teixeira chegou a defender o governador Cid Gomes contra as acusações de Heitor Férrer, justificando que os shows promovidos pelo Governo do Estado oferecem opções gratuitas de lazer à população de baixa renda Foto: JL ROSA

"O governador torrou R$ 86 milhões com shows de bandas de forró", disse o deputado pedetista em seu pronunciamento da tribuna da Casa. Ele ressaltou também que Cid Gomes insistiu durante todo o seu Governo a prática do "pão e circo" em detrimento de políticas públicas importantes para a sociedade cearense. Segundo o parlamentar, os muitos shows contratados pela gestão do atual governador foram o triplo do contratado em outras praças.

"Aí temos a falta de focar o que é prioritário e o que é supérfluo. Gastar R$ 86 milhões em festas, com shows artísticos e bandas é bandalheira. O Ministério Público de Contas confirma os números oficiais e o empresário do cantor Jorge Vercilo, por exemplo, diz ser normal cobrar mais por shows corporativos, mas negou ter recebido R$ 135 pelo show", disse o pedetista.

Muito grave
A produtora de Gilberto Gil também negou os valores citados, conforme matéria na Folha de São Paulo. Ela contestou os dados do Diário Oficial do Estado (DOE), onde está colocado que foram investidos mais de R$ 800 mil pelos quatro shows feitos no Ceará.

"A Folha de São Paulo já buscou os cantores que negam o recebimento do valor e isso é muito grave para a moral do Governo. Isso é muito grave para um Governo que se diz sério. Eu questionei, quando certa vez ele me fez uma indireta e eu nunca disse que ele era desonesto, mas não poderia dizer isso de seu Governo. É um Governo desonesto o de Cid Gomes. Tem praticado escândalo em cima de escândalo", disse ele, ressaltando o caso dos consignados.

Justificando os gastos do Governo do Estado com shows, o líder do Governo, José Sarto (PSB), afirmou que há diferença de preços nos gastos de acordo com os dias e datas comemorativas, como aqueles feitos aos fins de semana e em Réveillon, por exemplo. "O mais importante e que o deputado Heitor não sabia é que esses cantores não são contratados pelo Governo estadual. Se o Governo ou a Prefeitura quiser contratar, por exemplo, o Roberto Carlos, ele terá que contratar uma empresa com contrato de exclusividade desse artista", disse.

Segundo o pessebista, todos os cantores foram contratados no período de férias. "O show da Zélia Duncan foi para quatro dias de 28 a 31 de julho de 2011 e cada show custou R$ 140 mil. Cinco dias depois ela cantou em João Pessoa por R$ 37 mil". Segundo ele, no show privado do Paul MCartney trouxe mais de 30 mil toneladas de equipamentos e o cachê do artista foi de US$ 1 milhão. "Não existe nenhuma infração a qualquer preceito legal ou regimental", disse.

José Sarto disse ainda que o Ministério Público de Contas presta um desserviço à população, pois apresenta informações que não são verídicas. Dedé Teixeira (PT), que já foi prefeito de Icapui, disse que o projeto Férias no Ceará representou algo importante para que a população mais carente tivesse acesso a eventos musicais que antes não aconteciam.

"A população tem que ter acesso aos meios culturais e a ação do Governo é extremamente importante com foco na juventude e o Governo provará que fez a coisa correta". Sarto disse que foram gastos R$ 800 milhões somente na construção das escolas profissionalizantes. E reclamou de fala de Heitor que disse que os shows foram superfaturados. 

Diário do Nordeste

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