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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Presa por corrupção, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado financeiro e formação de quadrilha: "Imaginei que cinco dias na cadeia eram o inferno, mas hoje tenho certeza de que foi só o purgatório. O inferno é o que vivo hoje"

Luciane Hoepers, presa por corrupção, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado financeiro e formação de quadrilha: "Imaginei que cinco dias na cadeia eram o inferno, mas hoje tenho certeza de que foi só o purgatório. O inferno é o que vivo hoje"
Luciane Hoepers, presa por corrupção, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado financeiro e formação de quadrilha: "Imaginei que cinco dias na cadeia eram o inferno, mas hoje tenho certeza de que foi só o purgatório. O inferno é o que vivo hoje" (Reprodução/Facebook)

'Inferno é o que vivo hoje', diz modelo acusada de aliciar prefeitos

Luciane Hoepers, 33 anos, olhos verdes e corpo escultural, rebate em entrevista a VEJA acusação de trabalhar como 'pastinha' de organização criminosa: 'Ser bonita ajuda a ser vista, mas nunca a fechar negócios'

Aos 33 anos, a catarinense Luciane Hoepers se transformou numa espécie de “musa do crime” depois de ser presa pela Polícia Federal no último dia 19. A operação Miqueias investigava uma quadrilha suspeita de fraudar fundos de pensão de prefeituras e levou para a cadeia vinte pessoas, entre elas um conhecido doleiro de Brasília. De olhos verdes e corpo escultural, Luciane, que já fez diversos ensaios sensuais e participou de programas de televisão, seria uma das armas da organização para atrair prefeitos a investirem nos “fundos podres”, que teriam baixa rentabilidade, de acordo com a PF. 
Em uma conversa de quase três horas com a reportagem de VEJA, Luciane contou como começou a trabalhar na Invista Investimentos Inteligentes – acusada de vender fundos de investimentos podres para prefeituras – e como pretende se defender das acusações de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crime contra o mercado financeiro. “Estou extremamente abalada. Imaginei que cinco dias na cadeia eram o inferno, mas hoje tenho certeza de que foi só o purgatório. O inferno é o que vivo hoje”, diz.

Segundo a PF, você fazia parte de um sofisticado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Dentro da organização, sua função era a de 'pastinha'. Como funcionava esse trabalho? Primeiramente, não há uma organização criminosa. Nosso trabalho era apresentar uma solução rentável para os investimentos dos fundos de previdência dos municípios. Como a maioria dos institutos de previdência possui concentração de investimentos em fundos de bancos públicos, e estes estão em queda constante de rentabilidade por sua carteira serem constituídas apenas de títulos públicos, nosso trabalho era apresentar a eles fundos de bancos privados, com créditos privados, selecionados em segmentos em expansão e com garantias reais. Não existem fundos fraudulentos e muitos menos criados para dar prejuízo, visto que todos têm pelo menos 50 milhões de reais em captação e são registrados nos órgãos competentes.
Ainda de acordo com a PF, as 'pastinhas' usavam a beleza para seduzir os prefeitos e levá-los a investir nos fundos podres. Nunca existiu isso. Ser bonita apenas nos ajudava a sermos vistas, mas nunca a fechar negócios. Os prefeitos nem decidem sobre esses investimentos. Eles são de responsabilidade de um conselho de oito representantes, mais dois gestores e um comitê de investimentos de quatro pessoas. Os prefeitos não assinam o processo, e éramos todas capacitadas para o trabalho e conhecedoras do assunto.
Havia pagamento de propina para os prefeitos? Quantos contratos você fechou com prefeituras? Somente uma prefeitura fez negócio comigo e nunca assumi pagar qualquer propina para qualquer pessoa. Isso não existia.
Como você começou a trabalhar na empresa? Trabalhava em uma empresa privada, e um amigo em comum do Carlos Eduardo Carneiro Lemos, também preso na operação, me apresentou a empresa, pois acreditava que meu perfil se encaixava no trabalho, pela minha inteligência e boa comunicação. O Eduardo era o responsável pela Invista.
Como era o seu relacionamento com o doleiro Fayed Troubosli? Sou muita próxima dele, assim como de outros acusados. Ele é um homem de muitas qualidades e que possui muitos amigos. Em Brasília, ele é muito respeitado pelo seu caráter.
Você foi presa por corrupção, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado financeiro e formação de quadrilha. Como se defende dessas acusações? No inquérito estão claras as possíveis acusações, mas a imprensa distorceu muita coisa. Foi citada prostituição e até o caso de eu posar para a Playboy, e nem a delegada admite que isso ocorreu. O processo é longo e muitas coisas serão esclarecidas.
O inquérito aponta o envolvimento de deputados estaduais e federais no esquema, especialmente do estado de Goiás. Qual a participação deles? Não existe nenhuma participação deles. Repito que não há uma organização criminosa. Eles me atenderam para apresentação de algo bom para a administração pública. Nunca passou disto. Eles não queriam se envolver neste departamento de previdência. Continuamos amigos mesmo assim. Estou muito abalada nestes dias com tantas acusações, mas me coloco à disposição para todos os esclarecimentos aos envolvidos, partidos políticos e Câmara dos Deputados.
Do do Portal de Veja

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