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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Silêncio na Secretaria da Segurança Pública do Ceará é marca da gestão


Diante de um cenário de crise por conta de índices de violência no Ceará, a Secretaria da Segurança pouco se pronuncia. A postura dá margem a desconfianças e aumento da sensação de insegurança...


Mês a mês, a barra estatística da criminalidade no Ceará aumenta. Mais assaltos, mais roubos, mais gente morta. O Estado vive uma violência sem precedentes. E amarga um silêncio das autoridades responsáveis pela segurança considerado intrigante por entidades representativas de policiais civis e militares, estudiosos, Ministério Público, imprensa e sociedade civil.

Há quem avalie essa postura como estratégica. “E, ao mesmo tempo, uma falha gritante. Compreendo como uma decisão para tentar não manchar a imagem perante organismos internacionais, especialmente a Fifa (devido à Copa das Confederações, ocorrida este ano, e à Copa do Mundo, em junho de 2014). É preocupante. O silêncio mostra que há algo errado. Porque não existe silêncio no setor do turismo, da captação de recursos etc. A questão é que o Governo não admite ter errado no modelo escolhido e fica procurando causas que justifiquem a criminalidade”, analisa o pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV/UFC), Marcos Silva.


Em 2013, o Ceará alcançou a marca de 11 homicídios dolosos por dia. Mata-se mais em Fortaleza (quatro/dia) do que em São Paulo, cidade com população 4,5 vezes maior. Mas a SSPDS pouco vem a público de forma voluntária para avaliar a crise e prestar contas do trabalho desenvolvido na área. Quando fala, quase sempre, é de forma pontual, diante da procura de jornais e emissoras de rádio e TV. Ainda assim, com ressalvas. Ao O POVO, inúmeras entrevistas já foram negadas.

Um sinal de retrocesso para o coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas Conflitualidade e Violência (Covio/Uece), Geovani Jacó. “Na área da segurança, esse governo mudou radicalmente para pior na segunda gestão (quando saiu o secretário Roberto Monteiro e entrou o atual, coronel Francisco Bezerra). O governo está blindado e com um projeto que não dialoga. Todas as atribuições estão nas mãos de um secretário e um comandante de Polícia dessintonizados com uma política cidadã adequada à perspectiva democrática assumida em estados campeões de criminalidade e que, pela mudança de eixo, reduziram os índices. Aqui, vemos o alijamento da sociedade e a blindagem do governo. Temos um governo que não admite críticas e uma Polícia que não faz autocrítica. Estamos vendo a falência do sistema de segurança.”

Também há queixas quanto à divulgação dos indicadores criminais, obrigação prevista na Lei Federal nº 12.527 (a chamada Lei de Acesso à Informação). Até ontem, 4, por exemplo, a SSPDS não havia divulgado os dados referentes a junho. O POVO já denunciou várias vezes a recorrência dessa demora. “O silêncio é falta de respeito! Significa prepotência. Se calam para o problema sumir. Mas o problema não some. Ele só aumenta. É uma estratégia burra. Esse silêncio me deixa é mais insegura. A gente tem o direito de ir e vir; e eles o dever de patrocinar uma segurança eficiente. O Governo tem que tomar a responsabilidade para si. Mas há quase uma omissão conivente com a violência. Virar a cara para o caos é absurdo”, critica uma das organizadoras do movimento “Fortaleza Apavorada”, Eliana Braga.

Para esta reportagem, O POVO tentou entrevistar o secretário Francisco Bezerra desde 22 de julho. Após 14 dias e várias ligações, a assessoria do coronel pediu que perguntas fossem enviadas por e-mail. Até o fechamento da página, nenhuma resposta havia sido dada, a exemplo do ocorrido em procedimentos anteriores adotados pela SSPDS.
O POVO

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