ABAS

domingo, 11 de agosto de 2013

Pai, obrigado pelo suor de cada dia, obrigado pelas palavras mesmo quando foram duras, obrigado por tantos sins e também pelos nãos, obrigado por deixar e também por impedir, obrigado pelas lágrimas e pelos sorrisos

(Homenagem ao meu querido e companheiro Pai, José Távora)


Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos manchados de terra... 
Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos manchados de terra; 
Dá-me o teu antigo paletó sujo de ventos e de chuvas; 
Dá-me o imemorial chapéu com que cobrias a tua paciência... 
E os misteriosos papéis em que teus versos inscreveste. 

Meu pai, dá-me a tua pequena chave das grandes portas; 
Dá-me a tua lamparina de rolha, estranha bailarina das insônias; 
Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos.

VINICIUS DE MORAES

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