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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

NEM MESMO AS CELEBRAÇÕES RELIGIOSAS ESTÃO LIVRES DA CRIMINALIDADE: ONDA DE VIOLÊNCIA - Igrejas da Capital optam por segurança particular

Bandidos realizam assaltos e furtos nos templos e arredores, assustando os frequentadores
O problema não é novo, já tendo sido noticiado, inclusive, pelo Diário do Nordeste. A falta de segurança que assola a Capital cearense não distingue mais hora nem lugar, chegando até mesmo ao âmbito religioso, como as igrejas de Fortaleza. Seja dentro ou no entorno delas, diversas já sofreram com ações de bandidos e, para se protegerem, muitas vêm recorrendo, por conta própria, no investimento em segurança privada, com o objetivo de trazer mais tranquilidade aos seus frequentadores.























Mesmo com apoio do Ronda do Quarteirão, assaltos continuavam no Santuário de Fátima. A igreja contratou, então, segurança particular Foto: Kleber A. Gonçalves

No Santuário de Fátima, no bairro que leva o mesmo nome, algumas pessoas já foram abordadas por assaltantes na saída da igreja quando estavam em seus veículos, ou mesmo nos arredores, conforme ressalta o pároco do templo, Francisco Ivan de Sousa. Apesar do apoio do Ronda do Quarteirão, diz o padre, as ações continuam, dentro e fora do lugar.

"Aqui dentro, esses pequenos furtos acontecem de vez em quando, é um microfone, um fio, uma torneira. Nessas ruas ao redor, que são muito visadas, ocorre também roubos de carros", esclarece.

Para se precaver, explica o religioso, há cerca de quatro anos a igreja contratou uma empresa de segurança particular, com sistema de monitoramento por meio de câmeras de vigilância e alarme, além de, hoje, orientar o público a estar mais atento quanto à sua segurança.

"Estamos abertos de 5h30 às 21h e por isso essa segurança. Dessa forma, os fiéis se sentem mais confortáveis e mais seguros", afirma.

Perigo

Na Capela Nossa Senhora do Loreto, da Base Aérea de Fortaleza, grades já foram instaladas como forma de proteção, uma vez que a igreja foi vítima de furto de objetos litúrgicos.

Na saída, especialmente nas celebrações durante a noite, a maior preocupação é mesmo com os fiéis, que se deparam com uma área bastante perigosa da Capital. Enquanto a reportagem esteve no local, viaturas do Ronda do Quarteirão foram vistas fazendo o policiamento, o que, no entanto, não reduz o temor das pessoas.

Frequentando a capela cerca de três vezes por semana, entre missas e grupos de orações, a vendedora Zildimar dos Santos, 36, que mora no bairro Castelão e vai para casa de ônibus, explica que procura sair do local sempre em grupos com medo da ação de assaltantes. "Estamos do lado do Lagamar, então temos receio, mas a falta de segurança está em todo o lugar e, se formos parar de fazer nossas coisas, ficaremos apenas em casa. Cada vez mais temos que confiar em Deus e colocar nossa segurança nele", destaca.

A dona de casa Joelma Paiva, 31, também acredita que o problema é geral e diz escutar muitos relatos de assaltos na parada de ônibus bem ao lado da capela. "O que nos resta é pedir a proteção divina. Mas é claro que se tiver mais policiamento a gente se sente bem mais seguro", diz.

A Igreja do Carmo, no Centro de Fortaleza, também já viveu dias ruins. Hoje, a paróquia conta com dois seguranças particulares, responsáveis pela segurança interna do templo, além de câmeras de vigilância e alarme.

De acordo com o padre Jairo Barbosa, quando são realizados eventos na parte externa, é mandado, ainda, ofício às autoridades solicitando reforço no policiamento.

Segundo ele, as medidas preventivas tomadas foram suficientes para deixarem o local mais seguro. "Como aqui é central, passava muita gente, inclusive, pessoas de má-fé. Se nós não tivéssemos essa precaução, certamente teríamos situações desagradáveis. Com essas medidas não temos mais, hoje, esse sentimento de violência", ressalta.

A reportagem tentou contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para esclarecer sobre o policiamento nas paróquias, mas as ligações não foram atendidas. 
DIÁRIO DO NORDESTE

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