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sábado, 3 de agosto de 2013

EDITORIAL DO JORNAL O POVO ABORDA PROBLEMÁTICA DA SECA NO CEARÁ - Agravamento da seca: seres humanos “não descartáveis”


Os cearenses acabam de se deparar com o levantamento realizado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) segundo o qual mais da metade (51,3%) dos açudes públicos do Ceará está com volume de água inferior a 30%. A constatação chega no momento em que o Estado está prestes a iniciar o período normal e mais agudo de escassez de chuvas.
Foi levada em conta para o cálculo a situação dos 144 açudes construídos pelos governos Estadual e Federal e monitorados diariamente pela Cogerh e pelo Dnocs. Pela checagem realizada, as bacias hidrográficas do Banabuiú e do Alto Jaguaribe são as mais afetadas. O déficit fica visível quando se compara o período de maior pluviosidade com o ocorrido no ano passado: a redução das precipitações foi de 36%.
O fato de Fortaleza não correr o risco de ter o abastecimento afetado, graças ao fornecimento de água pelo Castanhão (embora este esteja apenas com metade do armazenamento, cuja capacidade total é de três bilhões de metros cúbicos), não deveria produzir a tranquilidade que se observa na maioria dos representantes do povo cearense. A perspectiva é aterradora para as populações das áreas menos providas de recursos hídricos, que já vivem uma situação de quase desespero, muito antes do ingresso nos meses mais cáusticos, que vêm pela frente.
Diante disso, urge a mobilização de providências logísticas para enfrentar a quadra dificílima que se aproxima. Antes que cidades inteiras fiquem totalmente desprovidas de abastecimento – como já se prenuncia claramente – a palavra de ordem deveria ser a convocação de todos os recursos possíveis para tornar essa travessia o menos trágica possível.
A construção de adutoras (além de poços artesianos), por exemplo, para alguns desses centros urbanos que têm possibilidade de ter acesso a esse tipo de equipamento, torna-se imperativa, visto que a demanda de água não conseguirá ser realizada de forma mínima por meio de carros-pipa. Ou seja: esta deveria ser a prioridade das prioridades do governo do Estado, neste momento, pois se trata da vida de seres humanos “não descartáveis”, como diria o papa Francisco.
(O POVO / Editorial)

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