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segunda-feira, 29 de julho de 2013

A INDÚSTRIA DA SECA CONTINUA VIVA MAIS DO QUE NUNCA: ESTIAGEM - Doações para vítimas da seca sofrem redução

As últimas chuvas registradas no Estado não foram suficientes para melhorar a situação dos municípios
Embora tenham aliviado, ainda que de forma sutil, a intensa estiagem que atinge quase todos os municípios cearenses, as recentes chuvas registradas no Estado nas últimas semanas não foram suficientes para ajudar dezenas de cidades afetadas por crises no abastecimento de água e de alimentos. Há cerca de um ano, grande parte das localidades em estado de emergência depende basicamente das doações arrecadadas em campanhas promovidas pelos órgãos de defesa social. No entanto, apesar de a demanda continuar crescendo, as contribuições têm diminuído.










A Defesa Civil tem mais de 70 pedidos de cestas básicas em espera e apenas 200 kg de alimentos em estoque. A fonte de subsistência de alguns municípios cearenses no momento tem sido as doações Foto: Antônio Carlos Alves

Segundo a Defesa Civil do Ceará, a Força Solidária, mobilização promovida pelo órgão em parceria com o Corpo de Bombeiros, teve seu auge no início de 2013, quando o Revéillon da Solidariedade no Aterro da Praia de Iracema incentivou a colaboração da população com mantimentos. Mas, desde então, as doações foram reduzidas progressivamente e, ao longo de seis meses, tiveram uma queda de aproximadamente 90%.

Enquanto isso, no momento, a Defesa Civil possui mais de 70 solicitações de cestas básicas em espera e apenas 200 kg de alimentos em estoque. Os pedidos foram feitos por municípios cuja principal e talvez única fonte de subsistência no momento são as coletas.

No Estado, pelo menos 20 mil cestas são requisitadas e, conforme Ioneide Araújo, assessora técnica do órgão, novas demandas chegam todos os dias.

"As chuvas dos últimos dias fizeram as pessoas pensarem que a situação no Interior está resolvida, mas a demanda reprimida de alimentos continua. Não tivemos recarga significativa dos mananciais hídricos e registramos muitas perdas de safra. Como o abastecimento dessas cidades depende das campanhas, só podemos atender se as doações voltarem", destaca.

A maior preocupação da Defesa Civil é o fato de que a seca tende a se intensificar nos próximos meses. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), as precipitações vistas recentemente não são comuns e devem cessar ainda na primeira quinzena de agosto. "Vamos começar o período mais difícil agora, por isso precisamos que as pessoas colaborarem e exercitem a solidariedade", pontua Ioneide.

Apesar da queda nas doações, a assessora técnica destaca que a campanha já conseguiu auxiliar muitas pessoas neste ano. Até o último mês de maio, foram angariados mais de 178 mil kg de alimentos e 196 mil litros de água. A população já recebeu 11 mil cestas básicas e 147mil litros do recurso hídrico.

Auxílio
Ademar Holanda, membro permanente da Secretaria de Desenvolvimento Agrário no Comitê Integrado de Combate à Seca, afirma que, na falta de arrecadações, as famílias carentes têm contado com o auxílio de programas de transferência de renda, como o Bolsa Estiagem e o Seguro Safra.

"Embora não seja muita coisa, cada família recebe no mínimo dois desses benefícios. Não deixa de haver necessidade, mas é um complemento aos programas produtivos", destaca. Estes, conforme Holanda, são ações prioritárias, que fornecem recursos para que a população do Interior possa recuperar plantações e obter o sustento novamente.

69 açudes com volume inferior a 30%
A estiagem de 2013 tem deixado suas maiores marcas nas perdas de safras e no abastecimento de água no Interior do Estado. Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), ao menos 69 açudes estão com volume inferior a 30% do total e apenas dois possuem mais de 90% de água acumulada.

Com isso, 35 municípios sofrem com crises de abastecimento e, destes, três estão em situação crítica: Milhã, Crateús e Tauá. Nesses casos, a Cogerh informou que, desde maio, estão sendo desenvolvidas ações como a construção de adutoras emergenciais, que ligam as cidades onde há falta de água a outras localidades que tenham recurso suficiente para dividir.

Conforme Ademar Holanda, do Comitê de Combate à Seca, outra medida para tentar atenuar a situação de falta de água é a implantação de cerca de 100 mil cisternas até o fim do ano.

Até que o período de estiagem extrema passe, Holanda ressalta que cerca de 800 carros-pipa continuarão a fazer o abastecimento de água nos municípios mais prejudicados. Ele também ressalta que 90% das 64 mil cisternas entregues no Estado no mês de maio ficaram cheias após as chuvas de junho e julho, o que contribuirá para amenizar os efeitos da estiagem. No entanto, ele diz que o cenário ainda é de alerta. "Antecipamos algumas ações, mas agora precisamos acelerar a execução dos programas".
SAIBA MAIS:
Onde Doar
1. Agências do Banco do Brasil
2. Agências dos Correios
3. Shopping Iguatemi (entre as lojas Parente e Insinuante)
4. Quartéis do Corpo de Bombeiros
5. Defesa Civil do Ceará (doações acima de 100kg)
DIÁRIO DO NORDESTE

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