ABAS

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

OS MENSALEIROS E OS LADRÕES DE GALINHA

 
Por Carlos Chagas
Depois de todos os elogios ao Supremo Tribunal Federal, aberta que está a avenida para a condenação da maioria dos mensaleiros, surge o primeiro buraco no asfalto. Ironicamente, coube ao caminhão do ministro Cezar Peluso diminuir a marcha, ele que até prisão determinou para os primeiros cinco réus. Porque ao fixar a pena para o deputado João Paulo Cunha, Marcos Valério, Henrique Pizzolato e dois penduricalhos, o mestre parou nos seis anos. Três por corrupção passiva e três por peculato. Significa que pela lei vigente o ex-presidente da Câmara terá direito a regime semi-aberto, caso não receba outra condenação por lavagem de dinheiro. Traduzindo: ficará em casa durante o dia, obrigado apenas a dormir na cadeia.
A pergunta que se faz é porque, então, o ladrão de galinha fica preso durante o inquérito e o julgamento e, depois, continua trancado em tempo integral, sem direito a beneficio. Por ser pobre, não dispor de excepcionais advogados e carecer de diploma universitário? Deveria ser a lei igual para todos. Quantas galinhas poderiam ser compradas com os 50 mil reais oferecidos por Marcos Valério? Muitas mais, até um aviário, por conta do contrato de publicidade celebrado entre eles.
Claro que a pena para esse primeiro lote de bandidos não está completa. Mais um voto em favor da acusação de lavagem de dinheiro determinará que os seis anos de prisão aumentem, nesse caso em regime fechado. Resta aguardar, sem desejos de vingança, mas tendo presente haver chegado a oportunidade de a Justiça demonstrar serem todos iguais perante a lei.

Claudio Humberto






População brasileira chega a 194 milhões, estima IBGE



Em 1º de julho deste ano, a população brasileira alcançou 193.946.886 de pessoas, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicada nesta sexta-feira (31) pelo Diário Oficial da União.

Segundo a projeção, a população cresceu 1,57 milhão (0,81%), em relação a julho de 2011. Pela projeção, o Estado de São Paulo é o mais populoso, com 41,9 milhões de pessoas (21,6% do total de habitantes do país).

Depois de São Paulo, Minas Gerais é a unidade da federação mais populosa (19,8 milhões), seguida do Rio de Janeiro (16,2 milhões), da Bahia (14,1 milhões), do Rio Grande do Sul (10,7 milhões), Paraná (10,5 milhões), de Pernambuco (8,9 milhões) e do Pará (7,7 milhões).

O município de São Paulo continua sendo a cidade mais populosa do Brasil com aproximadamente 11,4 milhões de pessoas (27% dos residentes no estado e 5,86% do total da população brasileira).

A divulgação das estimativas populacionais está prevista em lei, e os dados estatísticos são usados para o cálculo de indicadores econômicos e sociodemográficos do governo federal, além de servir de parâmetro para a repartição de recursos das políticas públicas e para a distribuição do Fundo de Participação de Estados e Municípios.

Conforme resolução do IBGE, a forma de fazer a projeção do tamanho da população no próximo ano será modificada. “Deverá incorporar novas informações relacionadas à dinâmica demográfica local e incluir procedimentos metodológicos alternativos, como aqueles que fazem uso de variáveis econômicas, sociais e demográficas em nível municipal”, diz o texto.

Em 2013, o chamado Sistema de Projeções da População do Brasil, será atualizado com as informações do Censo Demográfico 2010, das pesquisas por amostragem mais recentes (Pnad), bem como dos registros administrativos (de cadastros públicos) referentes ao ano de 2010.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

É dando que se recebe?

 
Estamos em tempos de montagem de governos. Há disputas por cargos e funções por parte de partidos e de políticos. Ocorrem sempre negociações, carregadas de interesses e de muita vaidade. Neste contexto, se ouve citar um tópico da inspiradora oração de São Francisco pela paz “é dando que se recebe” para justificar a permuta de favores e de apoios onde também rola muito dinheiro. É uma manipulação torpe do espírito generoso e desinteressado de São Francisco. Mas desprezemos estes desvios e vejamos seu sentido verdadeiro.
Há duas economias: a dos bens materiais e a dos bens espirituais. Elas seguem lógicas diferentes. Na economia dos bens materiais, quanto mais você dá bens, roupas, casas, terras e dinheiro, menos você tem. Se alguém dá sem prudência e esbanja perdulariamente acaba na pobreza.
Na economia dos bens espirituais, ao contrario, quanto mais dá, mais recebe, quanto mais entrega, mais tem. Quer dizer, quanto mais dá amor, dedicação e acolhida (bens espirituais) mais ganha como pessoa e mais sobe no conceito dos outros. Os bens espirituais são como o amor: ao se dividirem, se multiplicam. Ou como o fogo: ao se espalharem, aumentam.
Compreendemos este paradoxo se atentarmos para a estrutura de base do ser humano. Ele é um ser de relações ilimitadas. Quanto mais se relaciona, vale dizer, sai de si em direção do outro, do diferente, da natureza e até de Deus, quer dizer, quanto mais dá acolhida e amor mais se enriquece, mais se orna de valores, mais cresce e irradia como pessoa.
Portanto, é “dando que se recebe”. Muitas vezes se recebe muito mais do que se dá. Não é esta a experiência atestada por tantos e tantas que dão tempo, dedicação e bens na ajuda aos flagelados da hecatombe socioambiental ocorrida nas cidades serranas do Rio de Janeiro, no triste mês de fevereiro, quando centenas morreram e milhares ficaram desabrigados? Este “dar” desinteressado produz um efeito espiritual espantoso que é sentir-se mais humanizado e enriquecido. Torna-se gente de bem, tão necessária hoje.
Quando alguém de posses, dá de seus bens materiais dentro da lógica da economia dos bens espirituais para apoiar aos que tudo perderam e ajudá-los a refazer a vida e a casa, experimenta a satisfação interior de estar junto de quem precisa e pode testemunhar o que São Paulo dizia:”maior felicidade é dar que receber”(At 20,35). Esse que não é pobre, se sente espiritualmente rico.
Vigora, portanto, uma circulação entre o dar e o receber, uma verdadeira reciprocidade. Ela representa, num sentido maior, a própria lógica do universo como não se cansam de enfatizar biólogos e astrofísicos. Tudo, galáxias, estrelas, planetas, seres inorgânicos e orgânicos, até as partículas elementares, tudo se estrutura numa rede intrincadíssima de inter-retro-relações de todos com todos. Todos co-existem, inter-existem, se ajudam mutuamente, dão e recebem reciprocamente o que precisam para existir e co-evoluir dentro de um sutil equilíbrio dinâmico.
Nosso drama é que não aprendemos nada da natureza. Tiramos tudo da Terra e não lhe devolvemos nada nem tempo para descansar e se regenerar. Só recebemos e nada damos. Esta falta de reciprocidade levou a Terra ao desequilíbrio atual.
Portanto, urge incorporar, de forma vigorosa, a economia dos bens espirituais à economia dos bens materiais. Só assim restabeleceremos a reciprocidade do dar e do receber. Haveria menos opulência nas mãos de poucos e os muitos pobres sairiam da carência e poderiam sentar-se à mesa comendo e bebendo do fruto de seu trabalho. Tem mais sentido partilhar do que acumular, reforçar o bem viver de todos do que buscar avaramente o bem particular. Que levamos da Terra? Apenas bens do capital espiritual. O capital material fica para trás.
O importante mesmo é dar, dar e mais uma vez dar. Só assim se recebe. E se comprova a verdade franciscana segundo a qual ”é dando que recebe” ininterruptamente amor, reconhecimento e perdão. Fora disso, tudo é negócio e feira de vaidades.

Leonardo Boff é autor de A oração de São Francisco, Vozes 2010.


Petistas temem ‘efeito dominó’ após condenação

 
Vera Rosa, Estadão.com.br
A cúpula do PT e o governo da presidente Dilma Rousseff temem o "efeito dominó" da condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no processo do mensalão. A preocupação é que, se for por terra o argumento do caixa 2 petista para alimentar campanhas políticas de aliados, ministros do Supremo Tribunal Federal passem a condenar todos os homens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre eles José Dirceu.
Braço direito de Lula na Casa Civil, entre 2003 e 2005, Dirceu foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como "chefe de organização criminosa" instalada no governo àquela época. Amigo do então presidente, João Paulo comandava a Câmara dos Deputados, José Genoino dirigia o PT e Delúbio Soares cuidava do cofre petista.
 
BLOG DO NOBLAT

Prefeitura de Senador Sá paga R$ 100 mil para show da banda Aviões do Forró

(Imagem - Prefeito do Municipio de Capistrano discursando ao lado do vocalista da banda Aviões durante show em comemoração aos 60 anos do de hemancipação política)
 
Em pleno período de escassez de água e de ausência de muitas outras ações básicas, eis que a Prefeitura de Senador Sá (Zona Norte), um dos menores e mais pobres município do Ceará, que tem como prefeito o tucano, Alex Sancho – candidato a reeleição, gastou mais de R$ 100 mil para promover um show da banda Aviões do Forró. Isso, por ocasião do aniversário do município.
Nada contra o evento, mas a quem interessa um gasto desses em ano eleitoral?. O que ficou para o povo daquele município? Quem lucrou com a estrutura do evento? São tantas as interrogações.

(Com Blog Sobral de Prima)
(Blog do Eliomar)

Folha diz que Cid quer Paul McCartney reabrindo o Castelão


 
Essa informação é da Coluna Painel, da Folha de São Paulo desta quinta-feira:
 
Depois do show de Plácido Domingo na abertura do Centro de Eventos do Ceará, o governador Cid Gomes (PSB) sonha com Paul McCartney para inaugurar em dezembro o Novo Castelão, estádio da Copa em Fortaleza.
 
BLOG DO ELIOMAR

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Após acordo com 18 categorias, Governo quer rever direito à greve - Hoje, projeto do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) busca fixar limites às paralisações no setor público.





Em assembleia ontem da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), em Brasília, servidores de 18 setores do funcionalismo público aceitaram a oferta do Governo e devem voltar ao expediente na próxima semana. Enquanto isso, as ministras-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, e da Articulação Política, Ideli Salvatti, afirmaram que o Congresso Nacional deve ao País um debate e uma decisão sobre a lei para regulamentar o direito de greve.
Atualmente, a Constituição inclui o direito de greve para os servidores públicos federais. Mas até hoje não há uma lei regulamentando em detalhes como deve ser exercido esse direito. Um projeto do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que tramita no Congresso, busca fixar limites às greves no setor público. O texto tem como objetivo assegurar e disciplinar o direito de greve, mas também garantir que a sociedade não seja prejudicada.
“A proposta é distante das nossas reivindicações. A orientação é de assinar (o acordo) e continuar buscando a correção das distorções”, disse Josemilton Costa, coordenador-geral da Condsef. A rubrica do acordo estava prevista para o mesmo dia no Ministério do Planejamento.
Segundo Costa, são 18 categorias do funcionalismo, cerca de 510 mil servidores, entre ativos e inativos, que voltarão ao trabalho na próxima segunda-feira. Os funcionários que encerraram as paralisações são da Funasa, Funai, Arquivo Nacional, Imprensa Nacional, Museu do Índio, Embratur, Secretaria de Patrimônio da União, funcionários do setor administrativo da Polícia Rodoviária Federal e dos ministérios da Integração Nacional, Saúde, Agricultura, Cultura, Fazenda, Planejamento, Justiça, Transporte, Previdência e Trabalho.
A oferta do Planejamento prevê, além de reajustes salariais de 15,8% parcelados até 2015, aumentos do vale-alimentação e do auxílio-saúde. De acordo com Costa, o Governo sinalizou que assim que as categorias assinassem o acordo, serão abertas as negociações para efetuar a reposição e o pagamento dos dias parados.


(Jornal O POVO)

A Charge do Amarildo

Um verdadeiro Herói...



(BLOG DO NOBLAT)

Maioria do STF condena João Paulo Cunha por corrupção passiva e peculato.




A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou pela condenação do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) no julgamento do Mensalão. Foi nesta tade de quarta-feira, em Brasília, informa o Portal Uo l.
Dos 11 ministros da Corte, seis –Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Cezar Peluso e Gilmar Mendes– condenaram o réu pelos crimes de corrupção passiva e peculato (uso de cargo público para desvio de recursos) . O último a votar foi Gilmar Mendes.
O ministro também votou pela condenação de Cunha por lavagem de dinheiro, assim como outros quatro ministros –Barbosa, Fux, Lúcia e Peluso. Mendes, no entanto, votou pela absolvição de Cunha por uma segunda acusação de peculato.

( BLOG DO ELIOMAR)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Promotor revela “pressão” sobre TRE

“O promotor-adjunto da Procuradoria Regional Eleitoral, Emmanuel Girão, afirmou que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) está sofrendo pressão de alguns candidatos que disputam as eleições deste ano. Segundo ele, postulantes de grande influência estão tentando fazer o tribunal modificar algumas decisões desfavoráveis aos candidatos.
As declarações foram feitas durante participação do promotor no programa O Povo Quer Saber, transmitido simultaneamente pela rádio O POVO/CNB, a TV O POVO e o portal O POVO Online. “Algumas pessoas de certa envergadura política estão se mobilizando para tentar reverter esses entendimentos do Tribunal Regional Eleitoral”, disse Girão, que preferiu não citar nomes.
A maioria das decisões visadas pelos candidatos, de acordo com Girão, se refere à aplicação da Lei da Ficha Limpa, em especial quando baseadas na constatação de improbidade administrativa dos candidatos. O promotor diz que espera que o TRE continue com as mesmas posições que teve até o momento, mesmo porque as decisões, segundo ele, têm como base as deliberações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
TCM
Outro ponto tratado por Girão foi o imbróglio que está havendo entre a Justiça Eleitoral e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) em relação à inelegibilidade de alguns candidatos. “Em determinado momento, talvez porque as portas da Justiça comum se fecharam, o próprio TCM resolveu suspender o julgamento de algumas decisões.”
Segundo ele, a cúpula do Ministério Público Eleitoral no Ceará estranhou quando o TCM passou a proferir, em curto espaço de tempo, várias decisões liminares referentes a prestações de contas, o que não é comum, pois, segundo o promotor, os processos no órgão costumam levar de três a cinco anos para serem julgados.
Além disso, Girão aponta que houve concentração dessas decisões nas mãos de um único membro do TCM. “No Tribunal de Contas, o julgamento é colegiado porque são vários conselheiros e essas decisões estavam sendo proferidas por um único conselheiro.” A assessoria do Tribunal de Contas informou que “o TCM só se preocupa com decisões de sua alçada e não comenta decisões ou declarações de outros órgãos”.”
 
(O POVO)
(BLOG DO ELIOMAR)

Lula financia campanha do filho a vereador

Fábio Leite, Veja
 
 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou parte do dinheiro arrecadado com as palestras que fez após deixar o cargo para financiar a campanha do filho mais velho, Marcos Claudio, a vereador em São Bernardo, na Grande São Paulo.
Candidato pelo PT, Marcos Claudio, de 41 anos, recebeu R$ 50 mil em doação da L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., empresa criada por Lula em fevereiro de 2011 para receber os pagamentos pelas palestras que faz.
A L.I.L.S. tem capital de R$ 100 mil, sobre os quais Lula tem participação de 98%. Os 2% restantes são do sócio e amigo Paulo Okamotto, ex-presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), presidente do Instituto Lula e ex-tesoureiro de campanha do petista.




Brasil terá mais 5,3 mil novos vereadores em 2013

 
A partir de 2013, o Brasil terá mais 5.390 novos vereadores em relação ao último pleito (2008), quando fo-ram eleitos 52.008. As informações fazem parte de um levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). O aumento de vagas nas Câmaras Municipais em todo país representam 10,4%, em comparação a 2008. Agora, o Brasil possui um total de 57.434 vagas para o legislativo municipal.

Ao todo, 1.695 Municípios brasileiros tiveram aumento no número de habitantes, segundo Censo 2010, e, portanto, terão mais vereadores para representar os munícipes. O contrário ocorreu em cinco Municípios que terão o número de ca-deiras nas Câmaras Municipais reduzido.

Os Estados onde os Municípios terão mais vagas para vereadores são: Pará, Ceará e Maranhão, com aumento propor-cional de 24,5%, 23,8% e 18,6%, respectivamente. Tocantins foi o Estado onde menos vagas foram criadas, apenas 2,7% a mais. Todavia, em termos absolutos, a Bahia criou mais 643 novas cadeiras, seguido de São Paulo, com 639. Os Esta-dos que menos criaram foram Roraima com 11, e Amapá com 14 cadeiras.
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sentindo-se esquecido, Tiririca quer volta à televisão


 
Um ano e oito meses após ter pisado na Câmara para descobrir o que faz um deputado, Tiririca, veja só, está em plena crise de identidade.
Na semana passada, ele desabafava com sua colega Jaqueline Roriz, no fundo do plenário da Câmara, e dizia que iria procurar a Record para tentar encontrar uma forma de voltar para a TV.
Tiririca acha que “foi engolido” pela Câmara, virou apenas mais um no parlamento e acabou refém do anonimato. Ele precisa aparecer. Tadinho do Tiririca.
 
(Coluna Radar – Veja Online)
(Blog do Eliomar)

Lula diz ao ‘The New York Times’ não acreditar que houve mensalão

O Globo
Em entrevista ao jornal "The New York Times", publicada na edição de sábado do periódico americano, o ex-presidente Lula diz não acreditar na existência do mensalão. Ele afirma que o PT não tinha necessidade de comprar votos porque o partido já havia assegurado a maioria no Congresso através de alianças politicas, mas garantiu que vai respeitar a decisão do Supremo que nesta segunda-feira entra na terceira semana do julgamento do caso.



CEF contrata por R$ 1,1 bilhão empresa que vale 500 reais

 
A Caixa Econômica Federal fechou contrato de R$ 1 bilhão e 195 milhões com uma empresa criada em 15 março deste ano e cujo capital não passa de 500 reais. O contrato com a MGHSPE Empreendimentos, datado do dia 8, com “dispensa de licitação”, autorizado pelo conselho diretor da Caixa, tem objeto quase incompreensível: “prestação de serviços de operacionalização da originação de Crédito Imobiliário".
 

Os donos

Sueli de Fátima Ferretti e Cleber Faria Fernandes são os donos da MGHSPE, que tem sede na rua Pamplona, 818, cj 92, 7º, São Paulo.
 

As empresinhas

Os sócios da MGHSPE são também sócios de inúmeras empresas com 500 reais de capital e sediadas no mesmo local, no Jardim Paulista.
 

Sopa de letras S/A

Também são de Sueli e Cleber empresas com nomes difíceis de memorizar: AJGSPE, MROSPE, POASPE, FOCSPE, YPCSPE e DKTSPE.
 
PORTAL DO CLAUDIO HUMBERTO

domingo, 26 de agosto de 2012

Ciro pode deixar PSB e disputar em 2014

Ciro Gomes não esconde de ninguém que ainda sonha em ser presidente da República. Já tentou duas vezes pelo PPS, em 1998 e em 2002, e gostaria de ter uma nova chance. Ciro também sabe que, enquanto estiver no PSB, comandado pelo governador pernambucano Eduardo Campos, suas chances de conquistar a legenda, serão mínimas. Por isso mesmo, tem-se mostrado aberto a convites de outros partidos.
Atento a esse cenário, o presidente do PDT, Carlos Lupi, iniciou um “namoro” com o ex-governador cearense. As primeiras conversas já ocorreram e outras estão previstas para os próximos dias. Lupi, magoado com a presidente Dilma Rousseff por ter sido demitido do Ministério do Trabalho, não dá sinais de que pretende apoiar sua reeleição. E acena com uma candidatura presidencial em 2014 para tentar seduzir Ciro.
Ele tem dito a interlocutores próximos que o Brasil se cansou do antagonismo entre PT e PSDB e que uma terceira via seria possível. No quadro atual, quem mais se qualifica como terceira via é o governador Eduardo Campos. Mas Ciro, com seu estilo personalista, gostaria de ser ele o candidato – e não o presidente do seu partido. Daí o espaço para uma eventual migração para o PDT.
(Portal BR 247)
(Blog do Eliomar)

Eduardo Campos mira presidência em 2014 e irrita o PT

 
 
Por Otávio Cabral e Daniel Pereira, na VEJA:

Há duas semanas, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, deixou o Recife e desembarcou no interior de São Paulo. Visitou cinco cidades, nas quais participou de comícios, carreatas, encontros com empresários e pediu votos para candidatos de seu partido a prefeito. De lá, seguiu para Mato Grosso, para reforçar a campanha de Mauro Mendes à prefeitura de Cuiabá. Na semana passada, quando começou a ser transmitida a propaganda eleitoral de rádio e TV, ele foi a estrela dos programas de uma centena de candidatos em todas as regiões do Brasil. A eleição é municipal, mas os planos são nacionais, como mostra VEJA desta semana. Eduardo quer utilizar a campanha deste ano para tornar seu nome conhecido em todo o país, principalmente no Sul e no Sudeste. E, com isso, pavimentar seu caminho para a disputa presidencial de 2014. A amigos, não esconde que essa campanha é seu “aquecimento”. E que é “muito improvável” não disputar a Presidência em 2014. O PT de Dilma Rousseff e Lula já percebeu essa movimentação. E elegeu Eduardo o adversário a ser derrotado.
O confronto iminente entre Lula e Eduardo surpreende porque eles são historicamente aliados. Desde 1989, o PSB, que teve como principal líder Miguel Arraes (avô de Eduardo), apoiou as candidaturas de Lula e de Dilma. Há dois meses, porém, eles começaram a se afastar. A face pública do distanciamento está nas campanhas a prefeito de Belo Horizonte, Recife e Fortaleza. Na primeira, o PT rompeu o apoio à reeleição do prefeito Marcio Lacerda, do PSB, para apoiar a candidatura de Patrus Ananias. Nas duas capitais nordestinas, foi o PSB que deixou de lado o apoio ao PT para lançar nomes próprios. Nos bastidores, cada lado tem suas razões. O governador considera que pode ser uma “terceira via” em 2014, colocando-se como alternativa ao PT, que tentará a reeleição de Dilma, e ao PSDB, que deve lançar o senador mineiro Aécio Neves. Foi com essa estratégia que ele chegou ao governo, em 2006, derrotando petistas e tucanos. A avaliação de Eduardo é que Dilma ainda é a favorita na disputa, mas o agravamento da crise econômica pode corroer seu prestígio. E que a oposição vem minguando a cada eleição e dificilmente voltará tão cedo ao Palácio do Planalto. Se continuar amarrado ao PT, ele jamais terá apoio para ser candidato a presidente. Por isso, decidiu testar agora seu voo-solo.
O PT percebeu as movimentações do antigo aliado, assustou-se e resolveu reagir. Em duas conversas recentes, Lula afirmou que Eduardo já está em campanha, costurando apoio com empresários e partidos, e que será o principal adversário do PT em 2014. “Lamentavelmente, não estamos mais do mesmo lado, mas entendo a posição dele”, declarou a um ex-ministro. Lula considera que Eduardo pode ter o apoio já no primeiro turno de três partidos que estão na base de Dilma – PSD, PR e PTB –, o que lhe garantiria um bom tempo de TV. Ele se preocupa ainda com a aproximação crescente do governador com empresários de peso e com caciques tucanos, especialmente Aécio. Lula duvida que Aécio concorra à Presidência. Acha até que ele trabalhará para costurar o apoio dos tucanos a Eduardo – pelo menos no segundo turno. “O Eduardo está ocupando um vácuo de poder que existe na oposição”, disse Lula a petistas.
Mas Aécio tem desmentido essa suposição. Já gravou depoimentos para mais de oitenta candidatos, percorreu o interior de Minas, foi a Curitiba e nesta semana iniciará uma caravana pelo Nordeste. Ações de quem quer ser candidato a presidente. “Não há relação direta entre a disputa municipal e a eleição presidencial. Mas é hora de os líderes arregaçarem as mangas para fortalecer seus partidos para 2014”, afirma o senador.
Foi com base nessa análise que Lula articulou uma reação imediata a Eduardo. Ele participará pessoalmente das campanhas no Recife e em Belo Horizonte, a fim de derrotar os candidatos do governador. Também tenta convencer Dilma a reforçar a contraofensiva. Foi ela que costurou o apoio do PMDB ao PT em Belo Horizonte. E que determinou ao PT que ratificasse, há duas semanas, um acordo que garante ao PMDB ocupar a presidência da Câmara a partir do ano que vem. Com esse movimento, Dilma amarra o partido à sua chapa à reeleição. A presidente, graças ao aumento da concorrência na eleição presidencial, também pode rever sua intenção de não participar da propaganda de candidatos do PT e de partidos aliados a prefeito. Propagandas que de gratuitas têm apenas o nome, já que custam mais de 606 milhões de reais em isenções fiscais às emissoras que as retransmitem. Até 4 de outubro, seguirá o desfile de políticos na televisão pedindo votos a candidatos a prefeito. Mas alguns desses atores estarão pensando bem mais na frente, na eleição para presidente em 2014.
Por Reinaldo Azevedo

Pensem nesta vergonha, senhoras ministras e senhores ministros do Supremo: até agora, esta inocente é a única punida do mensalão!

Vocês têm de espalhar na rede a história desta mulher porque ela é a evidência viva do modo como “eles” operam. Ela se negou a endossar a roubalheira dos mensaleiros no Banco do Brasil. Sabem o que aconteceu? Perdeu o emprego, não consegue mais trabalho e já foi ameaçada de morte três vezes. Leiam a reportagem de Gustavo Ribeiro e Hugo Marques na VEJA desta semana.

Danevita: ela fez a coisa certa e, por isso, perdeu o emprego e recebeu três ameaças de morte
A publicitária Danevita Magalhães não ajudou a desviar recursos públicos, como fez o PT e seus dirigentes, não fraudou empréstimos bancários, como o empresário Marcos Valério, nem sacou dinheiro sujo na boca do caixa de um banco, como fizeram os políticos. Sua situação, porém, é bem pior que a de muitos deles. Ex-gerente do Núcleo de Mídia do Banco do Brasil, Danevita foi demitida por se recusar a assinar documentos que dariam ares de autenticidade a uma fraude milionária.
Depois de prestar um dos mais contundentes depoimentos do processo — desconstruindo a principal tese da defesa, de que não houve dinheiro público no esquema —, Danevita passou a sofrer ameaças de morte e não conseguiu mais arrumar emprego. A mulher que enfrentou os mensaleiros cumpre uma pena pesada desde que contou o que sabia, há sete anos. Rejeitada pelos antigos companheiros petistas, vive da caridade de amigos e familiares, sofre de depressão e pensa em deixar o Brasil. Só não fez isso ainda por falta de dinheiro.
O testemunho da publicitária foi invocado várias vezes no corpo da sentença dos dois ministros que votaram na semana passada. Entre 1997 e 2004, Danevita comandou o setor do Banco do Brasil responsável pelo pagamento das agências de publicidade que fazem a propaganda da instituição. Sua carreira foi destruída quando ela se negou a autorizar uma ordem de pagamento de 60 milhões de reais à DNA Propaganda, do empresário Marcos Valério. O motivo era elementar: o serviço não foi e nem seria realizado. Mais que isso: o dinheiro, antes de ser oficialmente liberado, já estava nas contas da DNA, o que contrariava frontalmente o procedimento do banco. Ela, portanto, negou-se a ser cúmplice da falcatrua. Em depoimento à Justiça, Danevita contou ainda que ouviu de um dos diretores da DNA que a cam­panha contratada jamais seria realiza­da. “Como não assinei, fui demitida”, lembra.
Depois disso, ela não conse­guiu mais arrumar emprego e perdeu tudo o que tinha. Saiu de um padrão confortável de vida — incluindo um salário de 15000 reais, carro do ano e viagens frequentes — para depender da boa vontade de amigos e morar na casa da filha, que a sustenta. “Estou sofrendo as consequências desse esquema até hoje. O pior é que eu não participei de nada. Você deveria falar com Dirceu, Lula…”, disse.
Danevita hoje vive reclusa na casa da filha e evita conversar sobre o mensalão. Ela conta que sofreu três ameaças de morte. Sempre telefonemas anônimos, pressionando-a para mudar suas alegações às autoridades. Seu desespero é tamanho que, em entrevista a VEJA, ela pediu para não ser mais procurada: “Peço que me deixem em paz. Eu não tenho mais nada a perder”, disse. Danevita credita aos envolvidos no esquema — e prejudicados pelo teor do seu testemunho — as dificuldades que tem encontrado no mercado de trabalho. Apesar de um currículo que inclui altos cargos em empresas multinacionais, ela conseguiu apenas pequenos serviços. A publicitária não tem dúvida de que os mensaleiros a prejudicam, mas não cita nomes. “Fico muito magoada com isso. Já perdi meu dinheiro e minha dignidade”, desabafa. Ela não acredita que o Supremo Tribunal Federal vá punir os mensaleiros.
Situação parecida vive o advogado Joel Santos Filho. Ele foi o autor da gravação do vídeo no qual o ex-diretor dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo propina e contando como funcionava o esquema de arrecadação do PTB. A reportagem, publicada por VEJA em maio de 2005, está na gênese do escândalo. Foi a partir dela que o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, revelou a existência do mensalão. Joel conta que foi chamado por um amigo empresário, que tinha os interesses comerciais prejudicados nos Correios, para colher provas de que lá funcionava um esquema de extorsão. Pelo trabalho de filmagem, não ganhou nada e ainda perdeu o que tinha. Durante as investigações do mensalão, Joel teve documentos e computadores apreendidos — e nunca devolvidos. Apesar de não ter sido acusado de nada, foi preso por cinco dias e ameaçado na cadeia: “Fui abordado por outro preso, que disse saber onde minha família morava e minhas filhas estudavam. Ele me alertou: ‘Pense no que vai falar, você pode ter problemas lá fora”. Joel sustenta sua família hoje por meio de bicos. “Fiquei marcado de uma forma muito negativa”, lamenta.
Por Reinaldo Azevedo

O brasileiro ainda não está nem aí para as eleições, mostra pesquisa

Não estou nem aí

Desinteresse total
Uma pesquisa feita pela campanha petista em Belo Horizonte constatou que na semana anterior ao início da propaganda eleitoral, ou seja, há quinze dias, apenas 7% dos entrevistados conversaram com alguém sobre as eleições nos últimos 30 dias. Com poucas variações, o resultado se repete em todas as capitais.
Por Lauro Jardim

Alheia ao mensalão, Dilma opera pela reeleição

Iniciado há 23 dias, o julgamento do mensalão no STF tornou-se assunto incontornável em todos os ambientes onde se respira política, exceto no Palácio do Planalto. Ali, por decisão de Dilma Rousseff, o tema é ignorado. Sob o argumento de que não seria sensato interferir na decisão do Supremo, a presidente tomou distância da encrenca que atormenta o seu partido.
Há três dias, um senador do PMDB perguntou a um ministro do PT por que Dilma sonega solidariedade aos réus petistas. Em meio a grandes barulhos, às vezes é preciso escolher o ruído que convém ouvir, respondeu o ministro. Dilma silencia sobre o mensalão, disse ele, para escutar melhor as ondas emitidas pela crise econômica e evitar que ressoem em 2014.
Dilma cuida do seu futuro, não do passado do PT. Avalia que que o mensalão interessa aos réus e às manchetes. A população estaria noutra sintonia, mais preocupada com o emprego e a renda. Esses dois vocábulos –emprego e renda—tornaram-se obsessivos na retórica desfiada pela presidente nas reuniões realizadas sob seu comando.
Na lógica que vigora no Planalto, o escândalo de 2005, agora sob julgamento no Supremo, já cobrou seu preço eleitoral nas sucessões de 2006 e de 2010. Considerando-se os resultados de ambas as disputas, a fatura foi módica. Numa, Lula reelegeu-se. Noutra, elegeu a sucessora. Nessa visão, o que pode estragar 2014 é a economia, não o mensalão, seja qual for o veredicto do STF.
A despeito da crise, Dilma imagina-se em condições de chegar à própria sucessão em triunfo. Enquanto o mercado projeta o PIB de 2012 abaixo dos 2%, a presidente prefere agarrar-se à estimativa do Banco Central de que a economia chegará ao último trimestre rodando na casa dos 4%. Algo que, se confirmado, indicará o acerto da estratégia adotada pelo governo para atenuar os efeitos da breca europeia.
Nesse desenho, o ano pré-eleitoral de 2013 seria inaugurado sob o signo da reação econômica. De costas para o STF, Dilma opera para potencializar essa reação, açulando o que chama de “instinto animal” dos empresários. Tenta recompor a cena de modo a estimular os investimentos. Noutras palavras, tem mais o que fazer. Não lhe sobre tempo para desperdiçar com a esgrima de teses que opõe o relator Joaquim Barbosa ao revisor Ricardo Lewandowski.
Dilma prepara o anúncio de uma nova leva de desonerações da folha salarial das empresas. Estuda o alongamento da isenção de IPI para carros e eletrodomésticos. Retoca os atos que levarão à redução da tarifa de energia elétrica. Preocupa-se com a debilidade do programa de investimentos de estatais como a Petrobras. De novo: a presidente guia-se pela velha ‘Lei de Murici’. Tem dois artigos. Primeiro: cada um cuida de si. Segundo: revogam-se as disposições em contrário. Ela tenta ajeitar a economia. Quem quiser que cuide do mensalão.
Olhando ao redor, a presidente enxerga uma oposição em ruínas, um Aécio Neves sem discurso e um Eduardo Campos assanhado. Sabe que o êxito dos seus potenciais antagonistas depende do agravamento da crise. E ensopa o tailleur para evitar que disponham de matéria prima.

Sucessão no Senado:Sarney deve apoiar Renan

Dilma Rousseff prestou um inestimável serviço a Renan Calheiros. Opondo-se ao retorno dele ao comando do Senado, deixou-o a um passo do regresso. Escolhido pelo Planalto para suceder José Sarney na presidência do Senado em fevereiro de 2013, Edison Lobão saiu de cena de fininho. O padrinho Sarney alinhou-se com Renan.
Na vereda que abriu em direção ao controle do Senado, Renan cavalga a tese segundo a qual Dilma embrulhou para Sarney um presente de grego. Quer que o afilhado do morubixaba do PMDB o suceda não para homenageá-lo, mas para tomar dele o Ministério de Minas Energia, seu feudo desde o reinado de Lula.
Há cinco meses, o segundo de Lobão no ministério, Márcio Zimmermann, filiou-se ao PMDB. Engenheiro eletricista ligado a Dilma, ele seria promovido de secretário-executivo a ministro antes do Natal. Agora, se quiser desligar Sarney da tomada do setor elétrico, Dilma terá de demitir Lobão. Algo que o PMDB duvida que ela fará.
Assim, cinco anos depois de ter renunciado à presidência para não ser cassado, Renan equipa-se para voltar. Junto com ele, voltará o noticiário sobre as razões da renúncia. Entre elas a denúncia de que custeava com verbas de uma empreiteira as despesas de um filho tido fora do casamento. Tudo isso nas pegadas da cassação de Demóstenes Torres. do
Blog do Josias de Souza

PT corre para evitar fiasco do projeto de Lula

Afilhado do ex-presidente terá 45 dias para provar tese petista de que só a televisão será capaz de alavancar sua candidatura à prefeitura de São Paulo

Thais Arbex

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad  (Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

 
Com a estreia da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, o time de marqueteiros do PT passou a correr contra o tempo nesta semana para tentar tornar viável o projeto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentar eleger o desconhecido Fernando Haddad prefeito da maior cidade do país. 
Estagnado com 8% das intenções de votos na última pesquisa Datafolha, Haddad conta com quase oito minutos na propaganda eleitoral, resultado de uma constrangedora aliança com o PP do ex-prefeito Paulo Maluf, que durante uma década foi tratado pelo PT como inimigo número um em São Paulo.
Além disso, são nas inserções diárias, distribuídas ao longo da programação das emissoras, que o PT aposta para atingir o eleitor que rejeita os programas fixos. Nos primeiros sete dias de campanha no rádio e na televisão, Haddad e Serra tiveram quase uma 1 hora de exposição, dividida em spots de 15, 30 ou 60 segundos, em cada emissora.
Em reunião no Instituto Lula, na última segunda-feira, o marqueteiro João Santana apresentou ao ex-presidente e à cúpula do partido o prognóstico que o PT esperava ouvir: “Agora a campanha começa para valer. É agora que os gráficos começam a mudar”. Nas projeções dos petistas, a curva de Haddad nas pesquisas eleitorais começará a mudar em até 20 dias, próximo ao feriado de 7 de setembro.
“É a partir de agora que ele terá a oportunidade de mostrar a que veio”, afirmou ao site de VEJA o cientista político Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). “Haddad tem o instrumento para crescer. Ele tem o tempo de televisão.”
 
Memória – "Todas as nossas avaliações mostram que Fernando Haddad vai crescer assim que ficar claro para a população quem ele é, que é o candidato do PT, do Lula e da Dilma”, disse o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão. Em suas estimativas, o partido tem na memória os resultados das eleições municipais de 2004 e 2008 em São Paulo, que mudaram de rota a partir da propaganda no rádio e na TV. 
Em 2004, a última pesquisa Datafolha, feita antes da estreia da propaganda no rádio e na televisão, mostrou o então candidato do PSDB, José Serra, com 25% das intenções. Sua principal adversária, Marta Suplicy, com 30% das intenções de voto, assumia, pela primeira vez, a liderança isolada na disputa pela prefeitura da capital paulista.
Com o início do horário eleitoral, a eleição mudou de rumo e Serra passou a crescer em todas as pesquisas, ultrapassando a petista. Na véspera do primeiro turno, ele tinha 37% das intenções de voto; ela, 34%. Serra foi eleito, no segundo turno, com 54% dos votos válidos.
Em 2008, na véspera da estreia dos programas, o atual prefeito, Gilberto Kassab, então candidato pelo DEM, tinha apenas 11% das intenções de votos - atrás de Marta Suplicy (PT) com 36%, e de Geraldo Alckmin (PSDB) com 32%. Com maior tempo de TV, Kassab saiu do 3º lugar na disputa e, com 61% dos votos, foi eleito, no segundo turno, prefeito de São Paulo.
“Não há como comparar o atual cenário com a eleição de Kassab. Ele representava a continuidade”, disse o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Centro de Pesquisas e Análises de Comunicação (Cepac). Segundo a avaliação de Figueiredo, Kassab, que disputava a reeleição e tinha a máquina da prefeitura a seu favor, já havia participado de uma campanha eleitoral, como vice na chapa de José Serra, em 2004, e era conhecido da cidade. “Eles estão comparando ovos com beterrabas”, afirma Carlos Melo. “Haddad era, até pouco tempo, ministro envolvido com a burocracia do Ministério da Educação e com pouca aparição pública”, disse.
Embora a trajetória de Kassab em 2008 seja rara, o PT projetava desempenho similar de Fernando Haddad às vésperas do horário eleitoral. Nos cálculos petistas, o afilhado de Lula teria nesta semana entre 12% e 15% das intenções de votos. “O eleitor vai começar a ser surpreendido pela eleição a partir de agora”, diz Carlos Melo.
A avaliação do partido é que a campanha foi prejudicada pela foto do aperto de mão de Lula e Maluf, que culminou reação da deputada Luiza Erundina de não aceitar fazer ao lado do adversário. Nas ruas, os petistas ouvem eleitores dizerem que desistiram de votar em Haddad após o ex-presidente ter fechado aliança com o inimigo histórico.
O partido admite também que esperava-se presença mais ativa do ex-presidente, que se recupera do tratamento contra um câncer na laringe, e da senadora Marta Suplicy. Magoada desde que foi preterida na escolha do candidato do PT à prefeitura de São Paulo, ela tem se mantido bem longe da campanha
Além do espaço na televisão, o PT tem apostado na presença dos vereadores nas ruas ao lado de Fernando Haddad para mudar a curva nas pesquisas eleitorais. Na avaliação da coordenação da campanha do ex-ministro, os candidatos petistas a uma vaga na Câmara Municipal representam o elo do ainda desconhecido candidato do ex-presidente Lula com as lideranças das franjas da cidade, onde está concentrado o eleitorado do PT.
De olho em Russomanno – O PT aposta na fragilidade da campanha e no pouco tempo de televisão de Celso Russomanno, do PRB, para reconquistar o tradicional eleitorado petista, concentrado nas zonas periféricas da cidade. As pesquisas mostram que Russomanno tem liderado nos redutos do PT. “No cenário em que Fernando Haddad é praticamente desconhecido, surge Celso Russomanno, que conseguiu atingir aqueles que rejeitam o José Serra. Alguém que é conhecido amplamente, por ser uma pessoa de mídia e que, até pouco tempo, tinha um programa na televisão”, afirma o cientista político Carlos Melo.
Segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 20, o candidato do PRB na disputa pela prefeitura de São Paulo tem melhores resultados nas áreas onde o candidato tucano José Serra tem as maiores rejeições. No universo dos 38% que rejeitam Serra, Russomanno tem 46% dos votos.
Nesta quinta-feira, o PT recebeu os resultados de pesquisas internas feitas logo após o primeiro dia de campanha dos candidatos a prefeitos no rádio e na televisão. Os números constataram que 70% dos eleitores de Russomanno que aprovaram o programa petista. “A televisão tem um poder muito grande quando o candidato tem o que representar e o Haddad representa o PT”, diz Rubens Figueiredo.
Ato com Lula  – Padrinho da candidatura de Haddad à sucessão do prefeito Gilberto Kassab, Lula esteve ausente até agora dos eventos públicos por conta da recuperação do tratamento contra um câncer na laringe, diagnosticado em outubro do ano passado. O ex-presidente foi liberado pelos médicos no início do mês e já começou a participar de eventos fechados ao lado do afilhado.
A coordenação da campanha tenta, agora, organizar um megaevento em São Paulo para marcar a entrada pública do ex-presidente na campanha de Haddad. A direção municipal do partido pretende reunir de 5.000 a 7.000 militantes na Quadra dos Bancários, palco tradicional de comícios petistas no centro de São Paulo. A ideia é realizar o ato no início do mês de setembro.
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