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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Banquete






O que é o amor? Um sentimento? Um estado? Uma atitude? Uma conduta? Uma virtude? Um hábito? Uma disposição? Uma inclinação? Um apetite? Um desejo? Ou uma carência? A conceituação do amor sempre foi problematizada na tradição filosófica. Um filósofo que dedicou um livro para descrever a essência do amor foi Platão. Tendo como cenário um banquete, Platão apresenta uma pluralidade de opiniões multifacetadas e unilaterais acerca do amor. Cada conviva do jantar apoteótico discursa a respeito da natureza do amor. Após as múltiplas exposições sobre o caráter do amor, Sócrates encerra a discussão com uma visão filosófica sobre o ser do amor.

O ambiente do Banquete é a casa do poeta Agatão. Os banquetes eram celebrações prazerosas entre nobres amigos. Encontros festivos para o deleite corporal e espiritual de seletos convidados. Estas alegres confraternizações eram dividas em duas partes. A primeira parte era dedicada à comunhão da mesa. Os participantes fartavam-se com uma refeição solene e aparatosa. A segunda parte consistia no simpósio onde os convivas bebiam e conversavam irmãmente. O mediador da festa estipulava um tema para cada conviva pronunciar um discurso.

Na narrativa platônica, o assunto escolhido pelo mediador foi o amor. Para os gregos antigos, o amor era representado pela figura divina do Eros. Quem era Eros? Eros era a divindade do amor. Surgido do Caos (vazio original), Eros tinha a incumbência de promover o equilíbrio interno do universo através da atração universal. Isto é, ele era a deidade ordenadora e unificadora que regulava o funcionamento do cosmos por meio da conjunção de elementos contraditórios. Além da manutenção da coesão interna do universo através da união dos opostos, Eros tinha a missão de garantir a continuidade das espécies pela reprodução sexual. Devido ao seu impulso gerador, ele era reconhecido na mitologia grega como o deus da fertilidade.

Ora, por que Eros foi escolhido para ser discursado pelos convivas? Porque Eros era ignorado na literatura grega. Um dos ilustres participantes – o jovem Fedro – constatou a lamentável ausência de reconhecimento da grandiosidade e da venerabilidade de Eros. Enquantos os poetas reverenciam deuses inferiores com palavras de louvor, Eros que é um deus admirado e honrado pelos deuses permanece desprezado. Enquanto semideuses como Hércules são homenageados pelos sofistas, Eros que é um deus tão digno é negligenciado. Até o sal que não passa de um reles tempero foi elogiado por um sábio pela sua utilidade.

Com efeito, uma vez que ninguém teve a ousadia de celebrar a supremacia de Eros, o médico Erixímaco – mediador do banquete – determina que os convivas terão a tarefa de suprir a carência de louvor ao Eros. Todos deverão venerar Eros com uma bela oratória. O primeiro que veremos a render adoração ao deus Eros será Fedro que sugeriu o tema.

Fonte:rafadivino.wordpress.com/page/

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