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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"CRÔNICAS DE UMA ELEIÇÃO ANUNCIADA"
























Por Liga Bolchevique Internacionalista


"Crônicas de uma eleição anunciada" acompanha as principais polêmicas travadas com as diversas variantes do revisionismo, abrigadas dentro e fora do PT. Enquanto prognosticávamos, já em meados de 2009, que Dilma era a candidata preferencial da burguesia e do imperialismo, justamente porque a frente popular havia conseguido manter a estabilidade do país antes, durante e depois do ápice do crash capitalista

"CRÔNICAS DE UMA ELEIÇÃO ANUNCIADA"

Para os marxistas revolucionários traçar prognósticos corretos a fim de possibilitar uma intervenção justa na luta de classes se constitui um valioso patrimônio político e teórico. Não se trata "apenas" de "arriscar" uma previsão política, algo, diga-se de passagem, que se recusaram a fazer inúmeras correntes que se reivindicam "trotskistas" durante a disputa eleitoral no Brasil. Esse "exercício" militante reside, acima de tudo, na capacidade de estudar a realidade nacional e internacional para apontar dentro de nossas modestas possibilidades como a vanguarda política deve enfrentar, preservando sua independência de classe, uma conjuntura complexa como a realidade brasileira, marcada pela existência da frente popular encabeçada por Lula, o PT e a CUT, sem dúvida alguma um eficaz instrumento da colaboração de classe que controla o governo central e o movimento de massas. "Crônicas de uma eleição anunciada", o livro que a LBI lança neste momento com o objetivo de fazer um balanço, passo a passo, da disputa presidencial que acaba de findar-se com o triunfo da candidata Dilma Rousseff se insere perfeitamente no marco da perspectiva política leninista.

A coletânea de artigos que oferecemos aos nossos leitores e simpatizantes traz textos publicados no Jornal Luta Operária e no sítio da LBI desde agosto de 2009 até os nossos dias, particularmente até o balanço do segundo turno das eleições presidenciais. Aqui se pontua retrospectivamente o momento político em que Lula lança a campanha pré-eleitoral da frente popular colada ao mito "nacionalista" da descoberta do "pré-sal", apresentando Dilma como sua candidata antes mesmo do Congresso Nacional do PT oficializar a escolha do partido, sob o silêncio sepulcral da chamada "esquerda petista". Com o embuste na nova campanha do ?petróleo é nosso? Lula deu à frente popular o eixo programático que marcou todo o embate com a ?oposição conservadora? sobre as privatizações.

No mesmo período, analisamos o lançamento de Marina Silva pelo PV como uma manobra da própria frente popular para tirar votos de Serra, em uma caracterização completamente oposta a do conjunto da esquerda revisionista. A votação do tucano no primeiro turno, bem menor do que alcançada por Alckmin em 2006 no mesmo período provaram que a "operação verde" estava montada a serviço da frente popular. Vários artigos reproduzidos aqui abordaram esse novo fenômeno político e sua importância para o próximo período, inclusive seus efeitos sobre a própria crise que vive o PSOL hoje.

"Crônicas de uma eleição anunciada" acompanha as principais polêmicas travadas com as diversas variantes do revisionismo, abrigadas dentro e fora do PT. Enquanto prognosticávamos, já em meados de 2009, que Dilma era a candidata preferencial da burguesia e do imperialismo, justamente porque a frente popular havia conseguido manter a estabilidade do país antes, durante e depois do ápice do crash capitalista no segundo semestre de 2008, o PSTU alardeava justamente o contrário, que havia um profundo desgaste no projeto governista, realidade que supostamente se aprofundaria com a crise econômica mundial, tanto que para os morenistas Lula não conseguiria operar a transmissão de votos para Dilma. Os resultados eleitorais falam por si só...

Mas os revisionistas evoluíram da conveniente "aposta" de que "o resultado do segundo turno está completamente aberto" como fazia o PSTU poucos dias após o 03 de outubro, ou mesmo da análise contemplativa da LER e da TPOR que "explicavam" a obviedade que não havia mal menor no segundo turno entre Dilma ou Serra porque a burguesia estava representada por ambas as candidaturas, para delírios perigosos, como os proferidos pelo PCO. Este bradava não "só" que Serra era o candidato oficial do imperialismo e da burguesia mundial, mas "denunciava" que a classe dominante tupiniquim (grande imprensa, judiciário, grupos econômicos) estava orquestrando um ilusório "golpe eleitoral" contra Dilma Rousseff para impor a vitória tucana! Como tudo não passava de um delírio, tal colocação era uma espécie de apoio envergonhado do PCO à frente popular, produto da pressão pró-Dilma sobre a vanguarda que arrastou importantes setores da classe ante a polarização política do segundo turno. Esse mesmo arco catastrofista já alardeia que o governo Dilma será frágil, instável com um cenário pós-Lula de crise e radicalização da luta de classes, quando a perspectiva aberta com a vitória da frente popular no campo parlamentar e através do aprofundamento do controle das direções sindicais aponta no sentido inverso.

Outro diferencial da análise marxista presente em "Crônicas..." é a caracterização do próprio processo eleitoral como uma farsa montada pela classe dominante que escolhe o vencedor e "profere" o resultado que lhe convém, como bem sintetizou o título do artigo "Referendou-se o deliberado" lançado poucas horas depois do anúncio da vitória de Dilma Rousseff no segundo turno. Alertamos aos nossos leitores e simpatizantes que não estamos falando somente da fraude midiática até "denunciada" pela esquerda revisionista, com suas lamúrias acerca da falta de espaço nos noticiários da grande imprensa ou das pesquisas "fabricadas", apenas a ponta desse imenso iceberg. Estamos nos referindo a uma fraude global, operada pela totalização dos dados provenientes das urnas eletrônicas, mais conhecidas como "robotrônicas", que não podem ser auditadas pelo simples fato que não existe a comprovação física do voto. Esta denúncia militante realizada quase como voz solitária durante toda a campanha presidencial coloca a nu em sua plenitude a farsa eleitoral e toda a podridão da engrenagem desse regime democratizante que decide os que assumirão a gerência dos negócios à frente do Estado burguês de forma cada vez mais independente e, mesmo contrário, do pretenso resultado soberano do sufrágio popular.

Por fim, ao publicar esse livro, entendemos ser esta modesta contribuição um esforço de nossa corrente em auxiliar os lutadores a ter uma correta compreensão da difícil etapa por que atravessamos assim como reafirmamos a necessidade da adoção de um programa revolucionário que possa conduzir o proletariado à superação política da frente popular e melhor armá-lo teoricamente para erguer um genuíno partido marxista-leninista, para nós um instrumento fundamental de combate pela conquista do poder político pelos trabalhadores.

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

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